Ritualística ACVE

Ritualística ACVE (9)

Quinta, 19 Julho 2018 14:38

ELEDÁS

Quando visitamos um lugar diferente pela primeira vez, ficamos olhando, desconfiados, tentando decifrar tudo aquilo que nos rodeia. Em templos religiosos, não é diferente, ainda mais em um terreiro de Umbanda, onde tudo é místico e novo. Esses “mistérios” começam na porta. Afinal de contas, por que sempre há pessoas, no portão, já vestidas com a roupa da gira mesmo antes de começar o trabalho? Quais são suas funções?

Eles recebem o nome de Eledás e são responsáveis pela guarda, são os vigias do terreiro. Mas como é isso? São responsáveis por “filtrar” as pessoas que por ali passam: se são consulentes interessados em participar da gira, se estão com alguma atitude suspeita, ou se são apenas curiosos. Devem estar sempre atentos a todos que ali transitam e às dependências externas do terreiro. Têm sua própria firmeza e fazem uso do charuto para fazer a primeira transmutação de energias de todos que entram.  Constituem a guarda física do terreiro. Como são as primeiras pessoas à vista de quem entra, ficam também responsáveis por tirar dúvidas a respeito do trabalho realizado no terreiro, indicam onde devem pegar fichas para o atendimento com as entidades, os horários das atividades, etc.

São os responsáveis por toda a parte externa do terreiro até a tronqueira. São os olhos e ouvidos do nosso Pai de Santo, a quem reportam tudo o que acontece, sempre de forma discreta e educada. São de extrema importância para o terreiro e exercem função de confiança. Usam a Espada de Ogum em referência ao Orixá Regente de nossa casa, símbolo de proteção, guarda, observação e vigilância.

Na Clínica de Holopsi Consultórios Psicoterápicos, situada na SHLS 716, Edidício Pio X, em Brasília, teve início o ACVE, em 19/05/1991, com a necessidade de fazemos reuniões mensais de sustentação mediúnica e de limpeza espiritual do ambiente, com o auxílio dos benfeitores superiores iluminados na luz crística. Este suporte veio de médiuns oriundos do Centro Espírita André Luiz do Guará II, num total de 7 irmãos: José Artur Mundim, Geralda Maria Moraes Lettieri, Pedro Lettieri Júnior, Jovercy Machado, Deocy e Cláudio.

O amigo espiritual Rafael Thomas, que foi médico alemão durante a Segunda Guerra Mundial, compareceu nesta primeira reunião, acompanhado de mais dois companheiros espirituais, os quais, quando encarnados na Alemanha, trabalharam como médicos e diretores em um grande hospital e desencarnaram em um bombardeio ocorrido naquele local. O hospital foi atacado, pois o III Reich não concordava que o corpo técnico do hospital continuasse a atender todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial, fosse quem fosse, independentemente de suas origens étnicas.

Eles contrariaram e não aceitaram as ordens dadas por seus superiores hierárquicos, que proibia os profissionais de atender e socorrer quem quer que fosse, alemães ou não. Naquele hospital, com uma equipe de profissionais abnegados, eles continuaram atendendo. Exerciam a verdadeira medicina do amor, ações de caridade verdadeira, de salvar vidas independentemente de etnias. A comunicação foi feita através da psicofonia do médium José Arthur.

Os dois outros espíritos que fizeram questão de confirmar presença foram os médicos também alemães Rainer Sister e Leopold (mentor de nossa casa).

De lá para cá, nossa história tem sido construída ao longo de muitos capítulos abençoados por Oxalá, que representam etapas de um processo de desenvolvimento humano, pessoal, familiar, coletivo, profissional, material, social e, claro, espiritual. Tudo isso sustentado por valores sólidos de companheirismo dos irmãos dedicados à causa do Cristo, com fé raciocinada, transparência, caridade e persistência.

Hoje o ACVE é uma realidade de um somatório de obreiros dedicados à causa do bem maior. Ao longo do tempo, tem primado por qualidade, confiabilidade, fé, acolhimento, estabilidade, inovação, estudo, socorro espiritual e material, porém como um “Educandário de Almas” com aprendizagem Cristã.

