Umbanda (45)
É comum que associações religiosas como igrejas, templos, centros e terreiros promovam festas com o intuito de angariar fundos para um fim específico. Podemos citar alguns exemplos bem conhecidos no Brasil, como festas juninas, bazares e almoços beneficentes. A festa junina, especificamente, é a celebração em homenagem aos santos católicos Santo Antônio, São João e São Pedro. Durante as celebrações das festas juninas, pessoas em todos os cantos do Brasil divertem-se, mas além disso, principalmente, elas oram e fazem seus pedidos de graças a serem conquistadas aos Santos que estão sendo celebrados.
E no Ação Cristão Vovô Elvírio? Quais são os propósitos de nossas comemorações? Em nosso terreiro, temos as giras comemorativas que celebram os orixás e as linhas auxiliares; temos também as festas que acontecem fora da sede do terreiro, como a festa baiana e a festa cigana, por exemplo, e são realizadas por motivos muito importantes. Um desses motivos é a integração de todos os componentes de nosso terreiro, que não é feito só pelos médiuns da corrente, mas por suas famílias que os apóiam, e também pela consulência. Não há melhor oportunidade de estreitar os laços como em um ambiente descontraído de uma comemoração. Outro motivo que pode ser citado é o caráter filantrópico. Nossa casa gera muitas despesas e, para que essas despesas possam ser pagas, é necessária uma renda alta, que é provida pelas contribuições de todos. Essas festas propiciam arrecadar fundos importantes tanto para o acerto de contas quanto para a construção de futuras instalações e acabamentos de nossa casa.
É válido lembrar que, para que as festas aconteçam, há uma mobilização enorme de todos em nosso terreiro para que tudo esteja pronto e perfeito. Grupos de voluntários revezam-se para fazer doações, preparar a comida e arrumar o ambiente para que tudo esteja maravilhoso no dia do evento. Tudo é feito com muito amor e carinho, e também muita reza. O local onde a festa será realizada é preparado espiritualmente por uma equipe de médiuns, os voluntários que ajudam na montagem do evento fazem orações e firmezas no local para que o ambiente esteja preparado energeticamente para receber os convidados, uma equipe espiritual de guardiões e outros espíritos de luz está presente antes, durante e depois do evento. Durante o evento, as músicas que são tocadas convidam uma energia específica e a comida servida também. Em todas as nossas festas, em um dado momento, o Pai de Santo convida todos a participarem de uma ritualística, que é um ensinamento e uma benção àqueles que tem a oportunidade de participar e observar com os olhos espirituais.
E agora, o que você acha? Festa ou ritualística? Ou ambos?
Nossas festas são ótimas oportunidades de celebrarmos juntos o nosso trabalho na seara de Oxalá e criarmos laços fortes e duradouros entre os irmãos, além de ser uma oportunidade única de pedir por graças, agradecer por bênçãos e beber de todo o axé derramado por meio da alegria e do amor ofertado pelas entidades de luz que nos assistem e também por todos que fazem os eventos acontecerem com tanta dedicação e carinho.
A Sala de Tratamento Físico-Espiritual Nanã Buruquê é uma sala do Terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio, destinada ao tratamento espiritual para os males físicos, ou seja, para as doenças psicossomáticas (patologias de origem astral – sentimental, mental, psicológica – se tornam tão densas que se manifestam no corpo físico). O orixá regente da sala é Nanã Buruquê, energia divina responsável pela transmutação das desordens espirituais e, como consequência, de doenças do corpo físico. Doenças reumáticas, ortopédicas, cardíacas, de pele, etc, também são tratadas nesta sala.
O consulente com queixas e sintomas físicos recebe ajuda da espiritualidade através de passe magnético. A terapia é realizada no perispírito e demais corpos sutis para a melhora da saúde.
A terapia físico-espiritual é realizada no perispírito, uma vez que os problemas de saúde que afetam o corpo físico têm o seu princípio no acúmulo energético impregnado neste envoltório semimaterial. Sendo assim, as entidades que realizam os atendimentos muitas vezes são médicos do astral que, por meio do grupo mediúnico, utilizam o ectoplasma e atingem o organismo debilitado através do passe magnético e, também, da cirurgia espiritual.
Médiuns videntes relatam que, em alguns casos, são utilizadas medicações e transfusões energéticas para auxiliar no tratamento. A água fluidificada é um exemplo, já que fluidos medicamentosos são acrescentados a ela. Outros exemplos de medicamentos do plano astral são a pomada do Vovô Pedro e a lama de Nanã.
Por fim, é importante frisar que a terapia espiritual não substitui a ação dos profissionais de saúde com formação acadêmica. O tratamento médico terreno é indispensável. É sensato buscar a união de tratamentos para alcançar a verdadeira cura. Toda melhora só é completa se abranger todos os aspectos da vida: físico, mental e espiritual; a fé e a reforma íntima são ótimos aliados para o sucesso terapêutico. Afinal, esses males físicos são formas de depuração do espírito. O corpo sofre para que o espírito se liberte das suas imperfeições.
A cromoterapia pode ser definida como o tratamento que, por intermédio das cores, estabelece o equilíbrio e a harmonia entre corpo, mente e emoções. Cada cor tem sua função terapêutica específica e atua em um chacra ou em um órgão do corpo. As cores impactam fortemente nessas áreas, restabelecendo ou energizando tudo que está bloqueado ou em desequilíbrio. O método é baseado nas sete cores do arco-íris. Cada uma possui uma vibração energética diferente, à medida que se propaga em algum ambiente.
Significado das cores
Vermelho - intensa e estimulante, é indicada para afastar a depressão e o desânimo. É a cor das paixões, conquistas e sexualidade. Cuidado ao aplicá-la no quarto, pois pode tirar o sono, deixando a pessoa agitada.
Amarelo - muito viva, age sobre a mente, ajudando a raciocinar e mandar para longe os pensamentos obsessivos. É a cor da inteligência, do estudo e da criatividade;
Laranja - é restauradora, regeneradora e ajuda na recuperação emocional. É a cor da coragem, da reconstrução e da melhora;
Verde - é calmante e traz equilíbrio. O verde tem a capacidade de melhorar qualquer condição física negativa e energiza o corpo e a alma. É a única cor que não possui nenhuma contraindicação;
Azul - traz paciência, serenidade, bem como ajuda a tranquilizar o corpo e a mente. É indicada nos casos de insônia e estresse, pois ajuda a melhorar a qualidade do sono;
Índigo - ajuda a equilibrar as energias e trabalha a intuição, além de contribuir para a limpeza e purificação de ambientes;
Violeta ou lilás - é uma cor muito espiritual e mística, ajuda quem está desequilibrado emocionalmente e descrente. Quando usada em casa, ela limpa e isola os ambientes da má vibração;
Rosa - traz afeto, amor e união. Ajuda particularmente no equilíbrio dos relacionamentos pessoais e profissionais.
A Cromoterapia no ACVE
Os médiuns designados para o atendimento na Sala de Cromoterapia são os responsáveis por todo trabalho lá realizado, por isso, alguns chegam mais cedo para organização do espaço tanto físico como espiritual. A sala conta com uma equipe de coordenação dos trabalhos formada pelos irmãos: Eliana Pinheiro, Rosângela Cruz e Edilson Marques.
O atendimento é realizado da seguinte forma: os médiuns recebem as orientações dos pretos-velhos (ou outra entidade que fez o atendimento no dia) por escrito e executam as recomendações, geralmente por meio da imposição de mãos para aplicar a cor recomendada, massagem, aplicação de Reiki, alinhamento e energização de chacras, entre outros. Todo o trabalho é guiado pelos espíritos e pode haver incorporação. A regra da casa é que caboclos, pretos-velhos, erês, ciganos e a linha do oriente podem trabalhar na sala. Na gira de esquerda, geralmente é permitido atender com as entidades que trabalham nesta linha. Após o atendimento, mãos e macas são higienizados com um composto feito de ervas e álcool, que carinhosamente chamamos de “cheiroso”. Além das cores usadas na cromoterapia tradicional, usamos também a branca, dourada e arco-íris.
