Oxossi

Oxossi (8)

Quarta, 07 Janeiro 2026 13:48

Oke Arô, Oxóssi!

Resumo Completo – Edição de Janeiro | Estrela Guia de Aruanda

O documento aborda orientações para um ambiente espiritual, celebrações em homenagem a orixás, e reflexões sobre a conexão com a natureza e a busca por propósito na vida.
O texto apresenta diretrizes para os consulentes que visitam o Ação Cristã Vovô Elvírio (ACVE). ​
  • O ambiente é sagrado e pede roupas claras e discretas. ​
  • Evitar bermudas, peças curtas, decotes ou transparências. ​
  • Durante os pontos cantados, é permitido cantar e bater palmas; em outros momentos, o silêncio é recomendado. ​
  • Celulares devem estar desligados ou em modo silencioso. ​
  • Os pertences pessoais devem ser cuidados, pois o ACVE não se responsabiliza por objetos deixados. ​
Programação de Giras e Atendimentos:
O texto lista as datas e tipos de giras programadas para janeiro de 2026. ​
  • 16 de janeiro: Gira em homenagem a Oxóssi em Palmelo. ​
  • 17 de janeiro: Gira em homenagem a Oxóssi em Valparaíso. ​
  • 21 de janeiro: Gira de Desenvolvimento mediúnico em Valparaíso. ​
  • 23 de janeiro: Gira em homenagem a Oxóssi em Cristalina. ​
  • 24 de janeiro: Gira de atendimento de Pretos-Velhos em Valparaíso. ​
  • 28 de janeiro: Gira de Desenvolvimento mediúnico em Valparaíso. ​
  • 29 de janeiro: Palestra, Prece e Passe em Cristalina. ​
  • 30 de janeiro: Gira de atendimento de Pretos-Velhos em Palmelo. ​
  • 31 de janeiro: Gira de atendimento de Pretos-Velhos em Valparaíso. ​
Mensagem de Pai Pedro Lettieri:
Pai Pedro Lettieri compartilha uma mensagem de fé e renovação para os filhos do ACVE. ​
  • O novo ciclo é um chamado espiritual para fortalecer laços de união e caridade. ​
  • O ano de 2026 é regido por Ogum e Iansã, simbolizando movimento e transformação. ​
  • Oxóssi abre o portal da fartura e da prosperidade, enfatizando a harmonia com a natureza. ​
  • A mensagem destaca a importância da ética, simplicidade e entrega no trabalho mediúnico. ​
Reflexão sobre Oxóssi e a Vida Moderna:
O texto reflete sobre como o arquétipo de Oxóssi pode ser aplicado na vida contemporânea. ​
  • Oxóssi é o orixá da caça, representando foco, percepção e propósito. ​
  • A comparação entre o caçador e a vida moderna destaca a importância de viver com intenção. ​
  • A mensagem sugere que a verdadeira abundância vem da harmonia com a natureza e do conhecimento. ​
Magnetismo e Espiritualidade:
O texto explora a relação entre magnetismo e práticas espirituais. ​
  • O magnetismo é uma força invisível que influencia a vida cotidiana e as interações humanas. ​
  • Franz Mesmer introduziu a ideia de uma força natural que permeia todos os seres vivos. ​
  • O espiritismo e a Umbanda utilizam o magnetismo como meio de cura e conexão espiritual. ​
A História dos Reis Magos:
A narrativa dos Reis Magos é analisada em relação à espiritualidade e à Umbanda. ​
  • Os Reis Magos representam a busca pela luz e a conexão com o divino. ​
  • Suas oferendas simbolizam a reverência e a conexão com o plano espiritual. ​
  • A história é um exemplo de sincretismo religioso, unindo tradições cristãs e afro-brasileiras. ​
Mestres Ascensionados e Evolução Espiritual:
O texto discute o papel dos Mestres Ascensionados na evolução espiritual da humanidade. ​
  • Mestres Ascensionados são seres iluminados que guiam a humanidade sem interferir no livre-arbítrio. ​
  • Eles representam a Grande Fraternidade Branca e irradiam energias através dos Raios Cósmicos. ​
  • A conexão com esses mestres é fortalecida por pensamentos elevados e atitudes de amor. ​
A Importância da Alimentação Espiritual:
A relação entre comida, emoção e espiritualidade é explorada no texto. ​
  • A comida é vista como um gesto de amor e conexão com a ancestralidade. ​
  • Cada refeição carrega memórias e energias que nutrem tanto o corpo quanto a alma. ​
  • A fé é apresentada como um elemento transformador que dá sentido à vida. ​
Percepções Silenciosas e Sons:
O texto aborda a influência dos sons e frequências no bem-estar humano. ​
  • O som é uma sensação auditiva que pode impactar o estado mental. ​
  • Frequências ultrassônicas podem influenciar a percepção e a atividade cerebral. ​
  • A natureza e a música têm efeitos terapêuticos que vão além da audição consciente. ​
Ervas de Oxóssi e Suas Propriedades:
O texto descreve ervas associadas a Oxóssi e suas utilizações espirituais. ​
  • Alecrim é usado para limpeza energética e atração de boas oportunidades. ​
  • Guiné afasta energias negativas e promove coragem. ​
  • Samambaia e folha de pitanga ajudam na proteção e equilíbrio espiritual. ​
Casos de Reencarnação e Memória Espiritual:
O texto apresenta casos de reencarnação que desafiam a compreensão convencional. ​
  • Purnima Ekanayake e Shanti Devi relataram memórias de vidas passadas com detalhes verificáveis. ​
  • O espiritismo vê essas memórias como exceções ao "véu do esquecimento". ​
  • A Umbanda reconhece a reencarnação como parte do processo evolutivo do espírito. ​
Recomendações de Leitura e Conteúdos:
O texto sugere livros e plataformas digitais para aprofundar o conhecimento espiritual. ​
  • "O Segredo da Flor de Ouro" é um clássico sobre alquimia interior. ​
  • O álbum "Os afro-sambas" une samba e tradições afro-brasileiras, destacando a riqueza cultural.