Somos gratos a Deus por estarmos juntos, levantando templos às virtudes e cavando masmorras aos vícios.

Que Deus nos abençoe sempre em nossos propósitos de Amor ao Próximo.

 

Médium Pedro Lettieri.

Segunda, 02 Abril 2018 08:33

RITUAIS DE UMBANDA

As religiões existem desde que o homem necessitou de uma forma para entrar em contato com o Divino. Seja ela monoteísta (culto a um Deus único) ou politeísta (culto a vários Deuses) toda religião traz, em maior ou menor proporção, rituais. Sejam eles difundidos ou secretos, cada religião possui sua forma de se religar a(os) Deus(es).

O ritual não é uma característica exclusiva das religiões, eles são parte do nosso cotidiano, pois, por muitas vezes, fazemos coisas rotineiras de formas sequenciadas para ter praticidade e atingir um propósito: economizar tempo, ter mais eficiência ou eficácia em algum objetivo... Outros grupos não religiosos possuem rituais como forma de gradualmente ir inserindo membros, progressão de cargos ou postos. No dicionário são definidos como “conjunto de atos e práticas próprias de uma cerimônia ritualística”; ou “conjunto das regras socialmente estabelecidas, que devem ser observadas em qualquer ato solene”. Associado ao termo rito, uma das definições seria “série de procedimentos invariáveis na realização de determinada coisa; costume, hábito”.

E um dos termos que mais é associado a rituais é “magia”. Muitas vezes associada apenas à finalidade no mal, ela sempre traz lembranças de símbolos, velas, livros, palavras não compreensíveis, tudo com uma sequência lógica que apenas os “bruxos” sabem para fazer o que eles querem. Cabe ressaltar que a magia, por si só, é neutra. A intenção de quem a executa é que determina se será utilizada para o bem ou para o mal.

A umbanda, religião cristã, fundamentada na manifestação do espírito para prática da caridade, utiliza a magia somente para a prática do bem. Não existe centro, terreiro ou médium que possa se dizer umbandista e pratique algo diferente da caridade. E, por ser uma religião que utiliza essa ferramenta, possui seus rituais. Mas a umbanda, diferente de muitas religiões, não é codificada. Quando é realizada uma missa, existe um padrão nas igrejas Católicas, por exemplo, que, por um detalhe ou outro, são uniformes durante a sua execução.

Nas casas de umbanda, isso não acontece. Cada local tem sua ritualística definida pelos seus dirigentes espirituais que, junto dos dirigentes encarnados, orientam e constroem os rituais para a prática de trabalho na caridade. Existem diversas variações como nas firmezas, passes, saudações, na curimba (algumas não possuem, outras não utilizam atabaque), nos pontos riscados, nas linhas e nos orixás que são cultuados, na utilização de outros elementos (fumo, velas, bebidas). Consideremos, também, que Umbanda é formada pelo sincretismo de diversas doutrinas e religiões, como o Espiritismo, o Catolicismo, o Candomblé, a Pajelança, cultos indígenas, orientais.... Há elementos que são utilizados conforme a necessidade dos espíritos que ali frequentam, para serem amparados e evoluírem.

Por exemplo, o ACVE possui, na sua constituição, grande influência da doutrina espírita, o que pode ser observado na prática da leitura e comentário do Evangelho Segundo o Espiritismo, da realização de prece de abertura e encerramento dos trabalhos, bem como do estudo da literatura espírita. Esta característica não é comum a todos os terreiros de Umbanda.

 

Exercer a caridade é o único e principal ritual umbandista. Fundamentados na fala do Caboclo das Sete Encruzilhadas: “... todos serão ouvidos, e nós aprenderemos com aqueles que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não...”. E com a certeza da presença de Jesus, pois “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

Terça, 06 Março 2018 08:42

DEFUMAÇÃO

“Corre a gira Pai Ogum, filhos quer se defumar. Umbanda tem fundamento, é preciso preparar”.

A defumação está presente em diversos cultos religiosos. É possivelmente um dos usos mais antigos das plantas aromáticas, havendo registros de sua prática pela civilização egípcia, pelos sumérios e até pelos hindus, estes com registros de 5.000 a.C.

