Umbanda (45)
“Se as pessoas soubessem o quanto seus pensamentos determinam a direção de suias vidas, teriam mais cuidado com o que pensam”. Márcio Kuhne.
EGRÉGORA provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.
Quando várias mentes (de encarnados ou descarnados) ressoam num mesmo diapasão, vibram numa mesma frequência, constroem-se formas-pensamento grupais, correntes mentais coletivas, muito usadas pelos magos de toda a história para interferirem intencionalmente nos planos etérico e astral.
O pensamento, a vontade e o desejo são forças tão reais que, sob sua influência, a matéria astral plástica faz-se compacta e toma forma, sob o alimento incessante das mesmas vibrações, pensamentos, etc.
Então, produz-se um ser ou manifestação que adquire vida, animado de uma força boa ou má, conforme os pensamentos emitidos, influindo vigorosamente em todos os que passam a subordinar-se à sua influência.
A unidade básica formadora da Egrégora é a Forma-Pensamento, que nada mais é do que o resultado da faculdade criadora do Espírito, por isso é importante saber como ela é criada e quais suas características.
O pensamento, ao ser emitido, cria (ou molda) uma imagem mental utilizando a matéria sutil do plano psíquico superior, um dos sete planos de manifestação da consciência onde todos os pensamentos se manifestam na realidade, conhecida como elemental.
O elemental que penetra na forma-pensamento faz papel de alma, formando, no mundo astral, uma entidade independente (benéfica ou maléfica) que mergulha mais fundo na matéria mais densa das regiões psíquicas inferiores.
Formas-pensamentos atraem os elementais de cor, forma e som com vibrações semelhantes.
As formas-pensamento, animadas pelos elementais, têm uma existência cuja duração depende, em primeiro lugar, da intensidade inicial da energia que o seu criador humano lhe dá, e, em segundo, do alimento que depois lhe é ministrado pela repetição do mesmo pensamento, proveniente do autor ou de outra pessoa.
Esta repetição pode intensificar-lhes continuamente a existência.
Qualquer pensamento, seja ele de que natureza for, uma vez gerado, adquire, se for objeto de uma meditação frequente, uma grande estabilidade de forma no plano psíquico.
E, da mesma maneira, as formas-pensamento de natureza semelhante atraem-se, reforçam-se mutuamente, constituindo uma fonte abundante de energia e de intensidade que lhes dá a faculdade de agir no mundo astral e, posteriormente, no plano material.
Pensar equivale a realizar. Pensa-se num lugar, imediatamente é possível encontrar-se neste lugar. Pensa-se num parente ou amigo, instantaneamente o tem ante si.
Ninguém age sem antes PENSAR. Sendo assim, toda a nossa atenção deveria estar concentrada em cada ação que executamos no nosso dia a dia normal. Este exercício não só melhorará a qualidade do nosso trabalho, como também nós aprenderemos a dominar o nosso modo de pensar. Isso requer prática, pois o intelecto é treinável, e com o tempo teremos mais facilidade na concentração.
Depois, deveremos manter higiene nos pensamentos, ou seja, fazer uma escolha por aquilo que mais nos convenha entre os pensamentos que constantemente procuram se introduzir em nós. A pesquisa do especialista em medicina Dr. Hooker1 mostrou que os pensamentos não são as coisas vagas que percebemos no plano físico, mas que têm forma definida, cor, som e características com força de vibração que agem no plano mental. Estamos cercados por numerosos pensamentos de sensualidade, de ódio, de vingança, de ciúme, de orgulho - e se nós quisermos manter nossa saúde mental, é necessário tomar uma atitude firme diante de todos os maus pensamentos.