Muitas coisas são divulgadas sobre os orixás. Muitos sensos comuns quanto a pontos de forças. Algumas divergências. Coisas normais para nós encarnados que não possuímos meios e nem evolução para compreendermos a vibração e a energia de um orixá. Os “braços divinos” tomam formas de acordo com a visão de cada filho de fé. Cada um acredita, visualiza e venera Deus e os orixás da sua forma. Sincretizados ou não com os santos, os orixás fortalecem e alimentam diversas falanges que, por meio da egrégora formada, atuam em sua vibração, guiando, orientado, educando, auxiliando... e vários outros “ando” que todos precisamos.

Não é diferente com Oxóssi. Muitos já sabem seu ponto de força: “Quem manda nas matas é Oxóssi...”. A sua cor, verde, e seu dia, quinta-feira, são quase unanimidades para os umbandistas e para aqueles que o cultuam e alimentam a crença nele. Ele atua diretamente na busca pelo conhecimento, por meio do aprendizado e ao exercer os ensinamentos, chega-se à sabedoria. Rege a disciplina necessária para buscar o desejado e cobra a disciplina na busca pela reforma íntima: com o crescimento espiritual. Aquele que busca se analisar e se conhecer adquire a sabedoria de poder caminhar com mais firmeza em sua evolução. É também regente da linhagem dos Caboclos, que trabalham nas diversas linhas dos outros orixás, mas que trazem consigo a figura indígena que remete àqueles que viveram e muito aprenderam nas matas.

É nas matas que percebemos um dos ensinamentos sobre os orixás: eles não atuam sozinhos. Numa mata há diversos elementos que nos remetem aos outros orixás: os rios de Oxum; o vento de Iansã; as pedras de Xangô; as ervas de Ossain; os caminhos de Ogum; a lama de Nanã.

