Oxalá

Oxalá (6)

Quinta, 20 Dezembro 2018 15:38

OXALÁ

“Oxalá, meu Pai. Tem pena de nós. Tem dó. Se a volta do mundo é grande, Teu poder ainda é maior”.

Sua respiração era profunda e intensa, seu corpo manifestava dores que, até então, desconhecia, embora tivesse suportado tantas. Entre as alegrias por estar junto, a satisfação por todas as vezes que pôde oferecer o auxílio e transmitir tanto amor, também já havia experimentado muitos sofrimentos. Estar na Terra era mesmo uma grande missão e um enorme exercício. Privações físicas, frustações pela incompreensão, a tristeza pela traição... E se, por alguns instantes, o medo tentava chegar perto, sentia-se inundado por tamanha coragem, com tão forte serenidade, que o fazia resgatar a paz dentro de si. E seguir... sem dúvidas, valeria a pena. Elixir para todas as dores, trazia em seu coração a certeza de que cada segundo estava certo, tudo era perfeito, inclusive aquele momento. Eternizou-se na mensagem de amor ao próximo quando, de braços abertos, morreu na cruz. De mensageiro divino, eternizou-se como exemplo concreto da verdadeira fé. Não como sacrifício, mas, como caridade, doou a si mesmo pela humanidade. 

“Abre a porta oh gente que aí vem Jesus, Ele vem honrado com a força da cruz”.   

Prezado irmão, proponho que respire fundo. Sinta-se abraçado, receba toda luz, amor e paz. Peço licença para a humilde tentativa de imaginar o que poderia sentir Jesus ao vivenciar o sentido existencial para vir à Terra.  Com essa breve “imaginação”, no parágrafo acima, gostaria de convidá-lo a refletir sobre Oxalá, orixá cultuado em nossa Casa, na força de nosso Pai maior, que traz, no sincretismo com Jesus Cristo, grandes ensinamentos que nos inspiram a mais pura coragem e determinação para conduzirmos nossa jornada como seres em processo de aprimoramento, nesse mundo de tristezas e felicidades. “Como um pai misericordioso, que comanda este grande universo, nos dá a oportunidade de ir e vir através da reencarnação, quantas vezes for necessário. É nesse vaivém que nos transformamos em pessoas melhores, em verdadeiros filhos de Deus1

Em quantos momentos nos encontramos diante da sensação de que “a vida” é um enorme desafio? E quantas outras vezes também sentimos que “viver” representa parte de um objetivo maior: uma oportunidade de tornar-se algo melhor, ao superar as dificuldades que surgem a cada dia? Se, por um lado, nossos olhos veem o mundo como um constante exercício de superação; por outro, muitas vezes nos deparamos com um turbilhão de sentimentos, emoções e sensações que surgem como neblina ao longo de nosso caminho. Fato é que, diariamente, em meio às incertezas da vida, temos a oportunidade de nos conectarmos com algo capaz de nos impulsionar, a tentar mais uma vez e quantas forem necessárias. E que força é essa, fundamental para nos impulsionar a prosseguir nessa jornada, com altos e baixos, tão única e tão particular ao existir? Fé, um sentimento, uma sensação, uma ação com a certeza de que cada segundo está certo, inclusive este momento, para aprendermos algo melhor.  Essa é a força representada por Oxalá, é o orixá que “traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes2”. 

Ao compreendermos Orixá como energia que rege o universo, podemos entender que, muito além da materialidade do nome, da cor que o representa, das características atribuídas a seus filhos de cabeça, o seu principal sentido está no princípio que afirma, na sabedoria que representa e nos valores que confirma. Elementos capazes de verdadeiramente orientar o que externalizamos em nossas ações no dia-a-dia.  Nas intempéries da vida, encontramos a fé, como uma força capaz de nos conduzir e nos dar coragem de enfrentarmos nossas batalhas pessoais. Em sua essência, essa força é representada por Oxalá.  O equilíbrio das energias em sua essência e diversidade é fundamental na estrutura harmoniosa do universo. Assim, em sua representação mitológica, “Oxalá merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família. Cada membro da família tem suas funções e o direito de se inter-relacionar de igual para igual com todos os outros membros, o que as lendas dos Orixás confirmam através da independência que cada um mantém em relação aos outros”.

