Iansã (3)
Eparrei, Iansã
Resumo Completo – Edição de Dezembro | Estrela Guia de Aruanda
A edição de dezembro reúne conteúdos diversos que aprofundam o conhecimento espiritual, fortalecem a fé e orientam os consulentes do ACVE. O jornal apresenta desde orientações práticas para quem frequenta a casa até estudos doutrinários sobre Umbanda, Espiritismo, energia vital e tradições ancestrais.
1. Orientações ao Consulente
A abertura relembra que o terreiro é um espaço sagrado. Há orientações sobre vestimentas adequadas, postura durante os trabalhos, silêncio nos momentos de concentração e cuidados com pertences. Também são apresentadas as datas das giras do mês em Valparaíso, Cristalina e Palmelo, contemplando linhas como Ogum, Esquerda, Ciganos e Desenvolvimento Mediúnico.
2. Mensagem Inspiradora
A edição traz reflexões poéticas sobre o tempo e a transcendência, relacionadas aos mistérios das passagens espirituais — especialmente a figura do Senhor Sete Porteiras — reforçando o simbolismo da transição entre mundos e a atuação espiritual nos caminhos da vida.
3. Itans e a Força de Iansã
Um dos textos centrais explora os mitos e tradições que envolvem Iansã, a senhora dos ventos e das tempestades. São apresentados seus símbolos (espada, borboleta, eruexin, chifres de búfalo) e sua relação com Santa Bárbara no sincretismo. A matéria discute a coragem, o movimento e a transformação como marcas da energia dessa poderosa Yabá.
4. Irmã Scheilla e a Cura Espiritual
Um estudo completo relembra a trajetória espiritual de Irmã Scheilla, conhecida no movimento espírita por seu trabalho de amparo, cura e caridade. O texto revisita sua vida como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial, sua atuação espiritual após o desencarne e sua presença nas tarefas de cura, como na Sala de Cromoterapia do ACVE. São ressaltados seus ensinamentos sobre humildade, caridade e reforma íntima.
5. São Lázaro e Omolu — Dor, Cura e Renovação
A edição dedica um espaço ao sincretismo entre São Lázaro e Omolu, celebrado em 17 de dezembro. São discutidos:
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a simbologia da doença e da cura,
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o sentido das oferendas (como pipoca, milho branco e água),
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a importância das giras de limpeza espiritual,
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e a visão integrada da cura — física, emocional e espiritual.
O texto evidencia o equilíbrio entre sofrimento e superação.
6. As Sete Linhas da Umbanda
Um estudo didático apresenta a estrutura espiritual das sete linhas de Umbanda e sua relação com as vibrações divinas. Cada linha é explicada com o significado dos nomes dos orixás e suas funções:
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Oxalá, Oxóssi, Ogum, Xangô, Yorimá, Yori e Yemanjá.
O texto detalha seus campos de atuação, a hierarquia espiritual e o papel dessas vibrações na proteção, orientação e cura.
7. Chakras, Corpos Sutis e Energia Vital
Um conteúdo amplo aborda os sete chakras principais e sua relação com as glândulas endócrinas, explicando:
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suas funções energéticas,
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sua conexão com emoções e estados de consciência,
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e o papel da Kundalini na ascensão energética.
O texto descreve cada chakra de forma clara, de Muladhara (básico) ao Sahasrara (coronário).
8. O Atabaque e a Reflexologia das Mãos
Outra matéria explica como o toque no atabaque vai além da música. O texto relaciona:
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o ritmo do instrumento,
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o alinhamento energético do médium,
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e os pontos reflexológicos das mãos.
Mostra como regiões ativadas pelo toque correspondem a órgãos, chakras e emoções, favorecendo equilíbrio e organização energética durante os trabalhos.
9. O Poder das Ervas — Boldo e Bambu
A edição apresenta um estudo sobre o uso ritualístico das ervas:
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Boldo (tapete de Oxalá): erva da calma, purificação e clareza mental.
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Bambu de Iansã: símbolo de movimento, limpeza energética e coragem diante das mudanças.
O texto mostra como ambas representam forças complementares — serenidade e ação — e destaca que receitar banhos é atribuição do pai e das mães de santo.
10. Meditação, Força de Vontade e Autodomínio
Um ensaio aborda a meditação como ferramenta universal de equilíbrio emocional e autoconhecimento. Traz referências ao yoga, a mestres como Patañjali e Vivekananda e discute a disciplina mental como caminho de transformação. Também dialoga com a cultura contemporânea através da história de “Henry Sugar”, de Roald Dahl, mostrando a união entre espiritualidade, foco mental e transcendência.
11. Recomendações culturais e estudos
Por fim, a edição apresenta indicações de livros, palestras e reflexões sobre espiritualidade, incluindo:
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projeção da consciência e desdobramento espiritual (Wagner Borges),
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filosofia iorubá e a importância do Orí (Márcio de Jagun),
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palestra sobre sincronicidades (Lúcia Helena Galvão).
As artes da edição incluem imagens de domínio público, contribuições de artistas e elementos gerados por ferramentas de inteligência artificial.