Acredita-se que esses povos já utilizavam a defumação como instrumento de limpeza, equilíbrio, oferenda aos deuses e forma de preparação do espírito, sendo mantidas suas finalidades até os dias atuais, em diversas crenças religiosas.

Preceito da umbanda, a defumação tem papel fundamental no preparo do ambiente, limpando miasmas, purificando o local, favorecendo a movimentação das energias e vibrações positivas dos guias e orixás. Não se trata apenas de “fumaça”, a defumação utiliza a força de ervas, incenso, mirra, entre outros elementos, para ativar campos psíquicos, auxiliando no equilíbrio individual e do ambiente, de acordo com a necessidade.

No terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio, a defumação é realizada de duas formas: defumação normal - de cada médium e consulente - ou defumação cruzada. São utilizadas ervas e elementos aromáticos indicados pelo guia-chefe da casa, que facilitam a concentração, o equilíbrio emocional, o contato com a espiritualidade superior.

Quando realizada a defumação normal, cada médium e consulente gira diante do defumador, deixando a fumaça percorrer o corpo, para limpar os miasmas e larvas astrais. Neste tipo de defumação, o médium ou consulente deve se dispor à limpeza fluídica e mental, girando para a esquerda, de modo que a defumação percorra todo o corpo físico, facilitando o descarrego das energias.

Em razão da extensão do corpo mediúnico da casa, quando realizada defumação normal, é solicitada pelo guia a defumação simultânea de três em três médiuns. O primeiro a receber a defumação, por respeito e por ser o primeiro e maior impacto, é o Pai de Santo da casa. Como, em nossa casa, são separados, no começo da gira, homens de um lado e mulheres do outro, a defumação normal segue a polaridade, de forma que um defumador é destinado para homens e outro, para mulheres.

Ao completar a volta diante do defumador, passa-se “cheiroso” nas mãos. O cheiroso é um preparado de ervas aromáticas, indicado pelo guia-chefe, para assepsia astral, e utilizado após a defumação. Reforça a limpeza fluídica, além de fortalecer o campo áurico.

A primeira diferença, na defumação cruzada, é a movimentação, pois o defumador é deslocado, ao invés de ficar fixo em um local. O defumador é conduzido até cada canto do terreiro e movimentado de forma a fazer no ar o sinal da cruz. A defumação cruzada inicia-se no canto à esquerda do congá e após é realizada no canto imediatamente oposto, seguindo sucessivamente os cantos opostos até cobrir todos os cantos. Deste cruzamento dos cantos do terreiro, origina o nome defumação cruzada.

Na defumação cruzada, são utilizados elementos de entidades e/ou orixás. Assim, logo após a defumação, é jogado, no canto purificado, aquele elemento, visando firmar, fortalecer ou mudar a atuação da linha da casa de acordo com a necessidade. Os cantos são locais de condensação de energia, de encontro e expansão, motivo pelo qual se processa a purificação do ambiente a partir das quinas.

Ao realizar a defumação cruzada, o terreiro é limpo como um todo e uma mudança energética radical é realizada. O impacto energético desta mudança drástica de vibração é tão forte, que todos no ambiente são atingidos, sendo descarregados e equilibrados ao longo do processo, não havendo necessidade de utilização do cheiroso.

Utiliza-se a defumação cruzada para fortalecer o terreiro, médiuns e consulentes. Há também o cruzamento de energias para a casa, onde são invocadas as forças das linhas auxiliares, orixás ou guias para compor aquela gira. A defumação cruzada com utilização de materiais nos cantos só pode ser realizada sob autorização do Pai de Santo da casa, por impactar diretamente na linha de trabalho, no fluxo de energia e no trabalho da casa.

 

Durante a defumação, por ser um momento de limpeza, renovação, firmeza de boas energias, a espiritualidade do Ação Cristã Vovô Elvírio aproveita para autorizar que sejam cruzadas (benzidas) guias e materiais para trabalho, de forma que o dirigente determina um ou mais responsáveis para imantação dos objetos de trabalho.