Uma prática bastante usada na sala é aplicação de Reiki, que é uma técnica de cura oriental que se caracteriza pela transmissão de energia através das mãos. Favorece a restauração da saúde, a reposição energética e a harmonização interior.
A energização e alinhamento dos chacras também é outra prática bastante frequente na Sala de Cromoterapia, por isso os médiuns que lá trabalham devem estudar e ter conhecimento do significado das cores, da localização, função e cores dos chacras, para que o trabalho, mesmo sendo orientado pelas entidades, seja eficaz.
A sala se chama Sala de Cromoterapia Irmã Scheilla, pois quando estava montando esse espaço, ainda no Jardim Ingá, nosso dirigente, Pai Pedro, viu essa entidade trabalhando na sala. Irmã Scheilla foi uma nobre francesa, católica, fundadora da Ordem da Visitação de irmãs católicas. Foi canonizada em 1767 como Santa Joana de Chantal. Sua última encarnação foi como enfermeira na Alemanha, na Primeira Guerra Mundial. Alguns autores afirmam ter sido na Segunda Guerra. Hoje, tem-se conhecimento de que ela atua na Colônia Espiritual Morada Nova, trabalhando à frente de quatorze equipes de tratamento aos desencarnados e está sempre sendo vista na Sala de Cromoterapia por médiuns videntes, auxiliando nos trabalhos lá realizados.
A energia da sala é bastante sutil, o silêncio, as preces e a meditação são imprescindíveis para que o trabalho aconteça da melhor maneira possível, pois além de ser uma sala de tratamento espiritual, também funciona como um ponto de sustentação para todo o terreiro.
Por fim, o mais importante: na sala reina o AMOR, pois, sem ele, nenhum trabalho aconteceria. Cada médium trabalha emanando amor como base para a caridade e a cura, guiados pelas entidades de luz, para que todos, de acordo com o merecimento que possuem, saiam muito melhor do que entraram.
Sigamos em frente em busca da nossa eterna evolução, sempre iluminados e guiados por Deus. Esse é o intuito de todos os médiuns da Cromoterapia, assim como de todos os demais do Ação Cristã Vovô Elvírio.
Existe uma força brilhante que opera em todas as leis do universo, sem a qual nada, na existência humana, teria sentido: o amor. Como já dizia o conceituado cientista Albert Einstein, “o amor é gravidade, porque faz com que as pessoas sintam-se atraídas umas pelas outras”. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, Fénelon (1861) descreve no Evangelho Segundo o Espiritismo que o amor é essência divina, está presente em tudo e em todos. Desde o mais elevado até o mais vil dos seres possui, em sua essência, a centelha do puro amor. Fénelon (1861) ainda chama a atenção para o fato de que mesmo o mais criminoso dos homens tem afeição por algo ou alguém, seja pelo dinheiro, pela família ou, por exemplo, pelos companheiros de crime. Tal afeição, se bem trabalhada, transforma-se em amor e é por essa via que as pessoas evoluem.
Sendo o amor uma energia de tamanha magnitude, falemos de uma face desse amor, aquele amor que vem das águas. Na Umbanda cultuamos os Orixás (energias universais co-criadoras do universo) e, como já elucidado em outras edições desse jornal, há tantos Orixás quanto a quantidade de matéria existente no Universo. Os Orixás são basicamente frequências energéticas que deram origem a tudo. Cachoeiras, mares e pântanos possuem frequências energéticas específicas às quais damos o nome de Oxum, Yemanjá e Nanã, respectivamente. Esses três orixás regem as águas.
Oxum rege as águas doces, seu ponto de força na natureza são as cachoeiras. Esse orixá rege o Amor Próprio. Não é à toa que Oxum carrega um espelho em suas mãos, afinal, em seu reflexo, Oxum vê toda a sua beleza, consequentemente, vê todo o universo refletido em si: à imagem e semelhança de Deus. Muitos confundem a energia do Amor Próprio de Oxum com vaidade. Oxum não representa vaidade, Oxum representa graciosidade. Vaidade remete à gente egocêntrica, narcisista. Oxum não é assim, pelo contrário, Oxum vibra na frequência da gentileza, elegância e compaixão. Oxum cria empatia por todos os seres que compartilham suas vidas com ela. Sofre com o sofrimento alheio, pois vê no outro o reflexo de si mesma, daí vem a sua fama de “Mamãe”, pois uma de suas maiores virtudes é a compaixão por seus filhos. É por meio de seu grande amor por si mesma que Oxum tem forças para amar ao seu próximo. Como já diz o maior mandamento deixado por nosso Senhor Jesus: ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Como você amará ao seu próximo se não tiver amor por si próprio?
Vamos ao segundo Orixá, Yemanjá. Yemanjá rege as águas salgadas, seu ponto de força na natureza é o mar. Esse Orixá fala sobre o Amor Livre, desapegado. Não é à toa que a imagem que representa Yemanjá aparece com os braços estendidos e com as mãos abertas. Yemanjá não tem apegos, sabe que o amor deve ser cultivado com liberdade. Vemos muitos conflitos desse tipo de amor nos casais de enamorados, pois, quando se fala em relacionamentos, deparamo-nos com duas manifestações totalmente diferentes de sentimentos e que acabamos encarando como um só: o amor e o apego. Yemanjá é quem nos ensina a diferenciá-los. A monja tibetana Tenzin Palmo caracteriza esses dois tipos de sentimentos (amor e apego) como “amor genuíno” e “amor romântico”. Para ela, o amor romântico é aquele que diz: “eu te amo e, por isso, quero que VOCÊ ME FAÇA feliz”. Já o amor genuíno é aquele que diz: “eu te amo e, por isso, quero que VOCÊ SEJA feliz, mesmo que isso não me inclua”. Percebe a diferença? Enquanto um tipo de sentimento cria laços de posse e controle, o outro cria vínculos de emancipação e liberdade. Yemanja é livre, é amor genuíno. Ama de forma tão sublime que, se preciso, sacrifica-se por seus filhos. Maria, mãe de Jesus, é sincretizada com Yemanjá. Amou Jesus de forma tão grandiosa que o deixou livre para seguir seu caminho como missionário do Pai Maior, mesmo sabendo de todo o sofrimento que essa escolha acarretaria. Jesus, quando morto na cruz, recebeu as lágrimas de Maria e o afago de seu manto. Maria, mesmo amando seu filho incondicionalmente, deixou-o livre para se manifestar como quisesse. Maria, regida pela força de Yemanjá, tinha maturidade para perceber que todo aquele que vive debaixo do sol não pertence a ninguém. Somos filhos do mundo.