A melhor maneira de tratar um mau pensamento que procura penetrar na consciência é dirigir a atenção imediatamente a outro, mais nobre e construtivo. A inteligência só consegue pensar em um objeto de cada vez - e assim o primeiro é substituído por um segundo positivo de maneira natural. Com este tipo de treinamento, o corpo mental se refina, e então ficará mais fácil receber pensamentos nobres e reagir àqueles que em geral são denominados maus ou negativos. Nós todos - ou todos os que sabem disso e que se encontram no caminho do auto-aprimoramento - deveriamos, portanto, manter um controle sobre pensamentos, sentimentos, palavras e ações que interferem em nosso estado mental.
1 - The Theosophical Writings of Annie Besant, e-book Fontes:
Annie Besant – Karma
E C. W. Leadbeater – Formas- Pensamento. Criações Mentais por meio de matéria fluídica. Ramatís
– Vozes de Aruanda
- Jardim dos Orixás
- A Missão da Umbanda
- Magia de Redenção
F. Rivas Neto – Umbanda – A proto-Síntese Cósmica
Muito se ouve falar dentro dos terreiros de umbanda sobre assentamentos e firmezas, normalmente os trabalhadores de terreiros sabem da existência desses elementos mas não compreendem os seus fundamentos, pois geralmente é o dirigente quem os manipula. Porém, firmezas e assentamentos não são ferramentas para uso somente de dirigentes, nem tão pouco são segredos, pois são utilizados para sustentar e proteger toda a estrutura material e espiritual de um terreiro de umbanda ou de uma casa comum.
O assentamento geralmente é utilizado em locais onde há trabalhos espirituais constantes, sendo assim, podemos entender que a sua atuação como fonte de energia será de grande intensidade, comportando-se como um vórtice (portal) ligado às forças da natureza e as vibrações dos Orixás, partindo diretamente destes. O assentamento tanto pode ser feito para um Orixá especifico como para uma linha de trabalho, por exemplo, os dois principais assentamentos de um terreiro são o assentamento para a Linha da Esquerda (Tronqueira), que visa a defesa energética do local, e o assentamento do Orixá de frente do dirigente do terreiro, que irá traçar as características energéticas daquele centro.
Normalmente para assentar uma Força (Linha de trabalho ou Guia espiritual) ou um Poder (Orixá), são necessários certos elementos magísticos que, após consagrados e imantados com as respectivas vibrações por meio de algumas ritualísticas, irão sustentar o assentamento, mantendo-o sempre ativo. Estes elementos consagrados podem ser pedras respectivas do Orixá, punhais, pontos riscados, terra, ervas, bebidas, fumo, pemba, dentre outros. A vela de sete dias pode vir a ser necessária no assentamento, para isso é preciso deixá-la sempre acesa e renová-la ao seu término, mas, caso venha a apagar, os outros elementos estarão sustentando energeticamente o propósito daquele assentamento.
Juntamente dos assentamentos, utilizam-se também as firmezas, que também podem ser utilizadas tanto para Linhas de trabalho quanto para Orixás. As firmezas tem características diferentes, possuem fins específicos. Por exemplo, acender uma vela para o Anjo da guarda, pedindo proteção e amparo durante épocas difíceis, é um tipo de firmeza. A firmeza necessita de constante renovação de Axé, pois não tem a característica energética de irradiação constante como um assentamento, a firmeza depende, assim, do auxílio de algum elemento (velas, incensos, bebidas, fumos etc) usado para direcionar uma energia, sendo assim, quando o elemento acaba, a firmeza perde sua força. É interessante comentar que as firmezas e os assentamentos atuam juntos dentro do terreiro, onde a firmeza exercerá o papel de fornecer mais opções de trabalho para os Guias da casa, ou seja, ela aumenta o acesso das entidades a elementos de trabalho que visam ajudar a casa e seus assistidos.
Cabe ainda salientar a importância do assentamento da Tronqueira e do Altar de um terreiro, que formarão dois respectivos polos: o negativo, que atuará como absorvedor de energias densas, e responsável pelo campo de força em torno do terreiro; e o positivo, que atuará como fonte irradiadora das vibrações dos Orixás, aglutinando, amplificando e distribuindo essas vibrações a todos.