 Como energia acolhedora e misericordiosa, Oxalá traz equilíbrio à vida, ao passo que nos permite liberdade para nossas escolhas frente ao que nos deparamos. “Orixá maior, responsável pela criação do mundo e do homem. Pai de todos os demais Orixás, Oxalá (Orinxalá ou Obatalá) foi quem deu ao homem o livre arbítrio para trilhar seu próprio caminho3. Faz parte de nossa jornada vivenciarmos mistos de sofrimentos e alegrias. Mas podemos rogar a Oxalá a energia inspiradora para nos fortalecer face às dificuldades que enfrentamos e às dores que nos desolam. Em sua missão de “ser humano em carne e osso”, Jesus nos mostrou da maneira mais concreta os ensinamentos que se propôs a transmitir: sabedoria da fé, a certeza de que vencer é uma questão de não desistir de tentar. 

Você sabia?

Saudação a Oxalá no ACVE: “Salve Oxalá. Salve todos os Orixás”

Animais: caramujo, pombo branco. 

Bebidas: água. 

Chacra: coronário. 

Cor: branco. 

Comemoração: Festa do Senhor do Bonfim. 

Comidas: canjica (talvez seja sua comida mais conhecida); arroz-doce. 

Contas: brancas leitosas. 

Corpo humano e saúde: todo o corpo, em especial o aspecto psíquico. 

Dias da semana: sexta-feira e domingo. 

Elemento: ar. 

Elementos incompatíveis: bebida alcoólica, dendê, sal, vermelho. 

Ervas: a mais conhecida talvez seja o tapete-de-oxalá (boldo). 

Essências: aloés, laranjeira e lírio. 

Flores: brancas, especialmente o lírio. 

Metal: ouro (para alguns, prata). 

Pedras: brilhante, cristal de rocha, quartzo leitoso. 

Planeta: Sol. 

Pontos da natureza: praia deserta ou colina descampada. 

Sincretismo: Deus Pai, Jesus Cristo (em especial, Senhor do Bonfim).

 

Você sabia que Oxalá também é sincretizado com Nosso Senhor do Bonfim?

 A devoção ao Senhor do Bonfim, em Salvador, destaca-se, no século XVIII, por uma promessa feita por um capitão de mar e guerra que, cumprindo-a, fez trazer uma imagem de Setúbal (Portugal). A imagem ficou na Igreja da Penha até 1754, quando foi transferida para a parte interna da Capela do Bonfim, que já estava pronta. A Festa da Lavagem do Bonfim é um ritual sincrético que remonta às chamadas Águas de Oxalá, celebradas especialmente no Candomblé, com ritual próprio.

 

Referências gerais: 

O livro essencial da Umbanda – http://cabana-on.com/Ler/wp-content/uploads/2017/08/O-Livro-Essencial-de-Umbanda-Ademir-Barbosa-Junior.pdf

Coletânea da Umbanda – Manifestação do espírito para a caridade - http://www.umbanda.com.br/phocadownload/livros/AS%20CORPORACOES%20ORIXAS.pdf

Caminhos de luz: apostolados afro-descendentes no Brasil - http://www.editora.vrc.puc-rio.br/media/ebook_caminhos_luz.pdf

Conhecendo os Orixás - https://www.curaeascensao.com.br/downloads/CONHECENDO_OS_ORIX%C3%81S.pdf

Oxalá - https://pt.scribd.com/document/250445280/Oxala-pdf

 

Oxalá - http://www.tuld.com.br/doc/oxala.