É nas matas que lembramos a origem de nosso planeta e que, não por acaso, está muito ligada à história e à colonização do Brasil. Os indígenas foram os primeiros habitantes de nosso país e muito sofreram com a colonização europeia. Seu culto a Tupã, como Deus, que está presente em tudo, nos ensinou a ter o respeito e o cuidado com o local onde vivemos. Oxóssi estabelece e fortifica a Umbanda como religião ecológica que preserva e valoriza os pontos de força da natureza.

Não é à toa que Oxóssi rege as matas, pois, para sobreviver nela, é preciso conhecê-la. Ter orientação para caminhadas, saber analisar os riscos, de onde tirar o alimento por meio da colheita ou da caça e, até mesmo, de que forma conseguir água, caso não exista rio por perto. Saber analisar o melhor lugar para acampar e por onde caminhar. Ouvir o silêncio, que fala mais do que qualquer barulho. Abrir caminhos que ainda não estão trilhados na mata só é possível para aqueles que as compreendem, que as sentem, que as respeitam, que entendem que ela se renova e vive conforme a influência daqueles que ali habitam.

Energeticamente, Oxóssi traz a vibração das matas para aqueles que necessitam. Ele auxilia na busca e na disseminação do conhecimento. É o orixá da fartura: por meio do plantio, do cultivo, chega-se à colheita. Oxóssi traz a força do caçador certeiro: de uma flecha só. Este domina seu instrumento e sabe precisamente como usá-lo. Traz a disciplina para conquistar o conhecimento que o levará ao objetivo. É também a palavra sincera e renovadora, baseada nos ensinamentos aprendidos, que acalenta e renova os bons sentimentos dentro dos corações desvirtuados.

Por estar ligado às matas, muito se fala sobre as ervas e também sobre a capacidade de cura de Oxóssi. Em nossa casa, cultuamos também Ossain, orixá regente das ervas, do prana das plantas que, manipulado, produz efeitos físicos e espirituais corretivos e que auxiliam na caminhada neste planeta. Essas ervas normalmente são encontradas nas matas e florestas, pontos de força de Oxóssi. Mas sua atuação de tratamento e cura não se resume apenas a fornecer plantas medicinais.

Cada orixá possui sua forma específica de atuação espiritual. Todos são capazes de realizar tratamentos e produzir curas, variando conforme a necessidade do doente. Não diferente é Oxóssi, que tem como principal forma de tratamento a cura por meio do aprendizado. Os espíritos adoecidos refletem em seu corpo físico-espiritual as mazelas guardadas durante suas diversas encarnações. Erros, decepções, desalentos, entre tantos outros sentimentos impressos e escondidos sob o véu da encarnação despontam no corpo físico para expurgar e ensinar aqueles que o possuem, de forma a desfazer as amarras do passado e permitir a caminhada evolutiva.

Talvez a forma de Oxóssi impulsionar a correção dos problemas espirituais seja a mais complexa para muitos. As máscaras, as fugas, o esconder ou renegar os problemas interiores são empecilhos para o autoconhecimento. Para a plenitude espiritual, é necessário se estudar, buscar confrontar sentimentos e refletir sobre si de forma experimental, utilizando os ensinamentos adquiridos e práticas renovadoras, para que a correção (ou cura) das mazelas seja produzida de dentro para fora, tornando o tratamento físico o estágio final de correção de algo já reparado.

Em Oxóssi a cura é a colheita de um tratamento feito por meio do plantio e do cultivo de bons ensinamentos. Amar-se, compreender-se, aceitar-se, buscar práticas e orientações edificantes, como os ensinamentos de Cristo, são algumas das sementes que Oxóssi busca plantar em cada descampado que necessita ser reflorestado. Internalizar esses conhecimentos e lutar para executá-los, pouco a pouco, em cada vida. Cada passo e cada atitude baseados nas sementes plantadas farão crescer uma grande floresta em cada espírito que se dispuser a persistir. E a cura toma a forma de uma linda floresta semeada nos corações mais desgastados e atormentados e que são renovados, e pulsam, e crescem com as novas sementes que continuam a ser plantadas pelo ciclo natural das plantas que ali estão firmes.

