Esquerda (10)
Quando procuramos por uma casa umbandista, invariavelmente estamos em busca de solucionar problemas. Geralmente, dizemos que, quando adentramos um terreiro ou tenda de Umbanda pela primeira vez, chegamos movidos pela dor, sofrimento ou problemas diversos.
Esses motivos podem ser problemas de ordem espiritual (perturbações, desequilíbrios psíquicos, demandas, disfunções mediúnicas, etc.) e de ordem material ou emocional (doenças, desemprego, problemas amorosos, falta de recursos financeiros, etc.).
Existem diferentes tratamentos espirituais disponíveis em um templo de Umbanda, que objetivam auxiliar no tratamento de doenças do corpo ou da mente, visando reencontrar a harmonia e acabar com a fonte do desequilíbrio. Um deles é o de desobsessão, que é denominado de “puxada”. Na nossa casa Ação Cristã Vovô Elvírio, temos a sala de desobsessão Vô Amaziles, que auxilia nos tratamentos espirituais.
“Obsessão é a ação persistente de um mau espírito sobre uma pessoa, que apresenta características muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 28, item 81). Obsessão é sempre o resultado de uma imperfeição moral, que dá acesso a um mau espírito.
Todo processo de obsessão é uma VIA DE MÃO DUPLA. Não nos cabe julgar quem é culpado e quem é vítima (não somos juízes). Espíritos bons e maus ligam-se a nós por afinidade, quando compartilhamos dos mesmos sentimentos, dos mesmos interesses, das mesmas ambições. A isso se dá o nome de sintonia espiritual.
Puxada é um afastamento rápido dos espíritos que estão ligados a nós por meio de nossas imperfeições e tendências, no qual esses espíritos sofredores ou obsessores que nos acompanham são “puxados” para o campo astral dos médiuns por meio do magnetismo. Em seguida ou no mesmo instante em que ocorre a puxada, as energias pesadas e esses obsessores são descarregados ou desligados do médium por ação de seu pensamento ou com auxílio das entidades espirituais.
A ação da puxada pode ter como consequência o afastamento definitivo, temporário ou parcial de espíritos obsessores, a depender da nossa vontade e do nosso merecimento. Porém, a puxada em si não é uma desobsessão, é apenas parte do tratamento, já que a desobsessão é determinada por nossa força de vontade para melhorarmos e mudarmos nossos padrões de vida.
A puxada é, também, um excelente mecanismo de educação mediúnica, uma vez que exige do médium que aprenda a ter controle sobre as energias que puxa ou que libera, sob o risco de carregar consigo energias que não são suas e que não lhe farão bem ou de não puxar por completo as energias que precisariam ser carregadas e retiradas do campo espiritual dos consulentes. Este aprendizado ocorre com auxílio dos guias espirituais.
Muitas vezes, nós já alcançamos o merecimento pessoal diante das leis divinas para nos vermos livres das amarras obsessivas. Nesse caso, realmente uma puxada pode ser o suficiente para que possamos seguir o nosso caminho com liberdade, autonomia e mais saúde. Entretanto, vale lembrar que conquistar merecimento é justamente abrir-se para o autoconhecimento, reformar os padrões de pensamento e comportamento, enfim, ter realizado suficientemente a tão conhecida reforma íntima.
Portanto, lembremo-nos das palavras de Paulo de Tarso: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm”, que nos alerta que tudo podemos fazer com o nosso livre arbítrio, mas nem tudo que fazemos reverterá em nosso proveito espiritual.
O que importa saber quem sou?
Sei que o que pensas que sou está bem longe do que realmente sou.
Ando no lodo, nos esgotos, no fogo, ando onde há miséria, gritos de lamento e socorro.
Sou um andarilho errante.
Um espírito a caminho da evolução.
Cada alma resgatada, cada ser que nas trevas andava volta à luz.
Eu me alimento. Alimento-me de luz. De alegria. De uma boa risada.
Levo essa energia contagiante para os lugares mais sombrios e milhares de irmãos que nem sabiam mais o que e quem eram, nem tinham mais a essência de si mesmos, têm a oportunidade de receber fagulhas desta luz que emana de vossos corações.
Por isso, a concentração no terreiro de umbanda é vital para o médium e para mim, que sou o guardião e serei o condutor desta energia. Preciso canalizar, transformar as energias de baixo astral em perdão, em misericórdia. É por isso que muitos irmãos choram.
Jogo muita coisa nos colos das grandes mães: Iemanjá dissipa as mazelas com suas águas salgadas, carrega toda quizila que no corpo ficou; Oxum, com sua sensibilidade, traz harmonia e coloca tranquilidade no coração apertado. Peço para ela lavar com suas cachoeiras e energizar com suas águas, junto com seus frescores e com os lírios do campo.
O que foi? Pensou que eu iria falar palavrão? Bronquear?
Imagina, meus irmãos. Estamos todos em aprendizado.