 

http://www.editora.vrc.puc-rio.br/media/ebook_caminhos_luz.pdf

2https://www.curaeascensao.com.br/downloads/CONHECENDO_OS_ORIX%C3%81S.pdf

3http://cabana-on.com/Ler/wp-content/uploads/2017/08/O-Livro-Essencial-de-Umbanda-Ademir-Barbosa-Junior.pdf

 

Terça, 16 Janeiro 2018 10:54

OXALÁ

Oxalá: essa talvez seja a palavra mais conhecida da Umbanda. Apesar disso, provavelmente não foi em um terreiro a primeira vez que você ouviu esse termo. Isso porque a palavra “oxalá” pode ser usada de diferentes formas. Assim, é importante, antes de aprofundarmos o tema, esclarecermos essas diferenças.

Tradicionalmente, o termo “oxalá” pode ser usado com dois significados diferentes: etimológico e religioso. Primeiramente, de acordo com os linguistas, “oxalá” parece ser uma adequação da expressão árabe “in sha Allah”, que significa “se Deus quiser”, e é utilizada como interjeição, para expressar o desejo de que algo aconteça. É sinônimo de “queira Deus!”, “tomara!”, “quem me dera!”.

Já no âmbito religioso, a palavra “oxalá” tem origem no termo “orixalá”, que significa o orixá dos orixás, associado à criação do mundo e da espécie humana, além de simbolizar a paz. É o maior orixá da Umbanda, podendo ser ele considerado a própria religião em sua magnitude.

Agora que você já sabe o conceito, vamos aprofundar o estudo sobre Oxalá no contexto religioso, mais propriamente na nossa Umbanda.

 

Principais características

 

Com relação às características de Oxalá, talvez a primeira que nos venha à mente seja relacionada à cor que o representa. Na Umbanda, quase todas as referências a esse orixá são na cor branca. O branco de “oxalá” representa a paz, a bondade, a limpeza, a pureza espiritual e tudo aquilo que possa indicar positividade. Essa cor está presente em roupas, velas, guias, fitas, flores e oferendas para esse orixá.

Outras características importantes de Oxalá são: a estrela de cinco pontas, a cruz, o cajado, o peixe e a pomba da paz como símbolos; dia 25 de dezembro como data comemorativa; a água mineral como bebida; a sexta-feira ou o domingo como dias da semana; “Epá Babá” como saudação; o manjericão, o saião e o boldo estão entre as suas ervas sagradas; praias desertas, colinas descampadas, campos e montanhas estão entre seus pontos de força na natureza.

 

Sincretismo

 

Antes de entrar nessa questão, é importante esclarecer o que é sincretismo. Sincretismo é a fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos. Numa explicação informal, sincretismo seria como uma equivalência entre doutrinas religiosas.

Dito isso, não é difícil compreender porque Oxalá, o orixá da luz divina, foi sincretizado com Jesus Cristo ou Nosso Senhor do Bonfim. Para entender melhor, vamos relembrar um pouco o período da escravidão. O início desse processo de sincretismo remete à chegada dos negros africanos ao Brasil, época em que eles não podiam manter suas crenças e religiões. Naquela época com fé Cristã imposta pelos jesuítas, os negros acabaram por identificar em Jesus as características de Oxalá, começando assim o sincretismo entre os dois.

 

Filhos de Oxalá

Com relação aos filhos de Oxalá, são algumas das suas características: são altivos, generosos, muito detalhistas, perfeccionistas, defendem os injustiçados, brincalhões, alegres, faladores, idealistas. Além disso, relacionam-se muito bem com os filhos de outros orixás, apesar de demorarem a ter confiança em outras pessoas. Por fim, outra característica forte dos filhos desse orixá é a facilidade de perdoarem os outros, possuírem capacidade de liderança e serem bastante dóceis e calmos.