Por fim, falemos de Nanã. Confesso que, até a noite de ontem, Nanã era um mistério para mim. Eu nunca entendi muito bem as virtudes encontradas em Nanã. Meu conhecimento, até então, era de que Nanã é o orixá mais velho das águas e, por isso, a mais sábia. Além disso, do pouco conhecimento que eu tinha, também sabia que Nanã representa as águas barrosas e seu ponto de força na natureza são os pântanos. Mas ontem, ao decidir que escreveria esse texto, passei um tempo meditando sobre Nanã e a ficha caiu. Desculpem-me todos os estudiosos da Umbanda, caso eu esteja falando bobagem, mas, a meu ver, Nanã não representa as águas barrosas em si, na verdade, ela representa as águas salobras. As águas salobras são águas que não são nem tão salgadas, nem tão doces. Logo, Nanã é o meio termo e isso significa que ela está entre Oxum e Yemanjá. BINGO! Na hora em que fui inspirado a ter esse raciocínio, tudo fez sentindo para mim. Como eu já disse, Nanã é conhecida por sua sabedoria e, por isso, é representada por uma imagem de uma velha anciã, pois os mais velhos possuem mais experiência e amadurecimento. Ok! Até aí tudo entendido, mas veio o primeiro questionamento da noite: “por que Nanã representa a sabedoria?” Foi aí que tudo se tornou muito lógico! Nanã fala sobre o Amor Sábio. Aquele que é o equilíbrio entre o Amor Próprio de Oxum e o Amor Livre de Yemanjá. Em tudo é necessário equilíbrio. É daí que vem a sabedoria de Nanã. Uma pessoa que tem Amor Próprio em excesso poderia cair no erro de tornar-se egoísta (Complexo de Narciso). Da mesma forma, uma pessoa que ama com liberdade excessiva, acabaria por se doar por inteiro até consumir-se, anulando-se. Faz sentido para você? Ah! E não para por aí. Depois de chegar a essas conclusões, fiz um segundo questionamento: “ok! Que Nanã é sábia e que representa as águas salobras (águas nem tão salgadas, nem tão doces) eu entendi, mas qual a relação disso com o fato de seu ponto de força na natureza serem os pântanos e águas barrosas?” A partir dessa reflexão, uma inspiração veio à mente: TEM TUDO A VER! As águas salobras são muito recorrentes em estuários. Sabe o que é um estuário? É um ambiente aquático de transição entre um rio e um mar. Essas zonas entremarés são geralmente constituídas de vazas (lama) ou ostreiras e outras zonas cobertas de sapais e pântanos. Percebe como tudo faz sentido agora? Nanã é o abraço das águas! O ponto de encontro entre Oxum e Yemanjá. Nanã representa a maturidade e sabedoria de amar a si mesmo com propriedade e, ao mesmo tempo, dosar esse amor para poder amar ao outro com liberdade. Nanã, a transição das águas.
Não é incrível? ÁGUA! Um elemento tão simples, mas que proporciona tanta reflexão. A água é um dos componentes mais representativos em nosso planeta, cerca de 65% de matéria do nosso corpo é composto de água. Além disso, 70% do planeta é coberto por rios e oceanos. É um elemento tão importante que somos envoltos por ele desde a nossa gestação, no ventre de nossa mãe.
Além do Amor Próprio, Amor Livre e Amor Sábio, a água tem mais a nos ensinar? Sim! A água transmuta várias das qualidades humanas que precisamos desenvolver, veja só.
O ciclo da água ensina sobre a impermanência das coisas. Nada no Universo é estático e muito menos dura para sempre. Precipitação, infiltração, transpiração e evaporação: essa dança de transformação que segue um movimento constante ensina que tudo caminha para a sua própria desconstrução. Isso nos faz lembrar de que não devemos ter apego às coisas ou pessoas, pois tudo é transitório e todo ciclo que tem um início, inevitavelmente, terá um fim.
Os rios ensinam sobre a flexibilidade em lidar com as turbulências do cotidiano. As águas são maleáveis, seguem um fluxo perfeito. Você já viu a água de um rio esperar uma pedra sair de seu caminho para continuar sua correnteza? Não. Isso não ocorre porque a água não entra em conflito com seu oponente, ela contorna os obstáculos e segue, apenas continua seu fluxo. A água nunca “age” contra a correnteza para tirar satisfação com uma pedra que estava em seu caminho. Ela é sábia. Repetindo: ela contorna os obstáculos e segue.
Água não tem forma, não tem padrão, não tem estereótipos que a limite. Se você colocá-la em um copo, será o copo. Se você colocá-la em uma jarra, será jarra. Se você colocá-la no mar, será mar, fundindo-se ao todo.
Vivemos em um mundo de três dimensões. Três é o número de Pai, Filho e Espírito Santo que consagramos todos os dias. Três são os estados físicos da água (líquido, sólido e gasoso). Três são os estados químicos da água (salgada, doce e salobra). Três são as faces do amor que vêm da água (Amor Próprio, Amor Livre, Amor Sábio) e três são os orixás que regem esse elemento.
Que possamos ser mais como a água. Aliás, pensando bem, já somos.
Ora iê iê ô, Oxum, minha mãe de cabeça!
Odoiá, Yemanjá!
Saluba, Nanã!
Texto dedicado a todos os mentores espirituais que me regem e guiam, inspirando-me a escrever. Tenho plena certeza de que minhas mãos são apenas o instrumento do conhecimento impelido pelo Altíssimo. Um salve ao povo de Aruanda, em especial aos caboclos e pretos-velhos. Um salve a todo o povo das águas. Um Salve a Oxalá.
“Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas enfermidades” Hipócrates
A doença é o estado de desequilíbrio do corpo, ela pode ser autoinfligida devido às escolhas inadequadas na alimentação, aos padrões mentais que desequilibram o corpo, à incapacidade de se livrar de sentimentos, emoções ou padrões nocivos, como pode ser causada por questões cármicas, genéticas ou ancestrais.
É importante destacar que a doença não é necessariamente um diagnóstico médico ruim ou o resultado de exames clínicos. A doença diz respeito a como cada indivíduo sente-se perante a vida. Se ele não está feliz e com disposição para realizar suas atividades diárias, então está doente.
Para que haja uma ruptura no estado de doença e a retomada do estado natural de luz e completude, é necessária a alteração dos padrões celulares e energético do corpo. Existem várias técnicas para essa retomada e a autocura é a mais completa dessas técnicas, pois ela parte do olhar consciente individual que percebe quais elementos estão em excesso ou em carência no corpo e, então, os ordena, repara ou elimina.
A autocura é um processo natural, único e individual, que ocorre a partir de dentro, restaurando o equilíbrio dos sistemas e possibilitando o autodiagnóstico e a reparação sem esforço consciente. Um processo ativo, no qual as pessoas assumem a responsabilidade pela sua própria saúde. (Catarucci, 2013)
A autocura é, portanto, a escolha por um caminho consciente e ativo, que busca mudar os padrões comportamentais, energéticos e psíquicos para um estado constante de equilíbrio.
Práticas que auxiliam neste processo: meditação, atividades religiosas, yoga, dança, escalada, massagens, saunas, alimentação saudável, etc.
Referências:
CATARUCCI, Fernanda Martin. Autocura metafisica: revisão integrativa. 2013. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Medicina de Botucatu, 2013. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/98389>.
CARREGA, Douglas de Aquino. Mecânica quântica e sua relação com terapias alternativas. 2012. 1 CD-ROM. Trabalho de conclusão de curso (bacharelado - Física Médica) - Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências de Botucatu, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/118556>.
Em nossa casa, muito já se falou sobre o conceito, as funções e a importância do trabalho de um cambono na Umbanda. Mas será que realmente conseguimos assimilar o que é ser um cambono?
Em razão disso, meu propósito aqui será um pouco diferente: gostaria de trazer outra visão sobre o que é ser verdadeiramente um cambono na Umbanda. Não pretendo, de forma alguma, desmerecer as atribuições práticas que devem, sim, ser exercidas pelo cambono (e, na verdade, por todos os médiuns durante uma gira). O que intento é mostrar que o ato de cambonar vai bem além e exige do médium HUMILDADE, CUIDADO, CARINHO e AMOR.
HUMILDADE, porque precisamos nos libertar da vaidade do pensamento de que o trabalho espiritual pede uma incorporação. Engana-se aquele que está ao lado de uma entidade, pensando que ajuda apenas com praticidades: acendendo um fumo; segurando um alguidar; organizando o atendimento. Em cada instante que estamos ali, do lado dos guias, nossa energia é aproveitada, doamos fluidos e vibrações, auxiliamos diretamente no tratamento dos encarnados e desencarnados e também somos tratados.