Internalize isso: ninguém é melhor ou pior que o outro. Estamos em diferentes níveis de evolução e contamos com a misericórdia divina. Esta não falha. Pode esperar e, quando chegar a hora e meu pai Xangô autorizar, lá estarei como um soldado de Ogum a executar a ordem dada.
Salve todos os Orixás!
Exu Gato Preto.
Intuído pela médium Ângela Maria Barbosa.
A Direita e a Esquerda na Umbanda estão relacionadas aos trabalhos de pretos velhos, caboclos, crianças (direita) e exus e pombagiras (esquerda). A direita trabalha com reestruturação, auxiliando-nos na elevação moral através da reforma íntima e reestruturação interior; enquanto a esquerda trabalha consumindo e absorvendo os desequilíbrios, as viciações, os desvirtuamentos e a negatividade.
Mas por que Esquerda?
O termo Esquerda pode ser associado com as posições espaciais, os lados do cérebro e as interpretações religiosas, políticas e históricas.
Quando consideramos nosso cérebro, o lado esquerdo é o lado que menos usamos, está ligado ao inconsciente, às emoções, é associado ao impuro e ao escuro, pois é nele que se encontra o que está mal resolvido em nós, o que escondemos.
Em termos de religiosidade, o Catolicismo popular entende o lado esquerdo como o lado do diabo, que muitas vezes é chamado de “o canhoto”. Na época da inquisição, consideravam-se padres e mulheres que faziam o sinal da cruz com a mão esquerda como pessoas que teriam vendido a alma ao diabo, pois a esquerda teria ligação direta com coisas ruins.
Ao ligarmos a esquerda à política, e “abro parênteses” aqui para deixar claro que falo em termos históricos, e não da situação política atual, quer seja do Brasil ou do mundo, até mesmo porque tratar de política não é o objetivo nem deste jornal, nem do nosso templo. Enfim, em termos de história política, o termo esquerda surgiu com a Revolução Francesa e referia-se à posição dos assentos dos parlamentares; aqueles que sentavam à esquerda apoiavam as posições mais radicais da Revolução, o que incluía a adoção de um sistema republicano e de um Estado Laico. A partir de 1848, a esquerda política passou a definir movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas. Podemos considerar que a esquerda é aquela que defende mudanças maiores e busca uma sociedade mais igualitária; é marcada por controvérsias, polêmicas e complexidade, além de ser associada a mudanças, quebra de paradigmas, de conceitos e de dogmas. Ou seja, em termos políticos, a esquerda é mais controladora, intervencionista, capaz de fazer coisas e propor mudanças mais extremas.
Na Umbanda não é muito diferente. A Esquerda é relacionada ao lado escuro, às zonas umbralinas, aos trabalhos de desobsessão. Exus e Pombagiras são polêmicos e complexos, mas são eles que consomem nossas negatividades, executam a Lei e os nossos karmas, esgotam nossos vícios, de maneiras muitas vezes intensas, combatendo o veneno com o próprio veneno, mas sempre nos encaminhando para a seara de Jesus.
Podemos observar uma diferença grande entre as entidades atuantes na Direita e na Esquerda. As primeiras preparam-nos para a vida espiritual, zelam por nossa paz de espírito e evolução. Já as entidades da Esquerda estão mais relacionadas com nossa vida terrena, zelando por uma vida material plena (execução de karmas), bem como pelo equilíbrio de nossa vida material com a espiritual.
Janaína Azevedo Corral explica bem essa relação em “O Livro da Esquerda na Umbanda”: “Um ciclo não é pleno sem que o outro também o seja, isto é, não existe um espírito evoluído que tenha por opção ser entregue a uma vida miserável, ruim, mesquinha e de resignação sem lutar, sem viver, sem dar valor à dádiva que é estar vivo, amar, apaixonar-se, casar, ter filhos, família, cuidar dos pais velhinhos, ter amigos, ir a festas e experimentar todas as primeiras vezes que todo ser humano experimenta, ficar velho, sofrer, ser feliz e tudo mais quanto está em nossa natureza.
A Esquerda é quem cuida de tudo isso, é quem zela pelo equilíbrio entre o corpo e a alma, mantendo o espírito em constante evolução.”.
A Esquerda na Umbanda, com sua energia reequilibradora, mostra que não podemos nos apegar só à vida material ou só à espiritual, e sim que devemos equilibrar as duas (Lei da Ação e Reação – Karma). Exus e Pombagiras ensinam a perceber quão importante é essa oportunidade reencarnatória, quão grandiosa é a vida e a importância de sermos felizes, ajudarmos o próximo e buscarmos sempre o equilíbrio e a moderação, pois só equilibrados podemos vencer nossos vícios e desvirtuamentos e andarmos no caminho da Lei.