No Terreiro

 

Em um terreiro de Umbanda, a reverência a Oxalá está presente de várias formas. Desde a imagem no centro do congá até a paz e o amor transmitido pelos pretos-velhos, tudo está ligado à força de Oxalá. Na próxima vez que estiver num terreiro, convido você a observar as imagens, os quadros, as músicas e todas as outras reverências ao nosso Pai Maior. Perceba que tudo está interligado e que Oxalá está presente por toda a parte. Ainda, espero que você consiga sentir no seu coração essa energia de amor, luz e paz, porque com certeza Oxalá estará com você.

 

Por fim, depois de todo o exposto, fica fácil notar a importância de Oxalá para a Umbanda. Afinal, não existe Umbanda sem ele. Ele é a luz que equilibra todos nós. É por Oxalá, que tudo se congrega em torno da fé. Fé que dá sentido à vida, que impulsiona o homem a sempre buscar o Divino e tudo que emana Dele. Mas lembre-se de que a vibração de Oxalá reside em cada um de nós. Por isso, faça por merecer essa benção e nunca deixe essa luz apagar. Salve Oxalá!



 

 

Quaresma é um termo empregado para se referir ao período de quarenta dias que se inicia após o Carnaval (na quarta-feira de Cinzas) e se encerra no Domingo de Ramos, que antecede ao Domingo de Páscoa.

Esse período é de extrema importância para os católicos, visto que a Quaresma é um procedimento ritualístico próprio do catolicismo. Assim sendo, nesse período os católicos, dentre outros cristãos, entram em um estado de imersão, recolhimento e prece como forma de preparação do corpo e do espírito para receber o Cristo vivo, que é representado pela Páscoa. Sendo assim, esse é um período mais propício para os adeptos do catolicismo vivenciarem provas e desafios, superar o pecado, os conflitos e as adversidades.

A Quaresma simboliza os quarenta dias em que Jesus esteve no deserto superando provas e tentações. Assim sendo, como forma de respeito ao período do sofrimento e jejum do filho de Deus, cristãos de diferentes correntes religiosas costumam se privar de desejos e vícios, acreditando que, assim, estariam depurando seu espírito para a ressurreição de Cristo. Conta a tradição que, nesse período, os portões do inferno são abertos e todas as consciências inferiores são capazes de exercer maiores influências sobre os encarnados. Por isso a importância das orações e recolhimento espiritual.

Nós da Umbanda respeitamos o fundamento da Quaresma e reconhecemos que muitos de nossos adeptos seguem esse procedimento ritualístico, o que é extremamente normal, afinal, a Umbanda reúne e sincretiza elementos variados do catolicismo. Todavia, chamamos atenção para o fato de que não é apenas no período da Quaresma que devemos nos policiar. A importância do recolhimento espiritual deve vigorar por todos os 365 dias do ano.

Devemos compreender que não é apenas no período da Quaresma que o ambiente se torna mais vulnerável ao ataque de obsessores, afinal, somos suscetíveis a influências de espíritos trevosos a todo momento, por isso a importância de mantermos nossa vibração energética elevada. Sendo um pouco mais austero, em outras palavras, o que queremos dizer é que pouco importa para a espiritualidade amiga se você se mantém recolhido durante a Quaresma, mas que, nos outros dias do ano se torna uma pessoa negligente e de difícil convivência. Devemos trabalhar nossas más tendências a todo o instante, desenvolvendo sensibilidades que nos levem à compaixão, caridade, humildade, respeito, temperança e amor. Ser uma pessoa agradável é uma obrigação que devemos ter 365 dias do ano, 24 horas por dia e 60 segundos por minuto.

Por fim, se buscarmos nos desenvolver rumo ao progresso e evolução, fazendo a reforma íntima em um processo contínuo de autoconhecimento e intimidade espiritual, teremos Cristo vivo permeando nossa alma por toda a nossa existência e não apenas por 40 dias como muitos acreditam.

Que a paz de Cristo esteja com você. Salve Oxalá!

 

 

Sexta, 23 Dezembro 2016 14:29

OXALÁ, MEU PAI!