Didaticamente, os pontos riscados podem ser entendidos como desenhos gráficos com finalidades magísticas, feitos por entidades incorporadas ou irradiadas. O ponto riscado é composto por diversos elementos que podem apresentar significados diferentes quando analisados em conjunto.

Nas giras que ocorrem no Ação Cristã Vovô Elvírio, é possível verificar três momentos em que sempre há a ritualística do ponto riscado, momentos esses que dão origem a três “modalidades” de ponto. São eles: (i) ponto riscado de sustentação da gira; (ii) ponto riscado de trabalho; e (iii) ponto riscado para o compromisso.

A classificação ora apresentada não se limita ao momento em que os pontos são riscados, abarcando não só as finalidades, como também as informações acerca da entidade responsável pelo ponto.

Dessa maneira, faz-se necessário esmiuçar os detalhes de cada uma das modalidades supramencionadas de forma a possibilitar sua identificação nas giras do ACVE.

O ponto de sustentação é aquele riscado pela entidade responsável pela direção da gira e irá indicar a faixa vibratória que irá reger o trabalho do dia.  Normalmente, serão riscados pelos Caboclos, mas quando se demanda a energia de esquerda, são riscados pelas entidades dessa vibração.

Nessa hora, todos os médiuns se ajoelham e reverenciam de modo a fortalecer a segurança e a firmeza do trabalho.

Já os pontos de trabalho, no ACVE, são riscados pelos pretos velhos antes de darem início aos atendimentos. Eles funcionam da mesma forma que os pontos de sustentação, no sentido de invocarem energias e funcionarem como as instruções gerais do trabalho.

No entanto, o ponto de trabalho fica especificamente direcionado à atuação daquela entidade que o riscou e costuma variar em razão da demanda a ser vencida no trabalho que esta por vir.

Por fim, os pontos de compromisso são aqueles riscados pelos caboclos que trabalham diretamente com os médiuns e possuem a finalidade de consagrar o compromisso dos mesmos com o Caboclo dirigente da casa, demonstrando que o médium e a entidade estão preparados para receber novas atribuições e responsabilidades.

Ademais, o referido ponto funciona como identificação, não exclusivamente da entidade em si, mas de sua área de atuação no terreiro, sua função e o seu campo de trabalho.

Logo, costumam conter a indicação sobre os orixás com os quais a entidade e o médium trabalham; sobre cruzamentos energéticos com outras entidades; sobre a energia de atração e repulsão; e sobre a missão e função no terreiro. Todas elas representadas pelos desenhos gráficos que compõem o ponto como um todo.

Por fim, embora possuam diferenças classificatórias, todos os pontos riscados envolvem uma finalidade magística o que exige muito estudo dos médiuns que os irão riscar, haja vista as consequências que podem proporcionar quando riscados sem conhecimento suficiente.

Médium Rafaella Bahia.

 

Referências bibliográficas:

Apostila ACVE;

Osvaldo Solera, A magia do ponto riscado na umbanda esotérica;

Curso de Dirigentes da Fraternidade do Grande Coração, 15ª aula, Pontos Riscados;

 

 

 

Quinta, 01 Setembro 2016 08:59

O QUE É CONGÁ?

Congá ou Gongá é uma palavra de origem africana utilizada na Umbanda Sagrada para denominar o altar onde ficam as imagens dos caboclos, pretos-velhos, santos católicos e outros elementos presentes nas crenças umbandistas. Porém, essa é apenas a parte material, aquilo que podemos enxergar com os olhos do corpo físico, porque espiritualmente o Congá é um poderoso ponto de energia divina.

A palavra altar tem sua origem no latim e significa nutrir, alimentar. Além desse significado, também está associada aos verbos animar, crescer e desenvolver. Estudos arqueológicos mostram que o altar, como elemento litúrgico, está presente na cultura humana desde o seu aparecimento, como uma tentativa de se comunicar com forças superiores. Vários povos contribuíram para a formação do elemento altar como o conhecemos hoje. A Bíblia foi um dos principais elementos de difusão do altar, pois ela contém inúmeras passagens, tanto no velho quanto no novo testamento, que mencionam a existência de altares e o culto aos deuses realizado diante deles.