Nessa linha, foi o ensinamento do nosso Pai João das Matas, quando o questionei sobre o que, para ele, é um cambono: “Fia, não existe trabalho espiritual sem cambono, muitas vezes nós acá usamos, no tratamento do consulente, a energia dele e não a do cavalo”. Pai Maneco de Aruanda confirmou essa mensagem, dizendo, em meio a um doce sorriso: “Fia, sem cambono não há Umbanda!”
Alguma vez, já se perguntaram quanto CUIDADO deve ter um cambono? Cuidado não somente no sentido de estar atento a tudo que se passa ao redor; mas, principalmente, de zelo... Preparar-se para o trabalho; organizar cada item que o guia irá usar e se antecipar a cada pedido dele; estudar sobre os materiais utilizados e os trabalhos realizados pela espiritualidade; conhecer cada entidade que atua por aquele médium, se afinizar com elas e, por que não dizer, com o cavalo dela também? Pois a proximidade respeitosa com o médium que auxilia trará confiança mútua e maior tranquilidade no momento do atendimento.
E isso parece não ser novidade no mundo espiritual; pois, fazendo a mesma pergunta ao Sr. Exu Meia Noite, ele definiu cambono com uma única palavra: lealdade. E, logo depois, explicou que “o cambono é o braço direito; é aquele que segue, confia e acredita no trabalho do médium”.
Por fim, o primordial e que não deveria faltar a nenhum de nós: AMOR e CARINHO! O que seria da Umbanda e da vida sem isso? O amor e o carinho que um cambono deve ter pela sua Casa, seu trabalho, entidades e médium que auxilia nada mais é do que um “retorno” pequeno em face do muito que nos é dado em troca todos os dias, enquanto servimos. Nada mais é do que gratidão por cada palavra de consolo, sorriso, olhar, abraço, lágrimas e colo que recebemos dos nossos queridos vovôs; nada mais é do que um "Muito Obrigado" por toda proteção que recebemos dos Exús, Pomba-giras e pelas orientações e ensinamentos dos Caboclos; nada mais é do que o menor dos retornos pela energização e prosperidade trazidas para nossas vidas pelos Ciganos; nada mais é do que um pouco do nosso axé em troca de toda a alegria de viver ensinada pelos arretados Baianos.
Enfim, amor e carinho são, na mesma medida, os maiores ensinamentos que cada cambono deve assimilar e as maiores funções que, como médiuns que somos, devemos exercer! Afinal, o que é feito com coração, pura e verdadeiramente, é a mais bela de todas as doações e o real sentido de CARIDADE!
Por todas essas lições, agradeço à espiritualidade por ter me direcionado à minha casa espiritual, Ação Cristã Vovô Elvírio; aos meus estimados pais de santo pela oportunidade contínua de aprendizado e à minha amada madrinha.
SALVE A UMBANDA!
Castelo é uma estrutura fortificada, residência de um nobre; para sua construção, são necessários pedra, madeira, ferro, terra. Por ser a morada de um nobre, é cercado de luxo e riquezas materiais.
Um templo, por sua vez, é uma estrutura construída em honra a alguma divindade, cercada de um simbolismo cósmico, onde ocorre algum tipo de atividade religiosa; para sua construção, além de pedra, madeira, ferro e terra, são necessários obreiros de muita fé, amor, caridade e vários ideais. Por ser construído em honra a Deus, deve ser um local sublime, ou seja, cheio de elevação celestial.
Nosso templo umbandista, além da construção material, também é feito por obreiros do Senhor, que, cheios de fé, bondade, amor, humildade e caridade, se doam no nosso dia a dia; que, cobertos de ideais de empreendedorismo e crescimento, auxiliam na melhora de nossa estrutura física e espiritual.
Em templos de Umbanda, é necessário que impere o “nós”, pois suas colunas não podem ter separação, vaidade ou egoísmo, porquanto se tem um propósito maior e se trabalha estimulado por uma energia superior, de forma que seus trabalhadores devem refletir essa egrégora elevada através da união, do altruísmo e da boa vontade.
Emmanuel, ao falar do Espiritismo, traz uma mensagem que atinge todos aqueles que trabalham na seara de Cristo: “O Espiritismo é atualmente um templo aberto à fé, uma oficina que se oferece ao trabalho salvador e uma escola que se institui à abençoada preparação das almas. Sob qualquer prisma, faz-se necessário o esforço próprio em vossa matrícula espiritual. Como crentes, devereis cultivar a fé viva; como operário, necessitais de testemunho e movimentação; como aprendizes, não podeis dispensar a observação, o estudo e as provas necessárias” (Livro Mentores e Seareiros).
Na Umbanda não é diferente. Nossos templos, além de suportes físicos, devem ser a passagem para encontrar o caminho do Cristo, para que sirvamos ao seu serviço superior, seguindo suas leis de amor e caridade.
Servir ao Alto não é tarefa fácil, pois exige esforço e vigilância constantes; capacidade de amar, aceitar e respeitar o próximo, mesmo que ele não nos seja caro; constância nos estudos e na reforma íntima; caridade verdadeira; resignação e fé, baseadas na certeza de que tudo que nos acontece tem um motivo maior e nos fará crescer.
No entanto, lembro que, para quem tem uma causa nobre no coração, trabalha na seara de Cristo e é regido pela energia dos divinos Orixás, nada é impossível, nenhum obstáculo é insuperável, nenhum propósito é inexecutável, pois sua determinação é alimentada pelo amor do Pai Maior e sua vida é orientada por Ele.
Utilizo-me das palavras de O Espírito da Verdade: “Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: ‘Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.’ ” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XX, Os trabalhadores da última hora).
Que nossas esperanças se renovem constantemente e que sigamos nosso trabalho de fraternidade, caridade e amor, trabalhando como obreiros da última hora e mantendo nossa casa, o terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio, uma casa de Ogum, construída com fé, amor e perseverança, com todas as qualidades de um Templo!
Dia desses fui abordada por um irmão que é consulente da nossa casa há muitos anos e, naquela semana, havia pedido ao Pai Leopold para fazer parte do corpo mediúnico da casa. A pergunta que ele fez foi: “é difícil trabalhar no terreiro?” Pedi para que ele explicasse melhor a dúvida e ele completou: “é difícil realizar o trabalho lá dentro? Porque é a primeira vez que entro para trabalhar e não sei por onde começar, parece que é tão difícil! ”
Entendi a indagação dele e isso me fez observar que essa é uma dúvida de muitos irmãos que, estando na consulência, veem o trabalho acontecer, desdobrado em inúmeros rituais, saudações, com manipulação de diversos materiais, como os marafos e fumos diferentes para cada entidade e em ocasiões também distintas. Veem os diversos tipos de incorporação e todo o processo mediúnico acontecendo à sua frente, mas não sabem como deveriam agir se estivessem do lado de lá, trajando o uniforme branco.
Isso tudo parece, de fato, um trabalho muito difícil, mas não é. Na verdade, essa é a parte mais fácil. Estamos preparados para ela. Só precisamos querer. Precisamos estar lá de coração aberto para servir onde for necessário e com a mente disposta para aprender, pois cada gira nos traz novos e valorosos ensinamentos, que serão extremamente úteis no dia a dia. Além disso, existem tantos irmãos que podem ajudar a direcionar o neófito, que percebemos: aqui, não estamos sozinhos! Com uma corrente unida, somos fortes e conseguimos realizar o trabalho de caridade. Além disso, temos apostilas e livros que orientam bastante nesse começo.
Entendo que as reais dificuldades que enfrentamos ao começar a trabalhar mediunicamente envolvem, por exemplo, o compromisso com a nossa reforma íntima, nosso comprometimento com a disciplina e com os estudos que nos tornarão melhores aparelhos à disposição da espiritualidade amiga, nosso trato conosco mesmo, com as pessoas ao nosso redor e com o meio ambiente.