As entidades da Esquerda na Umbanda são espíritos em busca de evolução espiritual e compromissados com a espiritualidade superior. Eles trabalham no âmbito do perdão e da misericórdia, e suas regências estão relacionadas à ação e à reação, à fé e ao caminho do equilíbrio, assim como qualquer outra entidade atuante na Umbanda.
Por mais que as atuações das entidades na Esquerda e na Direita tenham funções diferentes, todas agem compromissadas com os objetivos do Pai Maior e com o objetivo de cumprir a lei do amor, encaminhando todos à seara de Cristo.
Salve a Esquerda!
Salve a Umbanda!
“A mulher notou que era tentador comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar inteligência.” (Gênesis 2-3). E, desde o início do mundo, a mulher é vinculada ao sentimento do desejo. Desejo no sentido de querer, de cobiçar, aspirar, de se sentir estimulada a comer o fruto proibido por Deus no jardim do Éden. Fruto esse que simbolizava o conhecimento, a distinção entre o bem e o mal... era o querer mais.
A energia feminina tem suas particularidades, assim como a masculina tem as dela. E, não é à toa, que existem entidades que se especializam nessa área de atuação: os nossos desejos. Não restrinja a palavra “desejo” ao sentido sexual, muito menos às mulheres. Todo ser humano possui suas aspirações: ter uma casa melhor, ter um bom emprego, ganhar mais, ter mais conhecimento, ser mais paciente, ser uma pessoa melhor, ter um relacionamento saudável... poderíamos citar inúmeros exemplos.
A questão é: todos nós apresentamos carências em alguma área da vida, e essas carências nos estimulam a querermos mais. E isso não é errado. Querermos melhorar, ansiarmos por algo que nos dê satisfação não é ruim. Esse sentimento é fundamental para nosso crescimento, quando ele está pautado numa base sólida. Quando dispomos de recursos próprios que não firam o próximo. Por exemplo, posso desejar ter um emprego melhor e buscar meios para que isso aconteça, seja estudando mais, me especializando ou procurando um novo local de trabalho. O que não é certo é querer exatamente o cargo de outrem, de forma que outra pessoa precise perder o dela, para que eu consiga estar lá.
É com esse raciocínio que devemos saudar as pombagiras. Entidades que se manifestam na roupagem feminina e que se ligam ao nosso chacra básico (local onde absorvemos a energia mais terra a terra, que abastece todo nosso corpo, nos dando mais vitalidade).
Quando uma pombagira se manifesta, não é isso o que vemos? Desenvoltura, liberdade de expressão, uma vontade de viver. A gargalhada que se ouve é contagiante e cheia de vida. De desejo! Para viver, e não apenas sobreviver, é imprescindível que tenhamos um objetivo, mesmo que ele seja mutável. Que nos sintamos atraídos por algum projeto, sonho... algo que alimente o espírito, que nos dê vontade de ir além.
Quando desejamos alguma coisa, seja material, sentimental ou até mesmo espiritual, a mente direciona o pensamento para o objetivo cobiçado, e os corpos material e astral trabalham juntos, produzindo energia para plasmar o que ainda é só intenção. Plasmar é dar forma aos sentimentos e pensamentos, como se tornássemos concreto, no mundo espiritual, o que almejamos.
É dessa forma que as damas do terreiro trabalham, abastecendo nosso ponto de força básico para que essa energia se transforme em desejo, e essa vontade ganhe força astral e possa se concretizar. Por isso, se vincula tanto o trabalho das entidades de esquerda com a energia sexual. O chacra básico é muito sensível aos estímulos, portanto, vai de nós, médiuns, sabermos direcionar essa fonte energética para os nossos objetivos de uma forma saudável e produtiva.
A sensualidade que essas entidades transmitem e as gargalhadas que contagiam são a forma mais pura de estimular e demonstrar o quanto se faz necessário que a gente se sinta dono de si, com vontade de viver e capaz de conquistar aspirações. Cobiçar pode ser um pecado quando não se tem escrúpulos, mas, quando existe o respeito próprio e com o próximo, o universo conspira a nosso favor.
Ter o que se deseja está relacionado aos nossos méritos, e manter o que se ganhou, à forma como trilhamos o caminho para chegarmos até ali. Por isso, dizem: “Cuidado com o que se pede. Você pode conseguir”. Assumirmos as consequências dos nossos atos é um processo, às vezes, doloroso, no qual os espíritos protetores nos acompanham de perto.
Assim como exu, pombagira atua como guardiã e executora da lei. Ela pode auxiliar na conquista do que buscamos, mas também vai cobrar pela retidão das nossas atitudes para alcançarmos o objetivo. Saber ter limites e dosar o que queremos, diferenciar se aquilo nos faz bem ou mal fazem parte do nosso processo de autoconhecimento.
Comer do fruto proibido é ir contra o aviso daquele que nos guarda, mas é algo que trará conhecimento futuro pela experiência vivida e da qual não se pode anular as consequências. Não é porque as pombagiras são entidades de luz, que vão evitar que colhamos o mal que, porventura, tivermos semeado em nosso caminho.