Olá, nesse momento em que falaremos sobre Iansã, convidamos você a refletir sobre os acontecimentos na sua vida: como você vê as mudanças que chegam para você? O que essas mudanças querem te dizer? Você enfrenta com energia as mudanças que chegam? Agora, pense em Iansã, com todo o seu respeito e devoção. Quando você ora por Iansã? O que Iansã representa na sua vida? O que ela te ensina?
Chamar por Iansã significa sair da inércia. Iansã é energia que proporciona a transformação, que nos faz transcender. Sempre que clamamos por sua força, ela aparece, irradiando energia para não deixar nada como está. Iansã, nossa guerreira dos raios, dos ventos e das tempestades, é presença que nos impulsiona a mudar, a fazer diferente, a ver a vida de outro ângulo, a agir.
Iansã oferece para as pessoas a direção em seus propósitos. Iansã representa o olhar profundo sobre todas as coisas para fazer com que enxerguemos melhor que os caminhos que permitem a continuidade e a sustentação da vida podem ser os mais diversos. Muitas vezes, tendemos a temer as mudanças que chegam e caem nos nossos colos e temos dificuldade de escutar o que elas querem nos dizer. Nem sempre paramos atentamente para fazermos a leitura correta das entrelinhas da mudança porque tende a nos incomodar.
Deparamo-nos com situações em nossas vidas que nos paralisam por acharmos que não temos força ou porque um mundo desconhecido será descortinado. Não sabemos o que iremos encontrar. Assim, é mais fácil mantermos a zona de conforto para continuarmos a fazer sempre tudo igual, dentro do script, impossibilitando-nos de ir adiante. Ao deixarmos chegar a força transmutadora e transformadora da nossa guerreira Iansã, entendemos que o que a vida quer de nós é coragem para mudar, para enfrentar o novo, o desconhecido, o que nos incomoda. Coragem para manter a firmeza diante dos propósitos e das defesas em torno do que é justo e sábio. Coragem para enfrentar a luta constante com a qual nos deparamos no ringue de todos os dias.
Nossa senhora dos raios, dos ventos e das tempestades lembra-nos que um raio nunca chega só. Faz-se presente com o estrondo do trovão e com a radiação do relâmpago. Forças que se unem e anunciam a chegada da tempestade. Dizem que os raios podem ter auxiliado na sustentação da vida ou no surgimento do fogo. Apesar de temido pela sua força, aquela descarga elétrica serve para diminuir a tensão das nuvens. Tudo isso é o poder da natureza que se precipita para anunciar a chuva que chega. E Iansã reúne vários elementos da natureza. Iansã é fogo, vista pelos raios; Iansã é água, uma legítima Yabá, vista pelas chuvas. Iansã congrega as forças do tempo e nos ensina que a tempestade precisa vir para nos lembrar da importante existência da bonança. Eparrei Oyá!
Os negros trouxeram consigo, ao adentrarem nosso país em navios negreiros, uma herança linda de cultos e lendas que, por meio de suas parábolas, nos explicam a história da criação do mundo e das culturas. Uma dessas lendas é a do Orixá feminino Iansã que, com sua força, tem impulsionado as pessoas a lutarem por seus direitos a uma vida justa.
Iansã é a divindade representada pela força dos raios e das tempestades, movimentando tudo com o seu vento avassalador. Esses fenômenos da natureza são algumas das ferramentas utilizadas por ela para ativar o seu mistério impulsionador, o mesmo que faz com que cada ser busque seu desenvolvimento moral, espiritual e também material por meio de mudanças. Assim, todos que estão fora do caminho de Olorum recebem diretamente a energia de Iansã até que mudem seu estado consciencial e entendam qual o melhor caminho a traçar. O vendaval traz destruição, mas depois da tempestade sempre vem a bonança. A natureza nos ensina que às vezes é preciso destruir para gerar a mudança necessária que conduz ao divino.
Ela é o orixá feminino guerreiro que representa a capacidade de luta e busca contida em homens e mulheres. Ela representa a força e a curiosidade e traz como símbolo a espada e o eruexim (espécie de espanta-moscas feito com rabo de cavalo). Com a espada ela aplica a justiça divina e com o eruexim ela encaminha os espíritos errantes para o caminho do bem. É forte, guerreira e mãe. É dura quando necessário, mas também é branda e amorosa. É leal e companheira, sempre disposta a ajudar e não há tarefa árdua o suficiente para esse orixá.
Essa personalidade forte, descrita nas lendas de Iansã, se reflete na personalidade de todas as pessoas batalhadoras. Por ser representada com o arquétipo feminino, pode ser relacionada às mulheres – que foram escravizadas e tiveram que lutar e tomar atitudes cruéis para que seus filhos não fossem escravos também; que ainda hoje são dominadas por uma cultura machista e permanecem sem direito de expressão; que têm que lutar para ter o direito de escolher como se vestir e se comportar. Iansã é uma forma de identificação e de autoestima para todos que lutam para causar mudanças positivas na sociedade, em qualquer âmbito, seja pelo exemplo de luta e honestidade passado àqueles mais próximos ou por meio de projetos sociais com maior projeção. Iansã se resume à luta contra o que traz sofrimento e desigualdade, sua energia atua em todos gerando mudança e progresso. Eparrey! Iansã venceu demanda!