A Umbanda nos ajuda muito! Abre nossos caminhos em diversos aspectos. No entanto, nada é de graça e o preço que pagamos para manter a balança em equilíbrio pode ser penoso, mas, graças à misericórdia divina, é totalmente benéfico para nós. Digo penoso porque dói enfrentar nossos medos e piores defeitos, bem como policiar nossos instintos primitivos em prol de uma renovação de valores e adoção de comportamentos mais compensadores ao nosso Eu Divino.
Dói ver pessoas queridas se afastando por não mais existir certa afinidade que outrora fora tão evidente. E não para por aí, pois somos testados diariamente em nossa fé, em nossa humildade de fazer o bem sem reconhecimento, em nossas vaidades.
No entanto, mesmo que seja uma caminhada difícil, ela compensa! E o mais importante: não ficamos inertes nesse mundo em que há tanta carência de obras cristãs, porque não basta nos abstermos de fazer o mal. Nós temos que fazer o bem! Por isso, o nome da nossa casa é AÇÃO CRISTÃ Vovô Elvírio.
O trabalho mediúnico nos proporciona a energia necessária para superarmos nossas crises da melhor forma possível. Ao viabilizar a mensagem de um guia espiritual, um pouco daquele ensinamento fica registrado em nós. Ao estudar as obras psicografadas por Chico Xavier e Allan Kardec, por exemplo, despertamos em nós a chama do amor e a consciência de que somos protagonistas de nossas vidas. Ao facilitarmos um trabalho de puxada, aquele choque anímico nos ajuda a desprendermo-nos de sentimentos contrários ao bem e enraizados em nós, oportunizando-nos um recomeço mais favorável emocionalmente.
Portanto, convido a que nos dediquemos a aproveitar melhor o presente que é conviver entre irmãos e com espíritos tão elevados que se doam muito por nós, movidos pelo sentimento de amor puro. Eles não nos deixam sozinhos nunca!
Ademais, pensemos no trecho do poema A Fazenda, do livro Cartilha da Natureza, de Casimiro Cunha, psicografado por Chico Xavier: “Rico ou pobre, fraco ou forte, não te entregues à inação, que a vida é a fazenda augusta guardada na tua mão”.
Hierarquia é uma estrutura onde os elementos se organizam em ordem de importância, podendo significar também, mais especificamente: a distribuição ordenada de poderes. A graduação das diferentes categorias de funcionários ou membros de uma organização, instituição ou igreja.
Toda religião tem uma estrutura hierárquica bem definida, assim podendo melhor estruturar a organização, tanto social quanto religiosa, dentro do templo religioso. Dentro dos terreiros de Umbanda, existe organização e disciplina, além de todo um sistema que objetiva manter esta organização, subdividindo-se em parte administrativa e espiritual.
A hierarquia de um t erreiro é facilmente identificada: Pai-de-Santo (Mãe-de-Santo), Pai Pequeno (Mãe Pequena), Pai Menor (Mãe Menor), Cambono-chefe, Ogã, etc. O Pai-de-Santo/Mãe-de-Santo é quem dirige um terreiro de Umbanda e sua palavra tem a força da decisão. Ele é o responsável pela comunidade que se abriga sob seu teto e o seu Orixá será sempre o chefe espiritual do terreiro. Esta hierarquia decorre da necessidade de equilíbrio entre a liberdade e a autoridade, que geram a disciplina e as leis que regem essa disciplina. Cada terreiro tem suas normas, fazendo com que a disciplina seja consciente, livre e com base na razão e na compreensão, refletindo a afirmação da personalidade dos dirigentes.
Sobre a obediência à hierarquia, o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse: "Quem não sabe obedecer, jamais poderá mandar".
As decisões do Pai-de-Santo/Mãe-de-Santo interpretam a vontade dos espíritos responsáveis pelo terreiro. Logo, o respeito à hierarquia e a disciplina formam a união e a integridade mágica da casa espiritualista de Umbanda. Sem disciplina rígida e séria, uma Casa de Umbanda não prossegue seu trabalho sob os auspícios da Espiritualidade Superior. O que parece, às vezes, exagero no sentido da manutenção da disciplina, do respeito ao terreiro e aos Guias, do respeito à hierarquia constituída, constitui-se, na verdade, no grande para-raios à entrada de espíritos obsessores, zombeteiros, mistificadores que atuam criando confusões, brigas, desentendimentos, desânimos e a queda da Casa. Todo cuidado é pouco.
No plano espiritual, essa hierarquia é bastante respeitada. Os espíritos não se promulgam grandes sabedores e entidades poderosas. Digamos que um médium receba um Caboclo mais evoluído do que o Caboclo que trabalha com o Pai-de-Santo da Casa. Mesmo assim, aquele Caboclo mais evoluído irá se ajoelhar perante quem dirige o trabalho e prestar reverência, assim como seguirá as instruções que forem dadas, por respeito ao CHEFE dessa casa.
Não importa que agrade ou desagrade. Quem tem o espírito de amor e busca um Templo sério e a verdadeira espiritualidade, que conduz à evolução, compreende, adere. O médium de uma Casa que não tenha humildade para aceitar e cumprir as normas e regras, nunca vai estar inserido na egrégora espiritual desse local. A corrente é a grande força do Templo Umbandista. Tudo gira em torno dela. Se um elo dessa corrente estiver fraco, pode desestruturar todo o trabalho e dar acesso às energias negativas que, muitas vezes, prejudicam os trabalhos e os membros dessa corrente. Devemos sempre lembrar: "Ninguém é tão forte como todos nós juntos" (ideia do Feixe de Vara).
Diz André Luiz, pelo médium Chico Xavier que: "Caridade sem disciplina é perda de tempo".
Portanto, o que ocorre é que ainda falta muita humildade para os trabalhadores de Umbanda, fazendo com que eles sucumbam a suas vaidades e desperdicem tempo, manifestando péssimas manias e ações, ao invés de praticar a caridade espiritual.Deixemos que o guia faça o trabalho do jeito dele, sem afetações ou carências. Deixando o personalismo de lado, podemos aprender muito e servir humildemente aos nossos amados guias e mentores espirituais.
Pensemos nisso: “Quem entra numa casa, deve tentar adaptar-se às suas normas e fundamentos já existentes e nunca esperar que seja a casa a adaptar-se a quem entra”.
Vegetais, animais, minerais e todos os seres viventes possuem e emanam a energia inerente a cada um. Tudo na natureza tem uma função que acrescenta e contribui para o equilíbrio do todo. Observemos uma paisagem e meditemos. Com certeza, nos encantaremos com a multiplicidade de cores e suas combinações nos mais variados tons. As cores dão vida às paisagens! Comparemos imagens em preto e branco com imagens coloridas. Fica evidente a diferença.
Nesse contexto, no qual tudo tem sua função, com as cores não seria diferente. Cada cor também possui energia e função específicas. Para compreendermos as funções das cores, iniciemos pela forma como podemos percebê-las. Para que as cores sejam percebidas pelo olho humano, é necessário que haja luz.
A luz, do ponto de vista da ciência, é uma faixa de vibração eletromagnética que se move no espaço a uma velocidade muito alta. Compreendida como sem cor ou branca, contém em si todo o espectro visível de cores e, ao atingir algum objeto, absorve algumas cores e reflete outras. Nossos olhos percebem, então, apenas as cores que foram refletidas.
Isaac Newton estudou a decomposição da luz do sol através de um prisma de cristal e constatou que essa luz se desdobrava em sete cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Após essa constatação, fez um disco contendo essas sete cores e observou que, ao girá-lo muito rápido, enxergava apenas a luz branca em todo o disco. Após um tempo, descobriu-se que também a luz produzida artificialmente poderia ser desdobrada no mesmo espectro de sete cores que a luz emitida pelo sol.