 

 

Quarta, 08 Novembro 2017 08:54

CABOCLOS

A anunciação da Umbanda foi feita através da manifestação do Caboclo Sete Encruzilhadas pelo médium Zélio de Moraes. A linha de caboclos é, originalmente, um dos pilares da Umbanda, regido pelo Orixá Oxossi. Representa o trono do conhecimento que procura doutrinar, fixar, disciplinar, concentrar e expandir as energias necessárias para o trabalho dessa linha.

Os caboclos se apresentam como índios, não necessariamente por que viveram como indígenas ou povos primitivos em encarnações anteriores, mas sobretudo pela afinidade de trabalhar sob o conceito de generosidade com a natureza, sob o conceito de fraternidade e cooperação, força e disciplina. Muitas vezes, os clarividentes veem essa forma de índio pela vontade do espírito manifestado como caboclo para um melhor entendimento do trabalho que será realizado.

Os nomes das entidades revelam muito sobre a forma de trabalho daquele espírito: da sua regência de um orixá, da sua irradiação de outras forças divinas e naturais, da sua ligação a uma falange e até com que forças da natureza trabalha. Esses nomes não são os nomes de batismo, e pouco importam, pois, as entidades trabalham independente de ego, ou personificação. Portanto, quando escutamos o nome de um Caboclo Sete Cachoeiras, podemos deduzir que esta entidade trabalha na Regência de Oxossi, pois todo caboclo é regido por este orixá; e irradiado pela energia de Oxum (por causa da Cachoeira) com capacidade para trabalhar nas sete linhas da umbanda.

É comum encontrar nomes de caboclos associados a determinados orixás. Como Caboclo Pena Branca associado a Oxossi, Caboclo Arco Íris associado a Oxumaré, Caboclo Sete Espadas associado a Ogum etc.

Inúmeros espíritos trabalham dentro de uma falange. Encontramos nomes de caboclos iguais em diferentes casas, e até mesmo dentro de uma mesma casa. Por que disso? Por que as entidades são diferentes, mas podem trabalhar sobre a orientação energética de uma falange só. Assim, os médiuns A, B e C podem trabalhar com o Caboclo Sete Estrelas; essas três entidades são distintas e todas trabalham sobre a vibração da Falange do Caboclo Sete Estrelas.

O ponto de força dos caboclos na natureza é a mata. De lá eles buscam o prana, ectoplasma das plantas, para os trabalhos nas casas de umbanda, para benefício de toda a corrente mediúnica, dos consulentes e de outros trabalhos espirituais no mundo astral. A energia das matas estimula a evolução dos seres, é purificadora do nosso organismo, uma radiação positiva que energiza, purifica e cura. Os Caboclos podem usar outros pontos de força na natureza de acordo com a sua atuação: Um Caboclo Arranca Toco é regido por Pai Oxóssi, como Caboclo, e atua na irradiação de Pai Ogum e Pai Omolu, e trabalha também com os magnetismos das matas, dos caminhos e dos campos-santos.

No ACVE a atuação dos caboclos ocorre a todo momento, no riscar do ponto de abertura, na firmeza da curimba, nos atendimentos, na linha de passe, no ritual de compromisso do médiun, nos trabalhos de mata. Com o uso de charutos, vinho branco, penachos, chocalhos, velas, pembas e fitas estalam os dedos das mãos dos médiuns, para ativar os chacras dos consulentes, absorvem com a mão esquerda, irradiam e energizam com a mão direita; têm grande conhecimento do reino vegetal e autorização para manipular ervas de todos os Orixás.

