Elementos Magísticos

Elementos Magísticos (11)

Quinta, 27 Setembro 2018 10:10

GUIA DE AÇO NA UMBANDA

Uma das guias de uso obrigatório para os médiuns do ACVE é a guia de aço. No entanto, enquanto as demais guias dos orixás e entidades só devem ser utilizadas nas giras, a de aço é a única que utilizamos em todos os dias da semana, diuturnamente.

A guia de aço é um colar simples, com um crucifixo, ambos feitos de aço e, após imantada por uma entidade dirigente, atua como um amuleto para a nossa proteção.

O aço (que é, em resumo, uma “mistura” de ferro (Fe) com carbono (C)1) atrai para si ou repele algumas das energias que poderiam nos prejudicar e, quando a guia é imantada, essas funções são potencializadas a nosso favor. Por esse motivo, de vez em quando, esse instrumento arrebentará ou terá sua coloração natural alterada. Isso significa que atingiu o fim ao qual se destinava, ou seja, cumpriu a sua missão. Então, uma nova guia deve ser adquirida e levada para o mentor benzer e a guia estragada deverá ser descartada.

“O aço é um excelente condutor de energia elétrica e possui uma aura fortemente radioativa. A guia de aço transforma-se num excelente captador de energias deletérias de baixo teor energético, desagregando esses baixos fluidos, não permitindo seu alojamento e, consequentemente, a criação e proliferação de miasmas e larvas astrais nos corpos sutis e físico do homem. 2

Para confirmar se o material é, de fato, o aço, pode-se fazer o teste com um ímã de geladeira. Se a corrente e o crucifixo grudarem no ímã, pode comprar! É aço.

É interessante lembrar que nossa casa tem como patrono Ogum, o orixá do ferro, e, quando manipulamos a guia de aço férrico, estamos também nos aproximando da vibração desse orixá guerreiro e dono dos caminhos.

Aconselha-se que andemos sempre com ela junto ao corpo, inclusive no momento do banho e na hora de dormir. No entanto, nunca visível aos olhos de terceiros. Ou seja, se a roupa for cavada e a guia ficar à mostra, recomenda-se guardá-la no bolso ou no sutiã, por exemplo. No mesmo sentido, é importante que esse objeto magístico seja manuseado apenas pelo seu dono.

Dizem os nossos mentores que somente é indicado tirá-la de perto de si, nos momentos de relação sexual, evitando, assim, que a energia da guia seja alterada.

Algumas pessoas têm alergia ao aço. Nesse caso, embora seja mais dispendioso e menos efetivo, pode-se utilizar uma corrente de ouro. De toda forma, é preferível que usemos a corrente de aço, mesmo que envolta num saquinho de pano ou similar.

Por fim, cabe lembrar que a corrente de aço é apenas um paliativo em relação à nossa proteção. Precisamos de muita vigilância e oração, sem descuidar da leitura diária do Evangelho Segundo o Espiritismo, bem como da nossa reforma íntima.

“Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”.

 

Referências:

1 http://www.jomafer.com.br/noticias/qual-diferenca-entre-ferro-e-aco. Acessado em 08/12/2017.

2 http://www.camilazivit.com.br/o-poder-da-guia-de-aco/. Acessado em 08/12/2017.

 

Você encontra mais informações importantes sobre a guia de aço no site: http://www.tendadeumbandaluzecaridade.com.br/2015/10/fundamento-da-guia-de-aco.html.

 

Segunda, 06 Novembro 2017 09:11

FIRMEZAS E ASSENTAMENTOS

Primeiramente é importante ressaltar que, tanto as firmezas como os assentamentos, possuem uma finalidade muito parecida, entretanto, não são a mesma coisa. Para diferencia-los, vamos analisar as definições dos verbos: assentar e firmar. Assentar pelo dicionário Aurélio significa: Colocar sobre uma base, definir as condições de alguma coisa, fixar-se em um determinado sítio, ganhar juízo ou maturidade, determinar e resolver. Pelo mesmo dicionário firmar significa: colocar assinatura em, confirmar, assegurar, fixar, tornar ou ficar firme. Podemos perceber que assentar tem uma amplitude e um alcance maior, já o verbo firmar vem para completar e auxiliar, trazendo consigo uma grande segurança.