Laroyê, Pombagira.
Exu é a corruptela dos vocábulos yorubás Pambu Njila, embora foneticamente tenham derivado para a correspondente feminina de Exu - Pombagira. O Orixá Exu é o executor da lei, mensageiro dos demais orixás, especialmente de Ogum. Proveniente da mitologia das religiões africanas, o Exu cultuado na Umbanda Sagrada apresenta importantes diferenças com relação ao seu homônimo original. Todavia, o objeto deste estudo é apenas o papel de Exu na Umbanda.
O Caboclo Sete Encruzilhadas apresentou a Umbanda ao mundo no dia 15 de novembro de 1908, na sede da Federação Espírita de Niterói, ocasião em que tanto ele quanto o preto-velho pai Antônio se comunicaram por intermédio de Zélio Fernandino de Moraes. No dia seguinte, na casa de Zélio, fundaram o primeiro terreiro de Umbanda: a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Foi nesse momentoque Pai Antônio solicitou a sua cachimba, inaugurando o uso de elementos magísticos na Umbanda.
A partir daí, os trabalhos transcorreram normalmente até o ano de 1913. Então, o Caboclo apresentou um novo membro: o Orixá Mallet (pronuncia-se Malê), cujo nome significa “muçulmano”. Foi explicado que o papel do Sr. Mallet seria o de combater a magia negra, bastante comum e perniciosa naquela época.
Incorporando pela mediunidade de Zélio Fernandino e trabalhando intensamente na irradiação de Ogum, o Sr. Mallet trouxe consigo outros Orixás e estabeleceu um embate direto contra médiuns e espíritos praticantes da magia negra, libertando tanto suas vítimas encarnadas e desencarnadas quanto seus algozes.
Algum tempo depois (foi-me impossível estabelecer a data), o Orixá Mallet trouxe um novo personagem, o Exu Marabarô, que se tornou a primeira entidade de esquerda a se comunicar na Umbanda. A médium escolhida foi uma das filhas de Zélio, a qual passou a incorporá-lo a partir daí. Com o tempo, Sr. Marabarô trouxe outros exus da Europa, África, Ásia e Oriente Médio, bem como libertou vários espíritos das garras dos quiumbas. Todos que aceitavam - vítimas e algozes -, eram “exunizados” e incorporados às forças comandadas pelo Caboclo, desenvolvendo grandes falanges, de acordo com as características dos novos iniciados.
As atividades se intensificaram, novas tendas foram abertas e Orixá Mallet instituiu o ponto riscado, a sessão de descarrego e o sarapatel, oferenda aos Orixás. Pai Antônio orientou a confecção da primeira guia e a maneira correta da aplicação do amaci. O exu Marabarô compôs suas falanges dentro das linhas da Umbanda e as sete tendas foram consolidadas. Algum tempo depois, o Orixá Mallet suspendeu as comunicações por intermédio de Zélio, devido ao enorme desgaste energético que a incorporação provocava no organismo do médium. Mas o Exu Marabarô continuou a trabalhar com a filha de Zélio, desenvolvendo um labor de grande valor, conduzindo as sessões de descarrego, libertando muitos encarnados das obsessões e incorporando obsessores e quiumbas às suas falanges, oferecendo-lhes oportunidade de redenção nas hostes da Umbanda Sagrada, sob a bandeira do cordeiro de Deus.
Percebem-se semelhanças entre a criação da Tenda Nossa Senhora da Piedade e a criação do Terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio. Quando encarnados, os exus Mangueira e Meia-Noite foram boêmios no Rio de Janeiro e muito amigos. Depois do desencarne, foram resgatados das regiões de sofrimento pelo Senhor Sete Porteiras. “Exunizados”, hoje são baluartes do terreiro.
Com o passar do tempo, o Sr. Marabarô assumiu grande importância junto ao Sr. Ogum e, sob as ordens do Caboclo das Sete Encruzilhadas, desenvolveu grande parte das atividades que os demais exus assumem nos terreiros de Umbanda. No ACVE, segundo a nossa apostila, essas são algumas marcas dos exus:
Cores: vermelha e preta
Bebidas: marafo (cachaça)
Dia da Semana: segunda-feira
Sincretizado: Santo Antônio (treze de junho)
Objetivo: evolução
Apesar da grande importância para as atividades mediúnicas, é preciso muita atenção das entidades dirigentes e vigilância dos médiuns, para evitar que quiumbas se passem por exus ou outros espíritos do bem.
A polaridade feminina de exu é a pombagira1. Trabalha bem as emoções das pessoas, equilibrando-as e protegendo seus médiuns. Além disso, tem igual responsabilidade e papel dos exus, no terreiro e junto aos frequentadores. Os médiuns precisam ficar atentos, para evitar que as pessoas não confundam os trejeitos e gargalhadas das pombagiras com vulgaridades e segundas intenções.