Ao pesquisar sobre Oxalá, é possível encontrar no site “Wikipedia” uma alusão entre a palavra Oxalá e a expressão “insha Allah” proveniente do árabe, que pode ser definida como: “se Deus quiser”. Quão interessante é associarmos essa expressão ao sincretismo feito entre o Orixá Oxalá e Jesus Cristo. E, assim, percebemos que não foi em vão o fato de Jesus ter sido chamado de “O Consolador Prometido”.

Pelas passagens bíblicas conhecemos a história de Cristo e percebemos o quanto ele foi devoto das leis Divinas e entregou nas mãos do Pai Maior todos os seus passos, inclusive no momento de desenlace do corpo material.

Em Mateus 11,28-30 temos uma de suas famosas frases: “vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve”. 

Assim, vemos que, ao nos conectarmos com Jesus, estamos na verdade nos remetendo também a essa energia de confiança em Deus, onde as provas e expiações se tornam mais brandas e suaves. E aí, a associação entre Oxalá e O Messias fica muito mais clara, pois a energia desse orixá irradia exatamente esse sentimento: fé.

A fé que sustenta a serenidade e a perseverança. A certeza que abranda o coração e nos faz dar graça por tudo o que nos acontece. Os momentos de adversidade se tornam breves e leves, pois quando se tem confiança em uma energia maior que nos guia, o futuro abundante se torna certo. E, com isso, a alma se preenche de paz.

A fé que transporta montanhas e que traz para o espírito a certeza de que os tormentos são passageiros e, por isso, não se perde a quietude interior. A paz se desenvolve quando acreditamos em nós mesmo, quando confiamos que somos capazes de resolver e lidar com os dissabores que nos chegam. Então, nos momentos de desesperança é por esse Orixá que devemos buscar.

Cristo foi um grande pregador, talvez o melhor orador que já tenha discursado sobre a Terra. Ele foi e ainda é um líder. Por meio de suas parábolas, além de nos mostrar o caminho a ser seguido, ele irradia o sentimento que desperta nos homens a crença em algo maior. E, mais do que isso, ele disse que “somos a imagem e semelhança do criador”. Ou seja, esse algo maior que existe também está presente em nosso ser. Acreditar em Deus também é crer que somos capazes de coisas grandiosas.

Essa qualidade não se restringe ao campo religioso, afinal quando temos fé em nós mesmos todas as áreas de nossa vida se desenvolvem: profissional, financeira, amorosa, familiar. Não estamos nos referindo ao egocentrismo e ao egoísmo, mas, sim, em saber reconhecer nossas próprias qualidades e, com isso, sabermos nos posicionar e nos direcionar para aquilo que desejamos. Por isso se diz que Ele é o orixá maior, e que sustenta todos os demais. Para se receber as demais qualidades divinas é necessário que se veja como merecedor.

E quando se diz que fomos moldados no barro, nada mais justo do que considerarmos que somos seres passíveis de mudanças. Seres em constante remodelagem, onde as crenças se aprimoram com nosso caminhar espiritual.

No dia 25 de dezembro, o desencarne de Consolador pode ser “celebrado” como a “morte” de nossos velhos paradigmas, para que se dê lugar aos aprendizados que nos impulsionam para a verdade: que a vida é eterna e que todos somos provenientes do Cosmos!

Epa Baba, Oxalá!

 

 

Em 2016, nosso planeta está sob a regência sublime do orixá Oxalá – que receberá ainda o suporte e o auxílio de Yemanjá nessa tarefa. A cada “virada” de ano, vivenciamos momentos de revisão de metas cumpridas, fracassos, vitórias, mudanças, mas principalmente momentos de firmar os olhos no horizonte e desejar para o ano que se inicia tudo aquilo que ainda nos falta. Ao final de um ano de Ogum (2015) – quando grande parte de nós encontra-se cansado de batalhas, discussões, conflitos tanto em nível mundial quanto em nossas vidas particulares –, não é de se estranhar que desejemos um “descanso de guerreiro”, um remanso para repousar depois de toda agitação que vivemos.