De nada adiantam assentamentos e firmezas grandiosas, com diversos elementos, de extrema qualidade e luxuosos, de nada adianta pagar para alguém assentar ou firmar algo que não está dentro de você. Seja você mesmo o criador e o sustentador daquilo que está a sua volta, coloque seu amor, sua fé, seu carinho, sua devoção naquilo que você está fazendo. Todos nós podemos ser um templo vivo, então assente ou firme aquilo que está dentro de você!
Luz na Umbanda, Firmeza e assentamento. 22.5.2013. Disponível em: <http://www. luznaumbanda.blogspot.com/2013/05/firmeza-e-assentamento.html/>. Acessado em 21 de janeiro de 2016. (Com adaptações)
BRASIL: A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO MOISACO DO MUNDO
Médium Karina FernandesTornam-se constantes atos de intolerância religiosa no Brasil e esse cenário perde sentido, cada vez mais, quando compreendemos que esses tristes atos desfavorecem a nossa oportunidade de aprimoramento moral e uma melhor qualidade de vida para o próprio planeta, enquanto espaço social. Caracteriza-se a intolerância religiosa como “um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição1”. É possível entender que a intolerância religiosa ultrapassa os limites da crítica e da expressão de opinião. Definida como “um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada por ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentem à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças2”.
A diversidade é um atributo do próprio Planeta Terra e lidar com essa característica, aprendendo a conviver, parece um grande desafio. Atualmente, o Planeta é composto por mais de 7 bilhões de habitantes, distribuídos em cerca de 196 países. O Brasil é considerado o quinto país mais populoso do mundo3 e o país mais miscigenado do Planeta4. Isso quer dizer que, somos a nação que mais misturou diferentes culturas, construindo nossa própria identidade cultural: um mosaico do mundo. Nesse sentido, a convivência, no contexto da diversidade e das diferenças, é nosso exercício constante. Infelizmente, situações ofensivas referentes às crenças religiosas têm sido constantemente apresentadas nas mídias, sobretudo tratando-se de atos discriminatórios relacionados às religiões de matriz africana5.
A África é berço de nossa cultura, assim como o é a cultura dos índios, europeus e orientais. Todas são perceptíveis, em algum momento, em nossa forma ver o mundo e de nos expressarmos nele. A religiosidade é um direito e uma escolha que marca a nossa individualidade. No Brasil, a própria mistura cultural nos permite múltiplas opções e oportunidades de contato com diferentes linhas religiosas. Respeitar a individualidade humana, enfatizando a boa convivência com o próximo, parece ser uma estratégia para minimizar atos de intolerância de qualquer ordem. Para tanto, precisamos pensar além da intolerância religiosa.
Constantemente, ouço dos pretos velhos que “Não há religião certa. A religião certa é aquela que te torna uma pessoa melhor”. Portanto, para nós e para o mundo, o que podemos fazer de bem e o que nos torna melhores são elementos que toda religião pode promover, contribuindo para o nosso progresso espiritual e do Planeta, ao trabalhar pautada nas Leis de Jesus. Então, ultrapassando rótulos como “católico”, “protestante”, “judeu”, “mulçumano”, “budista”, “umbandista”, “ateu” e outros, exercitemos o respeito, a pacificidade, enfim, a tolerância ao tratarmos o outro. Para tanto, um rótulo genérico: IRMÃO, indivíduo único e livre por direito. Assim, podemos entender que os atos de ofensa e de discriminação, a qualquer pessoa que seja, demonstram o quanto precisamos aprimorar nossa capacidade de “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a nós mesmos”, nossa principal missão.
1 e 2 http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1041&Itemid=263
3 http://pt.db-city.com/Pa%C3%ADs--N%C3%BAmero-de-habitantes
4 http://www.thecities.com.br/Brasil/Cultura/A_Cultura_Brasileira/
5 http://www.acaoeducativa.org.br/relacoesraciais/intolerancia-religiosa/