Com os desdobramentos dos estudos pela Física, muitas outras descobertas foram realizadas, entre elas, que o tom da cor, ou matiz, que será percebido pelos olhos dependerá do comprimento da onda de radiação e da mistura dos comprimentos das ondas curtas e longas. O maior comprimento de onda provoca a sensação de vermelho, e o menor, violeta, por exemplo.
Considerando que a luz é vibração eletromagnética essencial para que nossos olhos possam perceber as cores e que nela está contido todo o espectro de cores, podemos entender que o sol, a maior fonte de luz do nosso Planeta, emana a vibração de todas as cores.
Podemos concluir também que a cor branca, considerada por alguns como a ausência de cor, é, do ponto de vista científico, a presença de todas as cores principais do espectro.
A partir dessa perspectiva da física, torna-se mais fácil a compreensão da noção de que cada cor emana vibração energética específica e nos permite avançar para entender um pouco sobre a função vibracional das cores do espectro da luz: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
O vermelho, o amarelo e o laranjado são cores consideradas quentes e possuem, de forma geral, função estimulante. O verde, o azul, o anil e o violeta são cores classificadas como frias e possuem essencialmente funções calmantes e purificadoras.
Quando precisamos de ambiente adequado para a meditação, o uso do violeta é bastante indicado, pois os tons dessa cor estimulam a introspecção, o desenvolvimento da espiritualidade, a purificação do corpo e da mente. O violeta e suas nuances são cores associadas à função de transmutação e, por isso, têm a capacidade de elevar a frequência das células, vitalizando-as.
A cor azul tem propriedade essencialmente calmante. Assim, é muito útil para tratar pessoas com pressão alta ou hiperativas, bem como para aliviar dores, funcionando, portanto, como analgésico também.
O anil é tranquilizador, mas também incentiva a ação mental e auxilia no surgimento de novas ideias e na assepsia mental.
O verde auxilia o equilíbrio do funcionamento orgânico e mental, é reparador e, por isso, muito útil para aumentar a imunidade.
O vermelho impulsiona a ação física, no sentido de sair do campo mental e partir para a concretização de ideias, dá ânimo e coragem. Constitui, por exemplo, cor ideal para estimular a circulação sanguínea, aumentar a pressão arterial, dar energia ao corpo e aumentar a autoestima.
Numa situação em que necessitamos estimular a criatividade, o amarelo é bastante útil. Serve também para auxiliar na concentração e estimular as atividades mentais e o raciocínio.
O laranjado, cor intermediária entre o vermelho e o amarelo, relaciona-se à alegria e à vitalidade. Possui funções vibracionais parecidas com as funções das cores das quais deriva, também despertando a mente. É muito útil para ajudar a assimilar novas ideias e deve ser evitada por pessoas muito nervosas e agitadas.
E o branco? O branco, como dito no início, contém todas as cores por natureza. Por isso, tem forte ação equilibradora e frequentemente é relacionado à paz. Já ouviram falar sobre a importância e os benefícios que a luz do sol, na medida certa, proporciona? Além de estimular a produção da vitamina D por nosso organismo, os raios do sol, por emitirem a luz “branca”, contêm em si todas as cores e agem sobre os seres de forma a proporcionar um tratamento revigorante e reparador completo.
Enquanto os objetos brancos refletem todas as cores, o preto, extremo oposto, tem como característica absorver todo tipo de raio luminoso e, ao mesmo tempo, não refletir nenhum. Como o movimento energético da cor preta é de absorver e não de refletir, é mais utilizada no campo magístico, em trabalhos de limpeza energética. Na cromoterapia, por exemplo, cuja proposta é a doação, emanação de energia, a cor preta não é utilizada.
A cromoterapia consiste numa técnica que objetiva harmonizar o campo eletromagnético das células por meio da aplicação das cores do espectro solar, com vistas a restaurar a saúde. A definição da cor aplicada é realizada de acordo com a relação entre a questão tratada e a frequência vibracional que possui as condições de auxiliar o retorno à situação de equilíbrio.
Dessa forma, ao trabalhar com essa terapia, é importante buscar formação adequada e sempre ter em mãos manuais confiáveis que ofereçam a informação sistematizada sobre a escolha da cor ideal para aplicação no tratamento cromoterápico de determinados órgãos do corpo humano e de problemas de saúde específicos.
Na Umbanda, associamos cores a cada Orixá. Como não há uma codificação umbandista, essa associação pode ser diferente em cada terreiro. No Ação Cristã Vovô Elvírio - ACVE, adotamos as seguintes correspondências:
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ORIXÁ |
COR |
ENTIDADE |
COR |
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OXALÁ |
Branco |
EXU |
Vermelho/Preto |
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OGUM |
Branco/Vermelho |
POMBAGIRA |
Vermelho |
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XANGÔ |
Branco/Marrom |
PRETO-VELHO |
Branco |
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OXOSSI |
Branco/Verde |
CABOCLO |
Verde |
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OXUMARÉ |
Amarelo/Preto |
CRIANÇA |
Rosa |
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OMOLU |
Branco/Preto |
BAIANO |
Amarelo |
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OSSAIN |
Branco/Verde Claro |
BOIADEIRO |
Marrom |
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YEMANJÁ |
Branco/Azul Escuro |
CIGANO |
Laranja |
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OXUM |
Branco/Azul Claro |
MARINHEIRO |
Azul Escuro |
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YANSÃ |
Branco/Amarelo |
SETE PORTEIRAS |
Verde/Preto |
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NANÃ |
Branco/Roxo |
||
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YORIMÁ |
Branco/Preto |
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YORI |
Branco/Rosa |
O conhecimento sobre a ação energética de cada cor e sobre a relação estabelecida entre as cores e os Orixás pode constituir recurso para nos auxiliar na busca de equilíbrio no dia a dia.
Num momento de tristeza, por exemplo, é interessante vestir roupas com cores quentes e estimulantes para auxiliar no restabelecimento do equilíbrio, pois o uso de cores calmantes pode acentuar o estado de ânimo depressivo.
O uso de cores correspondentes a cada Orixá auxilia na conexão com a energia por ele emanada e ajuda a potencializar a ação magnética do pedido realizado.
Se precisamos de coragem para corrermos atrás dos nossos objetivos, para iniciarmos projetos, usar o vermelho, que remete a Ogum, pode ajudar.
Se o momento é de acalmar o coração, de cultivar a paciência e de refletir, o roxo de Nanã pode ser de grande valia.
Quando a vida precisa de movimento criativo para mudar rumos, planos, deixar ir o que não serve mais, o amarelo como manifestação da invocação de Iansã vai dar uma força para esse movimento acontecer.
Se a necessidade maior é de vitalidade e reparação da saúde, o verde de Oxóssi vai auxiliar.
Faltou alegria? Que tal uma roupa rosa acompanhada de uma oração direcionada a Yori?
E assim poderíamos fazer uma imensa relação sobre as diversas formas que o conhecimento sobre a área de atuação de cada Orixá aliado ao uso das cores a eles relacionadas pode nos fortalecer na caminhada.
Com este texto, lançamos uma singela proposta de reflexão sobre a utilidade das cores e deixamos um convite para que passemos a pensar sobre a inexistência do acaso. Tudo o que existe tem uma razão de ser. Na natureza, encontramos todos os recursos necessários para nosso aprendizado e para a manutenção ou mesmo restauração do equilíbrio físico, mental e espiritual. Busquemos o conhecimento e o coloquemos em prática no nosso dia a dia, em nosso benefício e no auxílio daqueles a quem pudermos ajudar.
Mais ...
Há algumas giras, perguntei a Pai Leopold: “Meu pai, o senhor poderia me falar um pouco sobre quando estava encarnado?” e ele me respondeu: “Para que, minha filha? Se, assim como você, também tenho algumas coisas que não me orgulho de lembrar. Já superei esse passado, e revivê-lo não vai me trazer benefícios, pois já aprendi as lições que precisava”.