Hoje, a entidade Exu é respeitada a tal ponto que todas as atividades importantes da Umbanda são sempre iniciadas com saudação e fortalecimento das firmezas de Exu.
1Nota da Editora: no ACVE, acendemos vela nas cores vermelha e preta para os Exus e, para Pombagira, a vela toda vermelha.
“Exu é assim, assim ele é;
Ele pode não ser anjo,
Mas diabo ele não é”
Esse trecho de um ponto cantado nos mostra que Exu e Pombagira são por vezes incompreendidos, muitas vezes temidos, tantas amados, mas sempre honestos, alegres, felizes, diretos no que têm a nos dizer, e incansáveis combatentes da maldade que o próprio homem alimenta no mundo.
Esses incansáveis trabalhadores da seara do bem, guardiões dos caminhos, executores da Lei Divina e emissários entre os homens e os Orixás, atuam em todos os planos buscando equilibrar as energias do universo. Assim, eles não são demônios nem seres trevosos, são espíritos que desceram para níveis vibratórios mais densos, por motivos que desconhecemos, devido a excessos praticados quando na matéria. Hoje, reparam seus erros passados atuando de forma positiva como Exus ou Pombagiras. Ao retornarem ao caminho da Lei, obtiveram permissão para se assentar à Esquerda dos Orixás e realizar seu trabalho auxiliando nossa evolução.
Entretanto, esses espíritos, enquanto agentes da Lei Divina que trabalham buscando o equilíbrio, não poupam o homem de enfrentar as questões que ele mesmo criou ao longo dos séculos. Ao contrário, eles atuam no cumprimento da lei e sua atuação está circunscrita ao livre-arbítrio dos seres e comunidades, a não ser que, no exercício da liberdade individual, os seres ponham em risco o grande plano divino de evolução para os povos do planeta. Nesse caso, os Exus e as Pombagiras assumem o papel de instrumentos da lei de causa e efeito, impondo um limite àquilo que poderia gerar um desvio mais evidente e profundo no planejamento geral.
Portanto, entendamos que Exus e Pombagiras são trabalhadores valorosos da espiritualidade, que permanecem atuando no cumprimento de suas tarefas, indiferentes aos preconceitos existentes sobre eles. Muitos deles/delas já conquistaram seus graus na luz, porém, por opção, continuam atuando nas faixas vibratórias mais densas por acreditarem que ali, de onde bem conhecem o funcionamento, servem melhor ao Criador, resgatando os que com elas têm ligações espirituais.
Laroiê, Exu!
Exu é Mojubá
Você está com problemas pessoais e familiares? Saiba que é um privilegiado! Sim. Não existe formato ideal, seja como for a sua família, você tem uma. Eu por exemplo, não conheci os meus pais biológicos. Nasci com fome e saudade, uma urgência indescritível depois de meses em um ventre ansioso, cheio de problemas, imagino, que acabou por me oferecer à rua, primeiro espaço que me acolheu. Uma das primeiras lições aprendidas foi: não é fácil nascer menina, mas acima de tudo, nascer fêmea é um privilégio! Não sei se era dia ou noite, mas o Exu guardião estava lá. Sobrevivi! Ele esteve comigo nas ruas, me protegeu nas calçadas, até que eu pudesse encontrar um lar. Seu Exu estendeu a sua capa preta, me envolveu, me levou ao colo de uma mãe e de um pai, a melhor das famílias para mim, aquela que foi escolhida. Lamentavelmente, mamãe faleceu quando eu estava prestes a completar 7 anos. Papai seguiu comigo, tive a honra de ser criada por um homem de bem, com defeitos e virtudes.
Não é fácil crescer sem o carinho de mãe, mas a espiritualidade é sábia, as provas estão aí para fortalecer os encarnados. Uma pombagira também tomou conta das minhas andanças, colocando flores encantadas nos meus cabelos, me ensinando as delicadezas e as durezas de viver em um tempo onde as mulheres ainda não têm voz, vez e lugar. Foi a Umbanda que me ensinou a valorizar a minha pele preta com orgulho da minha ancestralidade, para ser acima de tudo, um ser humano sempre pronto a aprender.
A vida é triste? Sim! É feliz! Também! Tudo passa. Estamos vivos! Conquistamos uma passagem para cá! Muitos gostariam de ter essa chance, refazer as suas estradas com outras escolhas, sentir as nossas dores, ínfimas em comparação com as mazelas daqueles que hoje expiam suas falhas em lugares terríveis.
É importante dar graças a Deus por tudo, abraçar cada oportunidade, ter fé no êxito futuro, não há paraísos na Terra, aqui estamos para seguir em frente. Sei que não é fácil, pois a luz e a sombra habitam em nós, são as contradições humanas. Mas quem disse que seria fácil?