Pai Oxalá, que tem o céu limpo de nuvens como sítio natural e, como cor fundamental, o branco, é o orixá extremamente respeitado e reverenciado na Umbanda como o pai de todas as cabeças (por isso todos podemos bater cabeça no congá – onde a imagem de Oxalá (representado por Jesus) impera –, cobrir nossas coroas com a cor branca universal e vestir branco em nossas giras), tem como axé característico a força da VERDADE e o poder da FÉ. O astro regente deste orixá é o Sol, que ilumina o mundo e nos possibilita enxergar as coisas como são realmente, além disso, o Sol nos fornece diariamente um grande exemplo de esperança, confiança e fé: ele se põe no horizonte e, no tempo certo, volta a renascer para um amanhã totalmente novo, único. Se estivermos dispostos a enxergar a vida, nossos conflitos e nossos irmãos sob a luz da verdade espiritual, Oxalá nos ajudará muito neste ano a alcançarmos a tão aclamada paz interior, a harmonia e a sabedoria que nada mais são do que consequências da nossa conexão com o alto. 

Lidar com a verdade, apesar de ser libertador e um requisito indispensável para nossa evolução espiritual, não é nada fácil e pode ser bastante desagradável, já que comumente construímos castelos de ideias de areia, nos apoiamos em relações e sentimentos que nem sempre expressam a verdade de nossos corações. Por isso, Mãe Yemanjá poderá nos auxiliar a aceitarmos e acolhermos com amor as nossas próprias dificuldades e limitações, tornando esse desafio menos árduo. Orixá dos mares, Yemanjá é cultuada na Umbanda do ACVE com as cores branco e azul marinho; é conhecida nos cultos afro como a mãe de todos os orixás e carrega consigo a força de todas as Yabás. Yemanjá tem um pouco de Nanã (avó), um toque de Oxum (a jovem bela), um ar de Yansã (a guerreira corajosa): ela é o princípio feminino em sua essência. Para compreendermos o que Yemanjá pode nos proporcionar em 2016, basta pensarmos no mar, em sua energia e força. Movimentos sutis como o do luar influenciam o mar (como nas marés) com muita intensidade, porém, para que ele manifeste seu lado furioso é preciso um enorme movimento das rochas subterrâneas (maremotos). A vibração de Yemanjá nos deixa mais perceptivos em relação aos detalhes, aos sentimentos, mais empáticos com os outros. Ao mesmo tempo – assim como um mar de superfície calma e movimentos repetitivos esconde grande agitações e vida abundante em seu interior – esse orixá nos pacifica em relação aos conflitos externos e intensifica nossos desejos, sentimentos e emoções interiores. Assim, compreendemos que Yemanjá carrega o axé da SENSIBILIDADE e da EMOÇÃO. Ela pode nos auxiliar acalmando nossas ansiedades, nos proporcionando serenidade e nos tornando acolhedores e pacíficos, embora o excesso de emotividade possa nos afligir em alguns momentos. Faz-se necessário que estejamos dispostos a este mergulho em sentimentos e, principalmente, em fraternidade para que vivenciemos toda a proteção que o acolhimento de Yemanjá nos oferece

Ao experimentarmos um contato sensível amoroso com a vida, percebemos inevitavelmente a verdade já anunciada há milênios por grandes almas que passaram por este planeta: todos somos um, irmãos e companheiros, partilhando caminhos diversos, mas que levam sempre à luz. Desse modo, este ano oferecerá, sim, aos guerreiros (todos nós que buscamos superar desafios) o descanso e a harmonia desejados. Basta que estejamos abertos e nos tornemos influenciáveis por essas forças de paz e caridade, de fé e amor. Um 2016 carregado de alegrias e de axé para todos nós! Epa Babá, Oxalá! Odocyaba, mãe Yemanjá! 