No trabalho com o caboclo é necessário do médium muita seriedade, sobriedade, humildade e conhecimento. Com a contínua incorporação, cada Caboclo vai aos poucos trabalhando a energia do médium, que aprende disciplina, ordem, falar somente o necessário, ser discreto, simples, trabalhar com ervas e pedras, conhecer sua própria força. Aprende a importância do ritual, a ajudar o irmão que sofre, a suportar as aflições com resignação, fortalecendo seu íntimo e sua estrutura psíquica, capacitando-se para encarar a vida com harmonia.

Sobretudo depois do compromisso com o caboclo, do médium será exigido retidão de comportamento, não só no trabalho com o caboclo; e sim dentro e fora do terreiro a todo o momento; já que os laços com os médiuns são estreitados depois daquele ritual.

Trabalhar com a energia do caboclo em uma casa umbandista significa emanar muita saúde, disciplina, persistência, com foco na essência do trabalho e no autoconhecimento de todos beneficiados. Pois o autoconhecimento é a libertação para a consciência de como proceder com a reforma íntima, e consequentemente desfrutar da lei do progresso de Deus.

 

 

Segunda, 02 Outubro 2017 20:09

PONTOS RISCADOS

Ponto riscado é uma escrita feita na tábua preta, por médium incorporado, utilizando-se o giz conhecido como pemba, com o objetivo de dar uma ordem expressa e direcionada para o trabalho que será realizado, para a firmeza que sustentará determinado mistério ou para o compromisso da equipe espiritual do médium com o terreiro.

Muitas são as responsabilidades que um ponto riscado traz e, por isso, no momento em que é riscado, não é aconselhável que os médiuns não incorporados olhem para a tábua, pois o campo energético naquele momento pode conter uma energia que não tenhamos preparo para suportar. O importante é ficar atento ao pedido da entidade e emanar boas energias, para que aquela ordem escrita seja eficaz no cumprimento de seu propósito.

Os sinais possuem significados individuais e, conjugados dentro do espaço magístico, formam a ordem complexa de um trabalho que, muitas vezes, se inicia naquele dia, mas se encerra em outro tempo, mesmo o ponto sendo apagado, pois a ordem já foi dada.

A pemba é um giz calcário que pode ser encontrado em diversas cores. Em nosso terreiro, é mais comum nas cores branca (pretos-velhos), verde (caboclos) e vermelha (exus). A tábua preta quadrada, de quatro lados iguais, simboliza um campo energético delimitador da ordem que será escrita e direcionada ao trabalho. A cor preta da tábua remete à ideia de que nada há nela até o ponto ser riscado.

Os três pilares da Umbanda - caboclos, pretos-velhos e crianças - têm sinais característicos e derivações. Cada orixá possui um conjunto de sinais próprios, bem como as linhas auxiliares e ainda há as interpretações de elementos escritos associados às forças e elementos da natureza.

Encontramos pontos riscados em várias firmezas do nosso terreiro, no ponto de pano de compromisso, nos trabalhos com pretos-velhos, na firmeza do caboclo dirigente da gira e, algumas vezes, no encerramento do trabalho. 

A compreensão do ponto riscado nem sempre é possível. Podemos tirar algumas conclusões a partir do estudo do significado de alguns elementos. Os mistérios encerrados nos pontos são de domínio da entidade que os riscou. Caso você tenha interesse em aprofundar o conhecimento sobre o assunto, nada o impede de perguntar para as entidades. Contudo, se a entidade não lhe explicar tudo ou não falar nada, não se chateie, você ainda não deve estar preparado para saber.

Quarta, 05 Abril 2017 17:37

AROMATERAPIA

O Senhor falou para Moisés, dizendo: “Pega aromas de primeira qualidade: cinco quilos de mirra virgem, dois quilos e meio de cinamomo aromático, dois quilos e meio de cana aromática, cinco quilos de cássia, segundo o peso do santuário, e nove litros de azeite de oliva. Farás disto um óleo para a unção sagrada, uma mistura de especiarias preparada segundo a arte da perfumaria”.     (Êxodo 30, 22:25)