Buscando conhecer um pouco mais sobre o que é um assentamento, percebemos que se trata de um local especial porque nele existe um portal. É nesse portal que temos a interação das três dimensões da vida: O divino (poder), o espiritual (força) e o natural (atuação). Tendo isso bem claro em nossas mentes, o próximo passo é se perguntar a razão de assentar uma força ou poder. Os Centros de Umbanda estão sempre sendo auxiliados pelas forças do plano espiritual e pelos poderes dos planos divinos, fazendo-se assim necessário que os Centros tenham, no plano material, pontos de descarga que possam absorver, transmutar, encaminhar e devolver as energias. Esses pontos de descarga são o que chamamos de assentamentos.

Já conseguimos ter a noção da importância dos assentamentos, então logo ficamos curiosos para saber quais os elementos presentes em um local tão sagrado. Qual seria a graça da magia se soubéssemos todos seus segredos? Os assentamentos são feitos conforme o poder ou força, pois cada um possui seus elementos, suas ferramentas e seus “estilos”. Então, os tipos de assentamentos vão variar, pois, se alguns elementos são comuns a todos, outros são muito específicos.

E quanto as firmezas? Qual é o seu papel nos Centros? Onde ficam? A firmeza de uma força ou de um poder pode ser feita ao redor de um assentamento ou independentemente dele. Firmar uma força ou poder significa proporcionar-lhe condições mínimas para que se tenha um ponto fixo onde possa receber pedidos de auxílios e ajudas. O maior papel das firmezas é ajudar os assentamentos a terem um maior poder de realização. Todos os elementos usados nos Centros, como, cajados, chapéus, guias, velas, etc. são elementos de firmezas, pois, eles nos ajudam a firmar nossos pensamentos naquilo que estamos buscando.

Podemos concluir então que as firmezas são como pedidos e os assentamentos a força realizadora deles. Depois de refletir sobre o que são firmezas podemos perceber que elas estão em tudo; nossos pensamentos, nossas ações, nossas intenções, etc. Então, cabe a nós mesmos fortalecer nossas firmezas para que possamos ser um instrumento catalizador do poder divino e da força espiritual.

 

 

Segunda, 23 Outubro 2017 08:39

PONTOS RISCADOS

Ponto riscado é uma escrita feita na tábua preta, por médium incorporado, utilizando-se o giz conhecido como pemba, com o objetivo de dar uma ordem expressa e direcionada para o trabalho que será realizado, para a firmeza que sustentará determinado mistério ou para o compromisso da equipe espiritual do médium com o terreiro.

Muitas são as responsabilidades que um ponto riscado traz e, por isso, no momento em que é riscado, não é aconselhável que os médiuns não incorporados olhem para a tábua, pois o campo energético naquele momento pode conter uma energia que não tenhamos preparo para suportar. O importante é ficar atento ao pedido da entidade e emanar boas energias, para que aquela ordem escrita seja eficaz no cumprimento de seu propósito.

Os sinais possuem significados individuais e, conjugados dentro do espaço magístico, formam a ordem complexa de um trabalho que, muitas vezes, se inicia naquele dia, mas se encerra em outro tempo, mesmo o ponto sendo apagado, pois a ordem já foi dada.

A pemba é um giz calcário que pode ser encontrado em diversas cores. Em nosso terreiro, é mais comum nas cores branca (pretos-velhos), verde (caboclos) e vermelha (exus). A tábua preta quadrada, de quatro lados iguais, simboliza um campo energético delimitador da ordem que será escrita e direcionada ao trabalho. A cor preta da tábua remete à ideia de que nada há nela até o ponto ser riscado.

Os três pilares da Umbanda - caboclos, pretos-velhos e crianças - têm sinais característicos e derivações. Cada orixá possui um conjunto de sinais próprios, bem como as linhas auxiliares e ainda há as interpretações de elementos escritos associados às forças e elementos da natureza.

Encontramos pontos riscados em várias firmezas do nosso terreiro, no ponto de pano de compromisso, nos trabalhos com pretos-velhos, na firmeza do caboclo dirigente da gira e, algumas vezes, no encerramento do trabalho.