Assim, essa significação é também adotada na Umbanda. Em nosso Congá, temos elementos que ajudam a nossa mente a direcionar nossos pensamentos para o divino, nos auxiliando na conexão com o Sagrado. Por esse motivo, o Congá está sempre posicionado em um ponto estratégico, onde todos os participantes do um trabalho espiritual possam vê-lo.

Além disso, este ponto de força, auxiliado por outros assentamentos e firmezas de menores portes, supre energeticamente o trabalho realizado no terreiro, sendo captador das energias dos divinos orixás e entidades de luz que ali estão para nos auxiliar, assim como também capta as outras energias que pairam no ambiente, transmutando as negativas e intensificando as positivas, redistribuindo-as para o benefício de todos os presentes. Sendo assim, o fluxo de energia que entra e sai do nosso Altar Sagrado é intenso e contínuo, atuando como um captor vertical que expande a energia para o sentido horizontal, abrangendo todo o ambiente. Dessa forma, o tratamento espiritual começa a acontecer a partir do momento em que se entra nesse ambiente, pois o Congá como ponto de força está a agir sobre tudo e todos que ali estão.

Portanto, meus queridos irmãos,  esse elemento presente em nosso terreiro foi construído com base em fundamentos magísticos e não é apenas uma mesa onde se posicionam imagem aleatórias. Respeitem e reverenciem o poder energético de transformação e nutrição desse portal por onde se canalizam as energias de paz que tanto nos revigoram. Saravá!

Médium Gláucia Mello.

Fontes (último acesso em 01 de setembro de 2016):

http://www.paimaneco.org.br/glossary/term/60.

http://etimologias.dechile.net/?altar

https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=2787

http://tate-umbandaeseusmisterios.blogspot.com.br/2010/06/importancia-do-conga.html

 

 

O compromisso de caboclo é a ritualística por meio da qual se confirma o compromisso de trabalho entre o médium com suas entidades e o terreiro. É neste ritual que se reafirma e se ratifica o pacto firmado no mundo espiritual, no qual o médium se comprometeu a trabalhar mediunicamente, permitindo o a atuação dos espíritos e objetivando a evolução espiritual de todos pela via do auxílio caridoso a todos que necessitarem.

No ACVE o compromisso é feito após uma das entidades dirigentes da Casa indicar ao médium que ele deve participar do ritual. A ritualística ocorre durante a gira. No momento do compromisso, são escolhidos sete médiuns já compromissados que segurarão sete flechas, formando um campo energético propício para a confirmação do acordo e do nome da entidade perante o dirigente da casa.

É muito importante entendermos que o compromisso é a reafirmação do acordo realizado entre o médium, o caboclo e a Casa, que trabalharão juntos, em nome de um bem maior, seguindo os princípios da Umbanda e prezando sempre pelo amor, respeito e caridade.

Segundo a Wikipédia, “compromisso é a forma, pública ou não, de se vincular ou assumir uma obrigação com alguém, com algum objetivo”.  Quem se compromete honra a palavra que deu! Honra a obrigação de garantir o acordo que fez.

Após a ritualística, realizado o compromisso de caboclo, a relação entre o médium e as entidades com as quais trabalha fica mais íntima, pois os laços são fortalecidos, confirmando uma relação já existente.

E não é à toa que o compromisso é realizado por caboclos, pois estas entidades são símbolo de retidão e disciplina, atitudes esperadas do médium, principalmente após firmar o compromisso, já que os laços entre médium e entidade são estreitados, passando o caboclo a cuidar do médium, desde que este se mantenha “na linha”. Com o compromisso firmado, o médium se propõe a se manter reto, a observar as regras da Casa, a trabalhar com amor e a ser caridoso. Ninguém espera que o médium seja perfeito, não cometa erros ou qualquer deslize; somos todos humanos e por isso erramos e agimos, muitas vezes, em desconformidade com o que pregamos e acreditamos.

Mas, ao nos compromissarmos, nos propomos a honrar nosso trabalho, o trabalho das entidades que nos acompanham e o trabalho que é realizado em nossa Casa. Este honrar se dá por meio de boas atitudes e, principalmente, da reforma íntima.