O termo aromaterapia foi usado pela primeira vez pelo engenheiro químico francês René-Maurice Gattefossé, seu livro é considerado a pedra fundamental dessa ciência, nascida nas primeiras décadas do século passado, tendo pouco mais de 75 anos. Uma técnica nova, que envolve a utilização de óleos essenciais, com o objetivo de equilibrar mente, corpo e espírito, mas também uma arte terapêutica milenar. Suas raízes ancestrais lhe conferem credibilidade para ser amplamente aplicada, pois as substâncias vegetais utilizadas são conhecidas e empregadas há milênios pela humanidade, por hindus, árabes, babilônios, hebreus, persas, chineses, mesopotâmios, gregos e romanos, na forma de unguentos, defumações, águas aromáticas, incensos, óleos, preparados de ervas utilizados na vida cotidiana, nos rituais, nas curas, nas limpezas etc.

Ela se dividiu em dois sistemas: a aromaterapia inglesa, que se fixou mais no emprego dos óleos essenciais em massagem, inalações ou tratamentos estéticos, e a aromaterapia francesa (ou aromatologia) que além destas abordagens abrange o emprego clínico dos óleos essenciais e seu uso como fitoterápico (por via oral, inclusive). É considerada uma prática da medicina complementar, pois os óleos essenciais, conhecidos como a alma do vegetal, encontrados em pequenas bolsas (glândulas secretoras) existentes na superfície de folhas, flores ou no interior de talos, cascas e raízes, são carregados de princípios ativos, eletromagnetismo e frequências específicas que atuam de forma terapêutica e ampla no corpo humano, funcionando muito bem como antibióticos naturais, regeneradores da pele em feridas e queimaduras, como repelentes de insetos, em enxaqueca e dores localizadas, como anti-inflamatórios poderosos, sedativos do sistema nervoso em casos de insônia ou hiperatividade, depressão e ansiedade. Atuam de forma especial na área emocional do cérebro, podendo ser ferramentas úteis dentro da psicologia e da psiquiatria em conjunto com os tratamentos tradicionais, na recuperação de pacientes com distúrbios psíquicos.

Essa valiosa prática curativa tem no olfato a via expressa de comunicação com os planos sutil e denso e se liga diretamente com o emocional que, em desequilíbrio, é causa de muitas doenças físicas e atrativo de vibrações deletérias.

Diante disso, fica fácil entender como a espiritualidade usa desse recurso natural nos trabalhos que desenvolve, em especial na Umbanda, que tem na natureza sua fonte primária de recursos magísticos. Quando os caboclos trazem as folhas da jurema, e os pretos-velhos arruda, guiné, benjoim, alecrim, alfazema... nos passes e consultas, espargindo, defumando ou solicitando a inalação de seus “cheirosos”, saiba que essas entidades estão, nesses momentos, extraindo da essência vegetal seu maior poder para harmonizar, equilibrar e curar os campos físico, etéreo e emocional de seus filhos, proporcionando o cuidado naquilo que necessitam, atuando na essência, na alma. Estejamos abertos para receber!

 

 

Segunda, 02 Janeiro 2017 08:31

FELIZ ANO VERDE

Um novo ano começou! E, culturalmente enxergamos esse momento como uma oportunidade de recomeço, de traçarmos novas metas, retomarmos projetos, estabelecermos novos ou antigos objetivos. Enfim, temos uma conversa interior e também com o Altíssimo, para que o Universo conspire `a nosso favor.

Os dias passam, e muitas vezes nos vemos deixando de lado esse acordo particular que firmamos na virada do ano. A rotina nos toma e por força do hábito não renovamos nossas atitudes para que situações diferentes aconteçam, possibilitando que tudo o que imaginamos se realize.

Mas, então, o que fazer para que a gente não esmoreça no meio do caminho? Como transformar a energia plasmada no mundo mental em algo concreto? Como continuar otimista e perseverante correndo atrás do que se quer?

Como umbandista, denominamos a força que nos motiva a isso de: OXÓSSI. é representada como um caçador, ou seja, aquele que se embrenha na mata e por conhecê-la e respeita-la, sabe ouvir os sinais que ela lhe manda para que ele ataque na hora certa e tenha sucesso na caça.