Orientado pelo Pai Maior, Exu tem me ensinado muito, com sua capacidade de apontar as minhas falhas e potencialidades, ele nunca desiste de acreditar no meu livre arbítrio e na possibilidade de recomeçar. Para ele, não há nenhuma dificuldade que um homem de fé não possa enfrentar, sua voz está sempre em meus ouvidos a questionar e motivar a transformação da ordem, sem fazer desordem. Ele é mestre no combate à negatividade, trazendo a luz no fim do túnel.
Exu é guardião, executor da lei, é movimento, é preciso caminhar. Todas as decisões nos aguardam, para o bem e para o mal. Tendo a consciência de que já fomos algozes, jamais estaremos acorrentados aos papéis vitimizadores. Façamos a nossa parte, sejamos amorosos, caridosos e acima de tudo, corajosos, sem pena de nós mesmos. Laroyê!
Médium Cristiane Sobral.
EXU “Salve o povo da encruza, sem Exu não se faz nada”
Médium Rafael de ÁvilaA palavra Exu, vinda do Iorubá Èșù, em tradução livre, significa esfera. Esfera, pois Exu é quem traz as mensagens dos orixás e também quem as leva até eles, sendo um mensageiro verdadeiro e fiel. Muitas vezes incompreendido e mal visto, por sua atuação enérgica e descontraída, muitos desconfiam de Exu e não conhecem sua real importância. Como mensageiro dos orixás e guardião, Exu é elemento fundamental e indispensável para todo e qualquer trabalho magístico.
Exu completa ciclos levando as atitudes às divindades e retornando com a aplicação da Lei, por isso a origem do nome ser esfera, em consonância com a lei da ação e reação. Exu age como guardião da Lei, executando as Leis Divinas “doa a quem doer”. Por conta desta atuação destemida, vigorosa e irredutível, é mal compreendido, sendo confundido até mesmo com a figura do Diabo.
Ao contrário do que muitos falam, Exu não é diabo, não é entidade zombeteira, sofredora, que procura o caos, a discórdia e a desunião. Muito pelo contrário, como guardião, zela pelos locais e seres que precisam de ordem, estabilidade e luz. Como Executor de Lei, age na Lei de Ação e Reação, na Lei do Carma e nas Leis de Justiça e nada tem a temer, pois jamais, em nenhuma hipótese, age contra a Lei divina. Logo, Exu não se posiciona como positivo ou negativo, apenas executa a ordem, fazendo com que a Justiça Divida seja cumprida em sua totalidade. Isto não quer dizer que Exu não tem discernimento ou sabedoria, não quer dizer que Exu é manipulado ou que atua em troca de “pagamento, realizado por meio de entregas e trabalhos. É justamente o contrário. Esses espíritos de enorme sabedoria, potencial e boa vontade sabem exatamente o que devem fazer para que as Leis Divinas se façam presentes e a Lei do Carma seja aplicada, mantendo um equilíbrio cósmico. Por isso, Exu pode ser seu melhor presente ou seu pior desencontro, pois atua independente das vontades das pessoas. Dessa forma, se sua conduta for correta, Exu irá lhe ajudar. Caso sua conduta esteja em desacordo com as Leis Divinas, Exu irá atuar para conduzir-lhe ao equilíbrio e à correta execução das Leis de Deus. Por esse motivo, há tantas dúvidas em torno da atuação de Exu.
Sabendo que Exu não é um agente do mal, mas sim um grande guerreiro, guardião e executor das Leis Divinas, fica mais fácil entender a sua importância e necessidade nos trabalhos magísticos. Todo trabalho ritualístico deve ser iniciado com a força de Exu, solicitando a proteção, a guarda necessária e o sustento para aquele trabalho. A presença de Exu traz a segurança para o trabalho. São eles que garantem o bom funcionamento e transcorrer dos trabalhos no terreiro, permitindo a entrada no templo somente dos que estão em condições de receber o tratamento, atraindo o que se deve atrair e repelindo aquilo que deve ser repelido.
Quando se fala em Exu, entende-se como exu macho e exu fêmea, sendo os exus fêmeas também conhecidos como Pombagiras. Por terem tido a última vida terrena há menos tempo que outras linhas da Umbanda, por vezes são confundidos com espíritos atrasados, porém, Exus são grandes mestres, conhecedores profundos de magias e mistérios. Como tem facilidade para atuar na vida material, auxiliam os seus protegidos sem medir esforços. Os Exus machos tendem a auxiliar mais na área material, financeira, enquanto os Exus fêmea tendem a auxiliar mais diretamente na área sentimental, amorosa.
Note que, por ser um cumpridor de Lei, independente da área que o Exu esteja atuando, ele sempre estará em busca de equilibrar as Leis divinas, de cercear os vícios e os desequilíbrios, agindo com rigidez para equilibrar a Lei do Carma. No Ação Cristã Vovô Elvírio, os Exus machos usam charutos e os Exus fêmea utilizam cigarrilhas. Nas entregas são utilizados marafo e champagne, e as guias são das cores preta e vermelha para exu macho e vermelha para exu fêmea.