A compreensão do ponto riscado nem sempre é possível. Podemos tirar algumas conclusões a partir do estudo do significado de alguns elementos. Os mistérios encerrados nos pontos são de domínio da entidade que os riscou. Caso você tenha interesse em aprofundar o conhecimento sobre o assunto, nada o impede de perguntar para as entidades. Contudo, se a entidade não lhe explicar tudo ou não falar nada, não se chateie, você ainda não deve estar preparado para saber.

 

 

“Figa de guiné, patuá, pé de coelho, mandinga de olho ruim, se pegar, quebra o espelho, meu Santo é forte, é quem manda no Terreiro... Um bom galho de arruda sempre ajuda a clarear, mas é bom e não pode faltar a proteção dos Orixás (...)”.

Os quatro elementos - fogo, água, terra e ar – são os formadores de tudo o que existe e, por trás do aspecto físico de cada um deles, há princípios universais presentes em determinado grau. Logo, o que se vê no plano físico é apenas um aspecto desses princípios. Os elementos são derivados do éter (Akasha), da potencialidade suprema, sutil, onipotente, o vazio no qual tudo pode se manifestar, espaço atemporal cuja vibração muda constantemente de acordo com a forma e o local

Quando se remete a essa composição universal, vemos que tudo está ligado e entendemos como os objetos são influenciados, impregnados, imantados pelas vibrações mentais, ambientais, espirituais que, com fluidos elétricos e magnéticos, exercem influência direta em tudo e em todos ao redor. Por essa condensação energética e pelas propriedades materiais (físico-químicas) específicas, tornam-se condutores, emissores, refletores, transformadores, expansores, exercendo funções de acordo com o direcionamento, a intenção.

Alguns podem assumir duas ou mais propriedades de uma só vez, como é o caso de um Congá. O fumo, outro exemplo, tem nele o fogo solar, a água, a terra e o ar, tornando-se, por essa condensação, um exponencial material de limpeza de campos deletérios. Os amuletos, objetos naturais já prontos, como cristal, trevo de quatro folhas, pé de coelho, ervas, bem como os patuás que, a partir de amuletos, são confeccionados pelo homem, são utilizados com várias finalidades, como proteção, cura, atração de prosperidade, estimulador para o reforço ou mudança de certos aspectos do ser, entre outros fins.

Quantas vezes sentimos um peso no ambiente ou conosco quando colocamos ou portamos um objeto que já tenha sido usado? Certamente ele vem impregnado de imperil, o resultado energético de irritabilidades, mágoas, desavenças, apegos. Por isso, faz-se importante a limpeza antes de seu uso. Há várias formas de limpeza energética: radiestesia, benzimentos, orações, contato com a natureza, cromoterapia, ervas, água, todos importantes mecanismos para que uma energia indesejada não tome conta da pessoa e nem do ambiente. Mesmo objetos que não possuem essa carga devem ser limpos e energizados. Há casos extremos de impregnação, em que a única solução é a destruição. Nessa limpeza, cuidado com o uso de sal grosso, pois ele limpa profundamente e neutraliza energias, sendo necessário que o bem seja reenergizado.

Agora, basta-nos a atenção e a prática de limpeza dos objetos, bem como de pensamentos, palavras e ações. Axé!

 

 

Fontes de consulta, acessadas em 11/07/2017.

https://umbandaemfoco.wordpress.com/2016/05/22/condensadores-energeticos/

http://www.raizesespirituais.com.br/amuletos-talismas-patuas-escudo-espiritual/

http://stelalecocq.blogspot.com/

Livro dos Médiuns, Cap. VIII, Laboratório do Mundo Invisível

http://serpentarius.com.br/condensadores-fluidicos/

http://www.luzdaserra.com.br/a-energia-de-um-objeto-afeta-o-seu-ambiente-2704

 

https://carmenarabela.wordpress.com/2009/02/22/imperil-o-que-e/

 

Nascido no ano de 1184, Francisco de Assis foi um padre católico italiano consagrado por sua devoção e pregação itinerante. Pautado no amor, na harmonia e na simplicidade, fundou a Ordem dos Frades Menores, que ficou conhecida posteriormente como Ordem dos Franciscanos, e dedicou a sua vida em prol das pessoas menos esclarecidas, dos pobres e dos animais.