Assim, o compromisso de caboclo está além de qualquer ritualística no mundo material. Ele consiste em honrar – pelo melhoramento contínuo, pela observação das leis divinas e pelo respeito à Casa que nos acolhe – um acordo feito com uma entidade que muito nos ama e protege.

 

 

 

 

Cada terreiro tem a sua prática para saudar as entidades ou os sagrados orixás. No ACVE, por exemplo, costumamos reverenciar Omolu e Obaluaye com a expressão “Atotô!”, seguida de três toques no chão com as pontas dos dedos. 

Sabendo que “Umbanda tem fundamento” e que todos os rituais têm um sentido (ou vários), o que podemos entender sobre essa prática de reverência?

Uma das explicações advém da crença nagô1 segundo a qual existiam nove planos no além. Entre os quatro superiores e os quatro inferiores, havia um plano intermediário em que localizava-se o espaço ocupado pelo nosso planeta. Eles entendiam que os sagrados Orixás que vinham à Terra eram oriundos de algum desses outros planos.

Quando os nagôs foram trazidos para o Brasil, sob o regime de escravidão, costumavam “consagrar” o solo em que passaram a viver, transformando mentalmente (e ritualmente) aquele espaço físico em uma “pequena África”. Era, para eles, o “chão dos seus orixás” e essa consagração se dava, dentre outras formas, enterrando relíquias trazidas de seus lares ou outros objetos que, para eles, possuíam alguma conexão com a pátria africana. 

Desta forma, ao tocar o chão com as pontas dos dedos, estavam saudando o chão de onde vieram e onde estava firmada a força dos orixás. Naquele ritual simples, mas de profundo significado, pediam licença e permissão para entrar em locais considerados como templos ou pediam auxílio dos orixás para uma finalidade pretendida.

O mesmo acontecia com o solo diante dos atabaques, antes ou depois de fazerem o mesmo gesto no próprio atabaque. Isso se dava porque, segundo sua crença, os toques dos atabaques também atuavam na invocação daquelas forças sagradas (magia do som), razão pela qual sempre tiveram profundo respeito pelos instrumentos sagrados.

Além disso, na aludida cultura nagô, o número três representa ação, movimento e expansão. Este gestual significa o “que assim seja”, tão comum no meio espírita. Para a Cabala, esse número é o iniciático magístico que atua abrindo um portal energético para outros planos, fato que explica a crença de que os orixás podem vir ao encontro daquele que tocar três vezes o chão consagrado e pronunciar o nome da divindade.

 Então, quando o nome de Omolu for pronunciado no ACVE, todos devem tocar três vezes o solo, com o pensamento de que a vibração daquele orixá nos abençoará e que assim seja! 

 

 

 

1 Nagôs: eram os negros escravizados e vendidos na antiga Costa dos Escravos e que falavam o iorubá.

Fontes de pesquisa: 

http://www.seteporteiras.org.br/index.php/artigos-relacionados/87-saudar-tocando-o-chao. Acesso em 22/03/2016.

http://maemartadeoba.com.br/a%20umbanda/umbanda%20com%20raizes%20africanas/Estudo%20de%20umbanda%20com%20raizes%20africanas.htm. Acesso em 01/04/2016.

http://www.planetaesoterico.com.br/numerologia/o-significado-dos-numeros.html. Acesso em 13/04/2016.

Sexta, 01 Janeiro 2016 11:43

RITUALÍSTICA ACVE

Irmãos, 

É sua primeira vez nesta casa? Mesmo que não seja, vocês conhecem os rituais da gira?

Então, sejam bem-vindos ao Terreiro de Umbanda Ação Cristã Vovô Elvírio (ACVE)! 

Antes de iniciarmos nossa “viagem” para dentro de uma gira, é válido lembrar que este é um terreiro regido pela força de Ogum, o orixá guerreiro, senhor dos caminhos, das conquistas e um dos que auxiliam na movimentação das energias. Sendo assim, o que podemos observar são giras sempre movimentadas ou até mesmo com constantes mudanças na ordem ou na forma como são feitos os rituais. 