Médium Rafael de Ávila.
Exú foi e ainda tem sido o grande mistério e talvez a maior contestação de todos os tempos na nossa Umbanda Sagrada. Durante muitos anos, Exú foi comparado à figura do diabo e mistificado através das imagens de barro como possuidor de características perispirituais com rabos, chifres e pés-de-cabra. Mas porque uma entidade tão cultuada na Umbanda – e talvez a mais semelhante a nós homens encarnados pelas suas emoções e sentimentos – se apresentaria de forma tão monstruosa? Por que espíritos errantes como nós e comprometidos com a evolução moral e intelectual das suas próprias almas estariam tão subjugados a estes tipos de comparação?
Exú sempre fora visto como o filho rebelde de Yemanjá, já que, de acordo com a lenda, quando desejou povoar a Terra, Oxalá mandou que Exú viesse com essa missão. Desrespeitando a ordem do grande Pai, ele veio para a Terra, porém, em vez de povoar, Exú se rebela e começa a devorar tudo que já existia no planeta, só sendo contido quando seu irmão Ogum, com a primeira espada dada por Oxalá, consegue detê-lo. Essa seria talvez a primeira comparação feita com a imagem de Exú análoga à figura do demônio.
Na época da colonização brasileira, os cultos africanos se apresentavam como as práticas mais oponentes às crenças europeias, sendo tachados como feitiçaria pelos brancos. A solução encontrada por seus seguidores para amenizar a perseguição foi o sincretismo religioso, atribuindo a cada Orixá2 um santo da igreja católica. O culto africano aos “Deuses da Natureza” foi denegrido, então, e associado à adoração do submundo, restando para nossos irmãos Exús mais uma vez o trono do dono das trevas.
Em outro tempo, a Umbanda foi comparada com o Espiritismo codificado por Allan Kardec devido ao fato de alguns mentores espirituais de casas kardecistas se apresentarem como índios (Caboclos) e vovôs (Pretos-Velhos); ou, ainda, pela presença dos sentinelas nos centros, que nada mais são do que os Exús Guardiões com nomes diferentes. Isto só vem reforçar que os planos que trabalham nas duas linhas não se diferem tanto assim no mundo espiritual. A contestação é que a mediunidade explorada pelos Kardecistas utiliza muito mais o campo mental de seus médiuns. Já a Umbanda, por lidar diretamente com as energias da Terra (que são os Orixás), utiliza também muito o físico de seus médiuns. Aí está a grande diferença de “voltagem” entre Kardecismo e Umbandismo; (120 Volts / 220 Volts - as duas energias desempenham muito bem seu papel, mas cada qual com seu fundamento). Com isso, a Umbanda ganha o título de atrasada, pelos leigos, por entrar em sintonia com aquilo que vivemos na matéria e utilizar instrumentais da natureza – como o fumo de folhas secas, o éter e o fogo – para reaproximar o homem de suas raízes e aproximá-lo do habitat natural dos Orixás, onde espíritos encarregados trabalham pela ordem no plano espiritual e físico, atribuindo a Exú o título de atrasado e não de “organizador”.
Além disso, Exú com suas gargalhadas e com suas falanges de charuto e copo na mão, mais uma vez é apontado como ser das trevas que vem na Terra pelas vicissitudes de outrora, de suas reencarnações passadas, para comer, beber e fumar, e não pela oportunidade de ajudar, prestar a caridade ou combater o mal. Os Exús querem, perante a justiça Divina, a conveniência de recuperar suas faltas do passado no caminho da senda da evolução divina como filho de DEUS.
Essas entidades fazem dentro da Umbanda o trabalho mais árduo, já que são os guardiões dos templos e os “policiais” do umbral. São eles que fazem a negociação na porta do astral inferior para os outros planos superiores e para a Terra – quem vai e quem fica. Nenhum irmão entra ou sai do umbral sem passar pela ordem do Sr. Exú. E ai de quem desobedecer a esse irmão que não conhece e não admite a impunidade, pois experimentou “na própria pele” a força da lei que não castiga, mas que, se não consegue combater o erro pelo amor, deixa que os homens experimentem a dor para deter seus próprios impulsos na vereda do caminho do mal.
Exú pode utilizar formas perispirituais mais pesadas no astral para acovardar os maus e fazer respeitar-se pelos rebelados, que não conseguem ver e nem conhecem a figura angelical de bons espíritos. O mesmo podemos compreender a respeito de armas como o tridente, usado para repreender seus fugitivos, que, na concepção Umbandista, não é o garfo do diabo, e sim o homem de braços abertos adorando o Céu, ou ainda os três ou sete caminhos da evolução. De novo, então, Exú é comparado ao espírito soturno por vir à crosta terrestre levando esses irmãos rebelados às reuniões espíritas de desobsessão, sendo por isso confundido com falangeiros do mal: por se mostrar aos médiuns clarividentes com uma forma perispiritual desagradável.