Devido a sua devoção e humildade, sua história foi disseminada nos quatro cantos do mundo e, mesmo depois de oito séculos de sua existência em nosso plano material, Francisco ainda é lembrando com muito carinho e admiração. O cordão que Francisco de Assis carregava em sua cintura virou símbolo de sua devoção e amor por Jesus Cristo e pelos seus semelhantes, sendo assim, é por este fato que em nossa casa temos a ritualística de utilizar o Cordão de São Francisco como parte de nossa vestimenta.

O cordão possui a mesma função das guias que carregamos no pescoço: ambos são utilizados como proteção de nosso corpo material e espiritual. Pelo fato de o cordão estar amarrado em nossa cintura, protege o nosso eixo magnético, que é localizado nessa região, evitando, assim, ataques de espíritos trevosos e energias perniciosas. Outro motivo importante para utilizarmos tais cordões é nos lembrar de que muitos de nós já fizemos parte da ordem dos Franciscanos em reencarnações passadas e hoje continuamos nosso trabalho de amor, devoção e responsabilidade mediúnica nesta casa.

O material utilizado para a fabricação do cordão é o algodão. A maioria das pessoas prefere comprá-lo, mas ainda há alguns grupos religiosos que confeccionam seu próprio cordão e, ao tecê-lo, fazem orações de proteção e libertação. Cada cordão possui 7 nós – 4 em uma ponta e 3 em outra. Os três nós de um lado representam o divino por meio da santíssima trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e os outros quatro nós representam a matéria, fazendo referência aos 4 elementos básicos (água, terra, fogo e ar). Somando os nós, temos o número 7, presente nas 7 linhas da umbanda, nos 7 dias da semana, nas 7 notas musicais, nas 7 cores do arco-íris, nos 7 pecados capitais, nas 7 virtudes, nas 7 pragas do Egito, nos 7 dias da criação do mundo, nas 7 glândulas endócrinas, nos 7 chakras, nos 7 arcanjos, nos 7 dias de cada fase da lua etc.

Cada adorno que utilizamos durante os trabalhos mediúnicos possui uma simbologia e uma explicação. Caso você tenha alguma dúvida sobre algum adorno de nossa vestimenta, instrumentos de trabalho ou ritualística, não hesite em procurar algum integrante de nossa equipe para esclarecer suas dúvidas. Ficaremos imensamente felizes em poder auxiliá-lo.

Por fim, deixamos aqui a oração de São Francisco de Assis, conhecida por sua simplicidade e belas reflexões:

“Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Salve São Francisco!

 

 

Fruto levado da África para Ásia, Europa e Américas, por meio do processo de migração humana ou por ter cruzando oceanos flutuando e despejando nos solos férteis do novo mundo suas sementes. A cabaça foi um dos primeiros frutos a serem utilizados na alimentação e também como recipiente para ingestão de líquidos e alimentos. Elemento vegetal ancestral, cuja origem é diversa, os usos são múltiplos e os sentidos os mais variados, tanto na arte, na música, na religião, quanto no cotidiano de pessoas e povos. É um elemento vegetal com forma geralmente arredondada e um “pescoço” curto ou longo. Depois de extraído, seca e se solidifica. De acordo com o interesse, ele pode ser cortado, processo em que é necessário retirar as sementes e a polpa, para depois deixar secar. Inteiro, esse fruto é denominado cabaça, porongo; cortado, é cuia ou coité (menores), cumbucas (maiores).

O destaque é para o aspecto magístico da cabaça, cujo uso ritualístico representa um dos grandes mistérios contidos nas religiões afro-brasileiras, como Umbanda e Candomblé. É um elemento de grande poder energético natural e com amplo valor simbólico, considerado o pote que guarda todos os mistérios da cura, da vida e da morte. Dentro do culto, é o símbolo representativo e o utensílio principal de Exu, mas a cabaça é também usada por Pretos Velhos, Caboclos e alguns Orixás, como Ossain, que faz da cabaça o local para guardar as folhas (ervas) e seus segredos; e Omolu, que a utiliza para levar seus remédios.  Pequenas cabaças são colocadas no Xaxará, cetro ritual de palha da costa que expulsa a peste e o mal.