Essa é uma das características do trabalho do nosso dirigente espiritual: cultuar o presente! Quem já sentou no banquinho em frente a ele para se consultar deve ter ouvido alguma dessas frases: “Você é museu para viver de passado?”, “Você pode mudar seu passado? e seu futuro?, Então, viva o hoje!”, ou “Por que o dia de hoje se chama presente?”. Entre todas as frases, a que ele tem uma afinidade especial é a de Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
E o que isso desperta em nós? Bom, posso falar por mim. Todas as vezes que o ouço transmitir esses ensinamentos, penso em como estamos arraigados no ontem. No que fomos, nos erros pretéritos. E, dessa forma, deixamos de viver o hoje. Perdemos a oportunidade de limparmos a poeira da alma, assumindo que somos imperfeitos, e, mais do que isso, que, como filhos de Deus, somos capazes de fazer melhor que ontem.
Muitas vezes nos sentimos melindrados. Achando que ele não nos ouviu, ou não deu a devida atenção quando não nos deixa falar todo o problema que tanto nos atormenta. E é nessa hora que, com o cachimbo, Pai Leopold cria a fumaça necessária para, paradoxalmente, desanuviar o nosso mental e benzer uma água que nos é dada como um remédio para a tristeza da alma.
Assim, vemos que cada preto-velho tem sua forma de atuação, sua linha de trabalho. O importante é que, independente de qual linha seja, o objetivo é o mesmo: mostrar que somos passíveis de errar, e que isso não exclui nossas qualidades; que sempre há um amanhã para trilharmos novos caminhos.
Quantas vezes vi Pai Leopold rezando para e também junto com o consulente, buscando a fé em Deus e mostrando que nunca estamos sozinhos. As inúmeras velas que ele nos recomenda acender, nos mostrando que a força para alcançarmos o que queremos está mais perto do que imaginamos: dentro de nós mesmos.
Enfim, retomando a tentativa de entrevista com ele, insisti e disse: “Mas, Pai Leopold, 13 de maio é o dia que comemoramos o axé dos Pretos-velhos. Gostaríamos de falar do senhor” e, depois de coçar a cabeça, ele me respondeu:
“Filha, minha vida não foi interessante. Vivi na Alemanha, na época da 2ª grande Guerra Mundial, onde muitos que estão aqui neste terreiro também viveram. Tive o hospital de campanha em que eu trabalhava bombardeado três vezes, sendo as duas primeiras apenas avisos, porque me recusei a cumprir as ordens dos meus superiores, atendendo qualquer ferido que lá chegava, sendo alemão ou não. Não concordava com o que faziam lá e não queria compactuar com eles. O derradeiro foi o que matou todos os presentes, trabalhadores e presos de guerra que lá eram atendidos. Hoje, estamos reunidos neste terreiro, cada um em sua escala evolutiva e com um papel diferente, para, então, resgatarmos débitos daquela época e também de outras.
Mas, se me permite, prefiro mencionar que antes disso, vivi no Brasil, que foi e ainda é minha pátria amada. Lugar onde aprendi muito sobre a terra, as plantas, as pessoas, os sentimentos, as mandigas, a cura, a magia. Essa encarnação despertou meu espirito para muitas verdades. Após meu desencarne como alemão, me foi dada a missão de estar à frente desse terreiro de umbanda. E fiz minha preparação no mundo espiritual com vários mentores.
Conheci o Evangelho. E, sempre que me for dada a oportunidade, trarei a palavra de Jesus para apaziguar as dores daqueles que chegam em nossa casa. Se quer que eu deixe uma mensagem, diga para que meus filhos nunca percam a fé. Que se vacilarem, busquem nesse livro o acalento para suas dores. Pois o Pai nunca dá pedra ao filho que pede pão. Estarei à frente dessa Casa até quando me for permitido estar. ”
Emocionada, agradeci a ele, dizendo-lhe que foi muito especial poder conhecer um pouco mais daquele que nos cuida com tanto zelo e ardor. Sendo assim, peço licença, e em nome de todos nós da corrente, para agradecer a todos aqueles espíritos que se propuseram, na roupagem de pretos-velhos, a nos abençoarem com suas rezas, suas conversas e conselhos, seus benzimentos, seus abraços, palavras de carinho, ouvidos amigos, cachimbos, cafés, ervas e mandingas. Dividindo conosco as experiências que viveram e nos mostrando que também podemos ser pessoas melhores e que as graças de Deus são para todos aqueles que estiverem abertos para receberem. Adorei as almas!
O que é ser um umbandista? O Umbandista é aquele que pratica a umbanda, entende e realiza os fundamentos, que respeita os Orixás, ou basta ser aquele que vai ao terreiro e veste o branco? O que é ser um verdadeiro umbandista?
Para entender e refletir sobre a verdadeira caracterização de ser um umbandista, são necessárias algumas reflexões sobre o que vem a ser uma verdade. A verdade é aquilo que está ligado à sinceridade; é uma afirmação de atitudes corretas, é uma realidade, é o contrário da mentira. No universo, temos “a verdade” (suprema, que se realiza pelas leis universais); a nossa verdade; e a verdade do outro. Podemos, então, refletir que ser um verdadeiro umbandista implica três visões: a nossa visão, a do outro e a visão do cosmos.
Alguns fundamentos para ser um verdadeiro umbandista são imprescindíveis: amor, caridade, humildade, não preconceito.
O amor nos é ensinado por Jesus sob a imagem dos seguintes pilares: amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a nós mesmos e à natureza. Para começarmos a prática desse amor, devemos partir do autoamor, porque ele nos levará à felicidade pelo caminho do perdão. Perdoar é fazer as pazes com o passado, entender que todos temos limites, e que todos temos um caminho único. “O caminho da felicidade do outro pode estar bem distante de ti, diferente de onde te sentes bem”, como afirma o autor espiritual Alex Zarthu, no livro Quietude.
O preconceito deve ser combatido com simples atitudes, como buscar os distantes, os tímidos, abraçar a todos sem distinção, por exemplo. Evitar o preconceito é uma manifestação da caridade.
Um dos maiores pilares que Jesus nos deixou: “fora da caridade, não há salvação”. Para o umbandista isso significa colocar-se à disposição dos Guias, conservando a quietude interior, preservando suas reações, comprometendo-se ao autoconhecimento, ao autoamor. Ajudar sem esperar nada em troca, evitar a soberba, a arrogância, corrigir com afabilidade e temperança.
A humildade dentro do terreiro não começa com os pés no chão, ou com o vestir branco: começa quando entendemos que não sabemos nem 10% do que se passa no terreiro entre as dimensões em que as entidades trabalham. Por isso, devemos saber ouvir os conselhos dos Pretos-velhos e de todos que trabalham assumindo a responsabilidade pelo trabalho magístico e material dentro da casa. Entendendo e respeitando a hierarquia, aceitando as correções, orientações, regras. Tolerar que nossos planos, expectativas e gostos sejam de alguma maneira frustrados ou que alguém possa contrariar seu pensamento.
Para esse aprendizado de ser um verdadeiro umbandista, devemos nos propor a lamentar menos e poupar energia para ações positivas. Nessa nova leitura de ação dentro do terreiro, vamos evitar o auto boicote, vamos dar continuidade ao nosso progresso, à conscientização dentro da corrente, com referência de bons exemplos. Faça o seu trabalho com qualidade, ética, compromisso e respeito, e você perceberá como a consciência da comunidade em que vivemos melhorará.
A proposta de ser um verdadeiro umbandista requer o aprendizado de aprimorar nossa maturidade: troquemos intensidade por constância, aparência por essência, ansiedade por calma, corpo por alma, rancor por amor.