Talvez ainda seja um pouco cedo para que a nossa consciência limitada e imperfeita conheça verdadeiramente os fundamentos espirituais e o que representam os Exús. O que hoje tentamos, como Umbandistas conscientes, é salvar a nossa crença não com justificativas aleatórias, e sim de acordo com os fundamentos embasados nos estudos espirituais e nas orientações dos nossos irmãos da Luz. Eles deixam claro que o mais importante é o comprometimento dos seres com as Leis Divinas e não será aparência que têm. Não confundamos, assim, ou comparemos os Exús com os Kiumbas da Quimbanda3, que fazem o mal ao próximo por alguma recompensa se valendo, por vezes, dos nomes de nossos irmãos Exús. Irmãos encarnados com personalidades maldosas atraem os espíritos maus, enquanto os filhos engajados no bem atraem espíritos benfeitores. Portanto, procuremos distingui-los pelas suas atitudes e não por seus nomes ou aparências. O que não podemos admitir é que Exú ainda continue sendo visto como o mal, já que diversas vezes esse irmão mostrou-se o contrário nos verdadeiros Templos Umbandistas em busca do amor ao próximo e prestando a caridade.
Exú é hoje muito mais respeitado do que ontem e amanhã será muito mais. Tudo em DEUS é evolução e progresso constante, para quem quer realmente desfrutar da verdadeira vida prometida há mais de 2000 anos por Jesus. Exú, como nós, já deixou o pretérito a fim de viver o futuro e não ser mais visto como o ser antagônico ao Criador.
COBALAROIÊ EXÚ MOJUBÁ! LAROIÊ EXÚ!
Glauco Grosso Moraes
Médium há 17 anos no TEMPLO UMBANDISTA LUZ DO ORIENTE
Juiz de Fora – MG
NOTA GERAL: Todas as informações e reflexões constantes neste texto devem ser compreendidas também em relação às Pombagiras, que são o Exus femininos.
1 Arcano: que ou o que é profundamente secreto, misterioso, enigmático.
2 Energias da Natureza; Tronos Divinos de Deus que regem a Natureza.
3 Espíritos das trevas.
“Ele pode não ser santo, mas diabo ele não é!”
Diabo, mulher da rua, entidades atrasadas, espíritos inferiores que fazem tudo o que lhes for pedido. Essas e outras tantas denominações similares são usadas pelos que desconhecem o que realmente representam os nossos queridos e veneráveis Exus e Pombagiras de Umbanda.
Eles são espíritos que se dispuseram a usar uma roupagem que, muitas vezes, assusta ou diverte quem tem a permissão de vê-los. Foram interpretados anos atrás por praticantes de outras crenças como sendo a personificação do mal. Afinal, na época da colonização do Brasil, era necessário que se denegrisse o culto afro na tentativa de catequizar os negros e, assim, torná-los povos fáceis de serem dominados ideologicamente. Essa é uma visão errônea que até hoje se tenta desmitificar.
Conhecidos como a linha de trabalho espiritual que está à esquerda da cruz, Exus e Pombagiras, ao contrário do que se pensa, são espíritos muitos antigos e de alta elevação espiritual, que aceitaram a missão de lidar com os assuntos terra-terra, de cunho mais material, por isso usam um linguajar mais cotidiano e informal, eles escolheram fazer a proteção de lugares, pessoas e dos trabalhos mediúnicos. Trabalham em esferas astrais densas, resgatando os espíritos que precisam de socorro e evitando o caos nos mundos umbralinos, o que resulta numa maneira de conversar mais direta e que muitas vezes nos desperta algum sentimento que precisamos melhorar.
Pensando nos locais em que eles atuam e no tipo de trabalho que executam, torna-se compreensível a roupagem que assumem para cumprir os desígnios da Lei. Sim, os exus machos e fêmeas recebem ordens dos planos superiores e as obedecem à risca. Isso nos diz que exu não executa o mal, mas sim as Leis Divinas. Ele é executor de Lei e neutro, imparcial, e, mesmo sendo um espírito com a função de proteger, ele jamais vai evitar que os obstáculos de nossa vida aconteçam, pois isso seria infringir as Leis de Deus e atrasar nossa evolução.
Por lidarem tão de perto com energias densas, eles são mestres na arte de desfazer as demandas e a magia negra. Seus trejeitos, as risadas, o vocabulário diferenciado, as danças, o marafo (cachaça) e a champanhe, entre outros, são elementos que eles manipulam para deixar a energia do ambiente ou do consulente mais leve.
Agora eles não parecem mais tão assustadores assim, não é? Então, desconstrua a denegrida imagem dos exus e Pombagiras e abra seu coração para os mistérios divinos que esses amigos espirituais podem te oferecer. Laroyê!