E por que a cabaça é um objeto ritual especialmente ligado a Exu?

Primeiramente, a cabaça pontiaguda possui uma relação esotérica com a própria força masculina, positiva e dinâmica, como se representasse o aparelho reprodutor masculino (falo, bolsa escrotal e os espermatozoides - sementes), mas ela também representa a polaridade feminina, relacionando-se a Exu por ser ele resultado de um par, por isso, portador mítico do sêmen e do útero ancestral e condutor do princípio da vida individualizada.

Há, também, dois mistérios trazidos pelo fruto: na função de proteção, pois a cabaça protege suas sementes e resiste às jornadas da vida; e de expansão e crescimento, pois se espalhou pelo mundo inteiro - princípio da energia, da força que se propaga.

Além disso, a cabaça representa o universo, o céu e a terra, pela forma semelhante ao número 8, que é universalmente considerado o símbolo do equilíbrio cósmico. É um número que possui um valor de mediação entre a terra e o céu, está relacionado com o mundo intermediário, ao equilíbrio central e à justiça. O número 8 deitado (Lemniscata) simboliza também o infinito, aquilo que não tem limite, simboliza a inexistência do início e do fim, do nascimento e da morte, e representa ainda a ligação entre o físico e o espiritual, o divino e o terreno.

Conhecer um elemento usado na magia é expandir o entendimento sobre o rito, a espiritualidade e os Orixás. Saravá!

 

 

Fontes:

https://www.dicionariodesimbolos.com.br/numero-8/

http://www.somostodosum.com.br/clube/artigos/autoconhecimento/o-simbolismo-do-numero-8-43585.html

https://lilamenez.wordpress.com/2015/03/04/a-importancia-da-cabaca-na-umbanda/

https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/86937/bastos_mab_me_ia.pdf?sequence=1

www.minhaumbanda.com.br

http://www.paitandy.com.br/porque-usar-cabaca-para-exu

https://pt-br.facebook.com/CandombleArteSagrada/posts/885793624796251:0

http://folhadocandomble.blogspot.com.br/

https://pt-br.facebook.com/AUmbandaVerdadeira/photos/a.555131371258440.1073741827.523500271088217/662046370566939/

https://jeffcelophane.wordpress.com/2011/01/20/a-cabaca-o-fruto-da-diversidade-brasileira/

 

Quarta, 22 Fevereiro 2017 08:53

O CAJADO SAGRADO

Cajado é uma vara de pastor, caracteristicamente tendo a extremidade superior recurvada em forma de gancho ou semicírculo. É usado desde os tempos mais remotos que datam de antes de Cristo e são duas as formas de utilizá-lo: uso comum (profano) e uso sagrado. Na primeira existem diversas formas de utilização, dentre elas quando segurado pelo lado da curva, serve de vara para corrigir ou castigar as ovelhas que se desviam do grupo; e segurando-o pelo lado reto serve para socorrer a ovelha caída em buracos ou precipícios, puxando-a pela curva do cajado. Quando usado para fins sagrados é um instrumento mágico poderosíssimo.

Normalmente os cajados sagrados são construídos com madeiras retiradas depois de mortas da natureza, pedindo licença aos Espíritos da Floresta para que permitam sua utilização. Toda a energia contida nas raízes, tronco, folhas, frutos, flores e sementes são transferidas para o Cajado. Segundo Lurdes de Campos Vieira, em seu livro Os Guias Espirituais da Umbanda e Seus Atendimentos, “quando uma entidade ativa seu cajado vegetal consagrado, impulsiona os mistérios vegetais mais ocultos e poderosos porque o cajado sagrado é a síntese e o símbolo da árvore da vida com todos os seus poderes e mistérios divinos”.

A construção de um bom cajado para esses fins depende de fatores que tornam o processo meticuloso, onde o construtor pode buscar informações em literaturas, com irmãos do terreiro, com o Pai de Santo, e principalmente com a entidade para quem o cajado está sendo feito. A associação de madeira, pedras, metais e outros elementos utilizados no Cajado gera um campo magnético indestrutível. Desta forma, ajuda o condutor a estabilizar emoções, curar doenças, realizar limpezas espirituais profundas, destruindo formações negativas presas ao corpo espiritual de uma pessoa, bem como recolher dela todos os miasmas e larvas astrais, trazendo assim proteção espiritual ao local que o cajado ficará atuando.