O caçador de uma flecha só! E’ a energia que nos move para o conhecimento, e quando temos conhecimento de causa, podemos julgar a situação de uma forma mais consciente e decidir se aquilo é bom ou não para nos, e quais os caminhos que podemos tomar para acertar o alvo. Por isso, se diz que Oxóssi é irmão de Ogum, porque Oxóssi é o conhecimento e Ogum é a transformação desse aprendizado com técnica, em ação.

A energia irradiada por ele nos estimula a astúcia, a desenvoltura, a sabedoria, a paciência, e quando tudo isso se alia temos a fartura. Pois saberemos o que e onde caçar. Teremos a sede em saber e aprender, em estudar e também trabalhar, por isso esse orixá é muito requisitado quando se quer passar numa prova, trocar de emprego ou conseguir um novo.

Sendo filho de Iemanjá, a dona do mar (que nos fornece água e alimentos), Oxóssi é o senhor das matas, e também vai nos promover alimento. Da mata podemos retirar várias matérias primas para o nosso sustento. Das plantas retiramos o oxigênio, elemento primordial para a nossa sobrevivência. Quando se respira melhor, o corpo carnal e o astral também vivem melhor.

Do elemento terra tiramos a energia que nos abre para a liberdade de expressão, a firmeza de personalidade, a confiança em quem somos e acreditarmos na nossa força interior.

As florestas são domínios naturais também de outro orixá conhecido como Ossain, que representa o sumo das folhas. O axé contido nas plantas. Ou seja, a parte mais pura da energia terrena. A energia mais próxima a divina que temos aqui na Terra. Por isso as ervas são tão importantes nos trabalhos de cura, de limpeza, de tratamento dos nossos corpos espirituais e também físico. E como se fosse um elo entre o mais denso (nosso físico) e o espiritual (mais etéreo). Como não respeitar esse sítio sagrado?

Nas folhas se escondem muitos segredos, um prana que ainda não temos total conhecimento. As plantas respondem ao comando do Universo e não ao do homem, por isso se diz que deve-se ter medo ao entrar numa floresta. É importante pedir licença para quem a protege, pois não sabemos o que nos aguarda nesse sítio natural. Mas, para quem a respeita sabe que a Natureza é mãe e que ela proverá tudo o que necessitamos. Então, sabendo pedir elas atuarão a nosso favor.

À medida que aprendemos, expandimos limites e novos horizontes se abrem a nossa frente. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Assim, o vemos ligado `a nossa Curimba, onde são produzidos cantos e toques que nada mais são do que energia.

Oxóssi rege os caboclos. Entidades que são caçadoras de axé, que buscam coisas boas, que nos ensinam a caçar energias positivas, expandindo e auxiliando os seres na construção de um destino abundante. São entidades que também trabalham na doutrinação mediúnica. E como filho também de Oxalá, Oxóssi ajuda no desenvolvimento do saber religioso e da fé.

A fé que nos dá o chão para pisarmos firme rumo aos nossos sonhos. Que guia a nossa flecha para agirmos corretamente, buscando sermos os melhores naquilo que desenvolvemos, e que nos alimenta de conhecimento para sentirmos o sabor da vida. Não importando o quanto se viva, desde que se viva intensamente!

 

 

No dia 15 de novembro de 1908, manifestou-se o primeiro Caboclo na religião de Umbanda, chamado Caboclo das Sete Encruzilhadas. A partir disso, a linha de Caboclos tem se mostrado como uma das mais importantes no ritual umbandista, estando presente em quase todos os terreiros, chefiando trabalhos, realizando curas, quebrando demandas, dando orientações e passes, entre outros.

Os Caboclos na Umbanda são entidades que se apresentam como indígenas, agrupados por falanges sob a vibração do Orixá Oxossi. Individualmente, cada caboclo possui suas características próprias e diferenciadas, tanto na incorporação como nos tipos de trabalhos. Isso porque, mesmo atuando na linha de Oxossi, cada um pode atuar sob a força de orixás distintos, de acordo com a missão e a história particulares.