Nosso Pai de Santo costuma dizer que a gira começa no momento em que você se conecta mentalmente com o terreiro, pedindo auxílio espiritual. Daí em diante, os amigos desencarnados iniciam a preparação astral para os atendimentos que serão feitos nos dias de trabalho. Agora, então, vamos nos imaginar no ACVE acompanhando o desenrolar de um dia de trabalho mediúnico... Nossa gira vai começar! 

Para a preparação do ambiente, é realizada a leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo, seguida de um comentário espontâneo acerca do que foi lido e, depois, é feita a prece de Cáritas. Nesse momento, os mentores espirituais têm maior abertura no nosso campo mental (pois elevamos nosso pensamento e sentimento ao alto) e, assim, conseguem se aproximar mais de nós, recebendo e abençoando nossos pedidos. Nosso campo astral já está sendo preparado para o tratamento que será recebido.

Com o ambiente vibrando numa frequência energética mais apropriada, é realizada a firmeza da tronqueira, quando saudamos e pedimos a atuação de Exús e Pombagiras, que são entidades responsáveis pela proteção da casa e por dispersar as cargas negativas que carregamos conosco no dia a dia. Eles preparam os materiais espirituais que serão utilizados para a limpeza energética, assim como controlam a entrada e a saída de espíritos em estado de perturbação e desequilíbrio.

Em seguida, saudamos as almas: as puras e as impuras. Ou seja, abrimos um portal para que os espíritos superiores possam estar conosco durante os trabalhos, assim como para que os espíritos menos esclarecidos possam ser encaminhados para os lugares necessários.

São diversos os campos de atuação das entidades e cada linha de trabalho se especializa para atender a determinados casos. Por isso, saudamos: baianos, ciganos, marinheiros e boiadeiros. Estas são linhas de trabalho que auxiliam na sustentação energética da gira e que possuem características peculiares para solucionar as necessidades que surgirem.

Logo depois, para pedirmos a benção maior e a autorização para que a gira aconteça, saudamos Oxalá, orixá que nos banha com seu magnetismo e ajuda a sustentar nossa fé durante todo o trabalho.

Em seguida, são chamados os caboclos para firmarem seu ponto e garantirem que os elementos da natureza sejam trazidos para auxiliar nos trabalhos de dispersão e reposição energética. Eles também são grandes guerreiros do bem quando o terreiro sofre um ataque das trevas, garantindo a ordem.

Também é um caboclo, Senhor Pé Ligeiro, que faz a firmeza dos atabaques. A Curimba, desde o início da gira, trabalha auxiliando a sintonização dos médiuns com suas entidades (por meio dos pontos cantados), mas também, com o toque dos atabaques, auxilia na quebra de miasmas e demandas. 

A defumação geralmente é realizada sob o comando dos caboclos, que usam as ervas para limpar mais a fundo o ambiente e nossos corpos astrais. Agora, quando formos passar pelo passe estaremos carregando uma camada energética menos densa. Além disso, estaremos mais propícios para receber as energias salutares que essas entidades nos trazem.

Após o passe, estamos mais abertos espiritualmente para o atendimento com os pretos-velhos, entidades sábias que nos auxiliam a desfazer nossas amarras emocionais e psicológicas para caminharmos no sentido da reforma moral e da elevação espiritual. São eles que vão nos direcionar para tratamentos complementares como: puxada, cromoterapia e sala de tratamento físico espiritual. 

Diante de toda essa preparação que, após a conversa com os pretos velhos, nos sentimos aptos a voltar para nossa rotina diária e seguir em frente, enfrentando as vicissitudes da vida. Vendo todo o cuidado e desprendimento que as entidades têm para nos auxiliarem, não tem como nos sentirmos desamparados, não é mesmo? 

Para encerrar o trabalho, os médiuns dão as mãos em cima do congá e fazem uma grande roda, na qual os amigos espirituais atuam no equilíbrio de forças entre os membros da corrente. Esse é o momento de agradecermos a Oxalá pela proteção e pelas graças recebidas no dia. 

Salve a Umbanda!