Os cajados sagrados simbolizam a sustentação de algo ou de alguém. São potentes condensadores de energia, irradiando-a e absorvendo-a pelas extremidades.  Também abrem e fecham portais e sua batida cadenciada e ritmada pode provocar a queda de campos vibratórios que envolvem locais e seres negativos. Podemos observar esse uso do cajado quando durante a Gira um Preto Velho ou um Exu em atendimento solicita ao consulente ou médium da casa que o segure para ajudar no trabalho que está sendo realizado.

 



O patuá é um objeto benzido que traz em si o axé, a força do Orixá, do santo católico ou guia de luz, por quem ele é consagrado. Sendo utilizado como um amuleto, é uma forma de proteção para ser carregado no dia-a-dia.

Não podemos dizer ao certo de onde e quando é sua origem, porém podemos encontrar semelhantes objetos nas diversas religiões e culturas que cercam nosso mundo.

Para os católicos, os terços e rosários possuem igual função. Há registros que até mesmos os cavaleiros, quando retornavam das cruzadas, traziam consigo em sacolas de pano, um pouco de areia da Terra Santa, para que sua viagem fosse abençoada.

Na umbanda, um patuá é utilizado para atrair boas energias e bons fluidos. Os guias, com sua sabedoria e suas preces, abençoam este objeto, a fim de renovar e reestruturar o ambiente ou a vida de quem leva consigo um patuá.

Existem muitas formas de se confeccionar um patuá. Na gira de Oxóssi, realizada pelo ACVE, via de regra, são utilizados grãos tidos como bons emanadores de energias, como lentilhas, feijão e café, bem como atraem fartura e prosperidade. Os grãos são envoltos por pequenas bolsas de pano ou de couro, sendo feitos de acordo com a necessidade apresentada.

Pode-se consagrar cada patuá para uma diferente entidade ou um diferente orixá, o que os difere são os grãos ou ervas que carregam dentro de si, mas independente do Orixá ou Guia relacionado, esse tipo de patuá carrega a energia de Oxóssi, pois é este orixá responsável pelos grãos e pela agricultura, de acordo com as lendas africanas.

Em conjunto com Oxum e outros Orixás, é responsável pela fartura, assim como Ossain é responsável pelas ervas que nos curam e alimentam.

Podemos, assim, compreender um pouco sobre este amuleto sagrado, que devem ser estimulados pela nossa fé e crença nos sagrados orixás, pois a magia sempre está na força do pensamento.

Quem não pode com mandinga não carrega patuá.

 

 

Sexta, 01 Abril 2016 11:58

FOGO

Na história da humanidade, alguns fatos foram marcantes para que chegássemos até o nível de evolução atual. Indivíduos nômades, que viviam da colheita de frutos e da caça de animais, evoluíram até o que somos hoje, por exemplo. Além disso, podemos citar algo que contribuiu para a manutenção do homo sapiens na Terra, bem como para sua evolução: o domínio do Fogo.

O fogo, fisicamente, é a oxidação de um material combustível, liberando calor, luz e produtos de reação. Hoje, esse conceito se torna simples: como um fósforo aceso. Mas tenha em mente que este simples ato de riscar um fósforo é fruto de milhares de anos de evolução e trabalho humano para controlar uma das energias mais importantes do planeta. O fogo foi responsável por mudar a alimentação, facilitando a ingestão de proteína animal da caça e colaborando com o desenvolvimento da inteligência humana; afastar os predadores dos humanos, facilitando a reprodução e o aumento da população na terra; manter temperaturas possíveis de sobrevivência em áreas frias; entre outros avanços.

A Lei de Lavoisier diz que: Na natureza, nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma. Einstein, com o conceito de equivalência massa-energia, nos mostrou que tudo no Universo é energia. Estas leis, somadas ao que é, fisicamente, o fogo, comprovam sua força e capacidade de transmutar energias. Sua força de transformação é tão forte que até os metais mais resistentes do planeta só podem ser moldados ou rompidos com fogo.