Nos seus trabalhos de magia, são utilizadas pembas, velas, essências, flores, frutas, incensos, charutos para provocar a descarga espiritual de seu médium e também do seu consulente. Outros se utilizam de ervas e raízes como remédios. Alguns assoviam, outros bradam no ato da incorporação, fazendo a comunicação entre eles. São considerados sérios nos seus conselhos, grandes trabalhadores dos terreiros, sendo muito úteis na limpeza astral e física.

São espíritos muito esclarecidos e caridosos, assim como os pretos-velhos. Habitantes da mata que se apresentam de forma simples, humilde, corajosa, persistente, guerreira, com voz vibrante e trazem a força da natureza e a sabedoria para o uso das ervas.

Ajudam-nos a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso for, caçar os bichos do mato (vencer as negativas interferências espirituais). Sabedorias que nos esclarecem os princípios e as leis da vida, com igualdade para todos, respeitando seu grau de evolução, assegurando a livre iniciativa de pensar e agir, como melhor se sentir, sem julgamentos.

Podendo melhor compreender seus semelhantes, vivendo de forma mais justa e harmoniosa, tornando-se mais solidário, aguçando seu grau sensitivo, menor apego material, desenvolvendo uma maior ligação com a natureza e respeito por ela, com isso fazendo fluir de seu íntimo o efeito e a luz do amor que cada ser humano traz dentro de si.

Melhor do que qualquer leitura sobre Caboclos é vê-los incorporados atendendo quem precisa... Salve a Força dos Caboclos...

Abraços fraternos a todos os irmãos!

Médium Carla Faria.

 

 

Domingo, 01 Maio 2016 11:47

A LANÇA E A FLECHA

Um pequeno índio andando em sua tribo viu os índios guerreiros preparando suas armas para a caça. Em um canto, um grupo afiava e moldava suas lanças, cada um com a sua, conforme seu gosto. No outro canto, via outros homens que, com o mesmo carinho, preparavam suas flechas e cuidavam delas. Curioso em saber o porquê de alguns usarem lança e outros, flecha, foi até um senhor, antigo guerreiro da tribo, e o perguntou: “Qual é a melhor? A flecha ou lança?”.

O homem lhe falou:

“Meu filho, cada arma tem sua característica. A lança é mais efetiva em distâncias menores, e dificilmente a caça sobreviverá. Porém, é difícil utilizá-la para longo alcance. Necessita de força para sua utilização. Além disso, ela não permite ao caçador sair sozinho, pois qualquer erro cometido o deixará desguarnecido. Mas em grupo a lança fortalece a confiança e os laços entre os guerreiros. Eles se desenvolvem e aprendem juntos a se defender, a atacar como um só.

Já o arco e flecha tem um maior alcance de ataque, mas não tem a mesma efetividade, necessitando, por vezes, que mais de uma flecha seja utilizada para que se atinja o mesmo impacto. Necessitam-se também de diversos tipos de flechas, com cuidados específicos e detalhados. Isso exige estudo, desenvolvimento e prática por parte do caçador, para que ele saiba reconhecê-las e utilizá-las, conforme as diversidades e necessidades em suas caças.”

Então, o menino questionou: “Mas o Senhor não me respondeu qual delas é a melhor”.

E com um sorriso, ele respondeu: Não existe melhor, meu filho. Na vida caçamos a todo tempo. Algumas vezes, só teremos sucesso com uma lança. Outras somente com uma flecha. As duas têm o seu momento e uso certos. Uma exige a força e a solidariedade. A outra cobra o desenvolvimento e a precisão. Cada uma delas traz uma prática a ser realizada e uma lição a ser ensinada. A evolução do guerreiro está em saber escolher a arma certa para cada caça sem esquecer que na vida não se caça somente com uma delas.