 

Terça, 01 Dezembro 2015 11:05

Oxalá

♪“Energia Maior, poderoso Orixá, é OXALÁ, a luz que fortalece o nosso Congá (...)!”♫ 

As qualidades divinas essenciais da fé, da geração, da justiça, da lei, do conhecimento, do amor, da evolução são as energias formadoras das sete linhas da Umbanda, manifestadas e regidas por sete Orixás: Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxossi, Yori (Ibeji), Yorimá (Almas). Essas forças regentes, que podem até ser chamadas de divindades, por serem a própria manifestação de Olorum – Deus Supremo, o incriado, e irradiam o Axé aos seres humanos (sencientes/sensíveis) com o objetivo nobre de auxiliá-los no cumprimento da jornada física e espiritual. A Umbanda traz em seus fundamentos o culto e o respeito a essas forças geradoras de energia (Orixás), que se complementam para cumprir o equilíbrio de tudo e de todos. Quando se cultuam os Orixás, reverenciam-se também as forças elementares oriundas da água, da terra, do ar, do fogo etc, pois cada um representa uma força natural.

Ao falar de Axé, Natureza, Olorum, Cosmos, Terra (Aiye), Céu (Orun), destaca-se a energia Maior, o poderoso Orixá: Oxalá. É conhecido como o “Rei do Pano Branco”, o grande Orixá, o Orixá Maior dentro da Umbanda e do Candomblé, o responsável pela criação, por preencher o vazio. É cultuado como o senhor de todas as coisas e do universo, pois é ele que está na regência primordial da criação divina. É o princípio masculino potencial, aquele que preside os desígnios de Deus. Na natureza, Oxalá está presente em todos os locais limpos e puros, como praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, entre outros. No sincretismo do Centro-Sul do país, é Jesus Cristo sem a cruz e com os braços abertos, e Nosso Senhor do Bonfim no Nordeste, especial mente na Bahia. Seu dia são todos, em especial a sexta-feira. Seus atributos são a fortaleza, a paciência, a maturidade, a sabedoria, o equilíbrio, a fartura, a riqueza, a força, o raciocínio pleno, o estabelecimento da ligação com a espiritualidade, a fé, a compreensão do “religare” com o Cristo interior, a manutenção da paz no ambiente e entre os seres criados, a busca pelo aprimoramento e a constante reflexão sobre aspectos da existência. Oxalá está no silêncio. Sua cor é a branca, síntese de todas as cores. Manifesta-se na Umbanda de duas formas: Oxalufã (Oxalá-Velho) e Oxaguiã (Oxalá-Jovem).

Oxalufã, velho e sábio, usa o Opaxorô, grande cajado de metal branco com três pratos, que representa a sua supremacia sobre os planos terreno e espiritual. O pássaro que está pousado na ponta do cajado é um mensageiro entre essas dimensões. Os pratos são para carregar e distribuir o alimento sagrado a todos os seres. Os pingentes, que estão presos aos pratos, simbolizam os presentes que foram ofertados a ele. O pano branco, chamado Alá, é usado para proteger todos os seres criados e para representar a separação entre a Terra e o Céu. Oxanguiã, manifestação jovem, guerreira, vigorosa, forte, astuta e nobre, usa a espada (sabre) e a mão de pilão, ambos feitos também em metal branco, além de Ofá (arco e flecha), Atori (vara) e o escudo. Oxaguian e Ogum possuem uma grande ligação. 

E agora, diante desse novo conhecimento, o quê fazer?! Como Oxalá é o irradiador da fé em nível multidimensional, que está na base de todas as qualidades divinas, é o Cristo interno e vivo. Então, cabe a nós ativar essa qualidade em nosso benefício. Isso ocorre quando fazemos uma oferenda, quando oramos, mas, principalmente, quando, no silêncio do recolhimento, limpamos e alimentamos com amor o mais valioso Congá: o nosso coração.