Entretanto, esse processo de evolução e “domínio” do fogo não foi apenas material. Estas conquistas sempre foram acompanhadas de sua utilização para rituais religiosos/magísticos. O fogo representa a ligação com o divino, o contato com o oculto. A utilização de velas, como em nosso terreiro, e de fogueiras com finalidades sacras exemplificam isto. O fogo é utilizado como elemento de força e conector com a espiritualidade, pois abre portais de luz para pedidos, agradecimentos, orações.

É nesse contexto de utilização divina e material que temos o fogo associado a diversas situações de nossa vida. Seja para caracterizar uma paixão ardente ou para descrever uma pessoa enérgica. E quem nunca ouviu “quem brinca com fogo se queima!”? Este conselho simples, e tão comum, servirá para nós sempre. 

Na Umbanda, um dos orixás que regem a energia do fogo é Ogum. Ele utiliza desta força para desfazer demandas, revigorar seus filhos, abrir caminhos, resgatar e aplicar a lei conforme o merecimento de quem recebe. Seus filhos trazem o fogo em suas atitudes mais energéticas, a busca e o foco pelos objetivos traçados, e a defesa daqueles que necessitam. Trazem a energia do fogo na luta contra o mal, limpando e, principalmente, iluminando as zonas mais escuras.

O fogo é um elemento puro e sério. Ele pode queimar uma casa ou cozinhar uma comida. Sua utilização, como a de qualquer energia, está associada à intenção de quem o manipula. Utilizado corretamente, ele pode abrir seus caminhos; destruir males que lhe cercam; trazer energia nova; dar força para aquele momento difícil; ajudar-lhe a se conectar com seus mentores; iluminar um caminho. Cuide sempre para que seus desejos e pedidos a ele sejam para o bem, para que ele não seja usado contra você, pois nada escapa das leis divinas. Quem desafia o fogo sempre sai perdedor.

O rapé é o resultado da mistura de folhas de tabaco desidratadas e moídas com outros aditivos variados, como cânfora, mentol e essências aromáticas. Seu uso medicinal data de séculos atrás e foi registrado em diversas civilizações tribais antigas ao redor de todo o mundo, inclusive nas tribos indígenas brasileiras. Os caciques brasileiros colocavam o rapé em um instrumento peculiar de aplicação e sopravam a mistura dentro do nariz do enfermo, com o objetivo de curar tanto problemas respiratórios, infecções bacterianas e dores de cabeça quanto perturbações espirituais, visto que, para a cultura indígena, não havia a dissociação entre problemas físicos e espirituais.

Tempos depois, o consumo do rapé foi adotado pela burguesia e alta sociedade europeia, embora sem seu valor sagrado e curativo. A inalação excessiva da mistura pode provocar uma sensação de torpor e relaxamento, então, nas festas promovidas nos castelos, era comum encontrar alguém ostentando uma lata de rapé para consumo dos convidados. Assim, o rapé era utilizado como forma de diversão e era motivo de risadas entre os convidados, promovendo a socialização. 

Porém, vale lembrar que o consumo exagerado pode causar adversidades, pois muitos rapés possuem componentes que podem causar os mesmos efeitos colaterais que o cigarro comum, além de dependência. Hoje em dia, podemos encontrar vários tipos de rapés nas lojas especializadas em artigos de tabacaria. Além disso, é possível personalizar o seu rapé, manipulando alguma erva ou em farmácias especializadas. Em todo caso, o único uso seguro ocorre em pequenas quantidades, esporadicamente e com objetivos curativos. Hoje sabe-se que o consumo do rapé alivia os sintomas de sinusites, rinites, dores de cabeças e, acreditem, enxaquecas. 

Abordando o lado espiritual, e sabendo que o espírito pode atuar sobre a matéria, o rapé, assim como outros elementos, como charutos, ervas, bebidas etc, pode ser imantado pelas entidades e utilizado para um determinado fim benéfico, seja no descarrego ou na afinização com algumas entidades. É comum vermos entidades solicitando que médiuns ou consulentes inalem uma pequena quantidade de rapé. Isso ocorre porque o tabaco possui inúmeras propriedades orgânicas e espirituais, bastando uma mínima quantidade para a realização de diversos tratamentos, descarregos, limpezas energéticas e mudanças de padrões vibratórios.