“DAR-SE -Á ÀQUELE QUE JÁ TEM E TIRAR-SE-Á DAQUELE QUE NÃO TEM” (1)
Médium Fernanda RochaAlgumas passagens bíblicas soam estranhas aos nossos ouvidos. A passagem em destaque faz alusão ao ensinamento contido também na Parábola dos Talentos. Aquele que já tem, terá mais, porque aprendeu a utilizar o que possui, seja um talento ou posses materiais, para produzir o bem à sua volta. Os talentos e riquezas do mundo têm maior utilidade e valor quanto maior o número de pessoas que podem beneficiar.
Quem retém o conhecimento e as coisas materiais que possui apenas para benefício próprio ou para um círculo restrito de pessoas pelas quais tem afeição impede de certa forma o progresso da humanidade como um todo, pois cada coisa, cada ser tem sua razão de existir e uma função para cumprir em benefício do todo.
Essa passagem nos convida a refletir sobre o que temos feito dos bens materiais e imateriais que nos foram confiados e nos ensina sobre como vivenciarmos a abundância e a prosperidade em nossas vidas: quanto mais ofertamos, de coração e com consciência da nossa responsabilidade diante do todo, mais atraímos, pois a sementeira de amor só pode produzir mais amor, gratidão, crescimento e, envolvidos nessa energia próspera, nada faltará ao longo da caminhada. O bem que vai, volta multiplicado.
Essa é a lógica que nos envolve também nos mutirões realizados no nosso terreiro. Quantas vezes nos esforçamos para participar com o objetivo de darmos nossa contribuição no cuidado e zelo dessa instituição que tanto nos beneficia (gratidão) e, durante a realização das atividades, recebemos verdadeiros tratamentos físicos e espirituais?
Enquanto realizamos as atividades do mutirão, conhecemos pessoas e suas histórias cheias de ensinamentos – muitas vezes essas experiências compartilhadas nos servem de valiosas lições e vão ao encontro do que precisávamos ouvir; renovamos nossas energias físicas – o trabalho que proporciona o exercício do corpo físico ajuda a equilibrar o nosso chakra básico, responsável por nossa vitalidade e vontade de viver; higienizamos a nossa mente – o foco em atividades edificantes auxiliam no estabelecimento de uma conexão mental harmoniosa e provocam sensações de profundo bem estar.
Quanto às atividades que nos são designadas no terreiro, podemos também realizar uma reflexão nesse sentido. Nossa Casa é um verdadeiro hospital e os médiuns são os principais pacientes. O Pai Maior nos encaminha na direção das experiências que precisamos para nos equilibrarmos diante das leis da vida e o Ação Cristã Vovô Elvírio, com as diversas oportunidades de trabalho que proporciona, nos permite o tratamento adequado para cada necessidade.
Ao permitirmos que a energia de cura flua por nossas mãos e ao concentrarmos nossos pensamentos em preces pelo reequilíbrio da saúde do consulente, somos os primeiros a receber o tratamento necessário para o equilíbrio de nossas energias e de nossa psique.
Ao nos disponibilizarmos como canais mediúnicos, temos como obrigações prestar mais atenção ao cuidado com o asseio mental, com a alimentação, com o comportamento no dia-a-dia e recebemos verdadeiros tratamentos e lições no contato com as entidades que se manifestam por meio de nossa mediunidade.
Ao nos prepararmos para dar uma aula, aprendemos muito mais do que qualquer um e aprimoramos nossa capacidade de comunicação.
Ao darmos uma aula, temos valiosa oportunidade de equilibrar o nosso chakra laríngeo.
Ao aceitarmos o desafio de realizarmos atividades novas, descobrimos ou desenvolvemos talentos, nos sentimos mais capazes.
Ao fazermos uma entrega, refletimos sobre nossa capacidade de nos conectarmos com as forças que regem a vida e sobre o poder criativo que reside em nosso pensamento.
E assim, poderíamos fazer uma relação enorme dos benefícios que cada atividade pode proporcionar àqueles que as realiza.
Recebamos com gratidão, alegria e responsabilidade as oportunidades de tratamento e crescimento que a vida nos endereça.
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O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVIII, item 15.
Todos nós sabemos a importância da natureza em nossas vidas, mas, para o Umbandista, essa grande fonte de energia é ainda mais importante. A Umbanda está completamente ligada a ela. É de lá que vem a força, a inspiração, a energia, o equilíbrio e a vida.
Podemos usar essa ferramenta, que está sempre ao nosso alcance, para retrair e atrair energias, para descarregar e recarregar nosso corpo e espírito, para buscar a cura de nossas enfermidades físicas e espirituais, porque é de lá que vêm os mais poderosos remédios.
Podemos usar pedras, árvores, ervas, terra e tudo aquilo que encontramos na natureza para repor nossas forças e atrair energias de renovação, da mesma forma que podemos usar esses elementos para nos descarregar e desprender de certas energias mais densas.
As ervas, usadas de maneira correta, se tornam grandes instrumentos medicinais e ajudam na cura de diversas dores e até mesmo no tratamento de doenças. Podemos citar ainda plantas que são usadas para afastar demandas e “mau olhado”.
O relacionamento que o Umbandista tem com os orixás também está profundamente relacionado com a natureza, já que, para a Umbanda, os orixás estão representados nos domínios naturais, e cada um tem o seu ponto de força. Sendo assim, de acordo com a sua necessidade naquele momento, ele fará uso desse conhecimento.
Nos rios e cachoeiras sentimos todo o amor de mamãe Oxum, porque são nesses lugares que predominam sua irradiação, então quando se quer pedir algo ou até mesmo só sentir a energia desse Orixá que atua com o mesmo amor que uma mãe tem pelos seus filhos, devemos nos aproximar do seu ponto de força.
Quando precisamos da grandeza de Yemanjá, entramos em contato com o mar, e lá somos acolhidos por esse orixá que comanda a calunga grande e que sustenta uma parte fundamental da vida.
Nas montanhas e pedreiras vemos a força de Xangô, é o orixá que representa a justiça divina na condução das decisões do homem. Por isso, quando precisamos de ajuda nesse sentido devemos recorrer a esses pontos.
Quando buscamos a sabedoria de Oxóssi, nos aproximamos de uma mata e lá sentimos toda presença do patrono da linha dos caboclos, então é só concentrar e deixar essa energia falar por si só.
Ossain é um profundo conhecedor das ervas e de seus poderes medicinais, sendo portanto, um curador poderoso para os que buscam sua ajuda.
Nos vendavais, raios e tempestades vemos todo poder de Iansã. Ela tem a força do movimento, por isso, quando buscamos mudanças nas nossas vidas é a ela que devemos recorrer.
Na lama e na água parada sentimos toda a calmaria de Nanã. É o princípio, a transmutação e a vida. Quando necessitamos da ajuda desse orixá, devemos nos aproximar dos seus pontos de força e, assim, ficaremos mais próximos dessa energia.
No arco-íris e na queda d’água vemos toda renovação de Oxumaré, símbolo da continuidade e do movimento, basta aproximarmos de um de seus pontos de força e sentir a sua energia de transformação.
Omolu está ligado à terra, ele expulsa das casas e das pessoas as energias negativas, as doenças, impurezas e males sobrenaturais, mas também é capaz de atrair, como sabemos, existem encarnações em que as chagas são necessárias para nosso aprendizado e evolução. Entrando em contado com o seu ponto de força, conseguimos nos aproximar, pedir alívio, melhora e força para aprender com o "mal" necessário.
Ogum representa o ferro e a luta do espírito contra a matéria. É o senhor dos caminhos, se necessitamos do seu direcionamento, basta nos aproximarmos daquilo que remete a ele.
Vimos que a relação Umbanda – Natureza é uma troca de amor e respeito, onde temos a obrigação de nos atentarmos para o que deixamos de lixo na hora de realizar entregas e oferendas, devemos cuidar desse bem e preserva-lo para toda vida, porque assim estaremos preservando também as nossas futuras existências.