Nanã

Nanã (4)

Sábado, 28 Julho 2018 15:59

NANÃ BURUQUÊ

“Divina Mãe Nanã, senhora das águas calmas dos lagos, aquieta os corações dos teus filhos que andam aflitos, ensinando-nos a paciência, a buscar a perseverança e a saber esperar o amanhã.” Como nessa oração que se encontra na firmeza de Nanã do terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio - ACVE, esse orixá vem ensinar-nos a termos paciência, serenidade e sabedoria. É Nanã a nossa avó que vem acolher-nos quando estamos consumidos pelo medo, pela angústia. Ela nos dá colo, equilibrando nosso emocional e trazendo força para enfrentarmos nossos tormentos.

É a velha orixá das águas que decanta, ou seja, que purifica os seres emocionados, retirando os desequilíbrios mentais e seus vícios para uma nova reencarnação. Diluindo todos os acúmulos energéticos, ela adormece a memória dos seres, de forma que não se lembrem das vidas passadas e tenham preparo para nascer em uma nova carne. Desse modo, essas memórias de uma outra vida não irão interferir na próxima, continuando assim a evolução espiritual do ser. Nanã une o presente, o passado e o futuro.

É nos momentos de aflições que a energia de Nanã, com toda tranquilidade e afeto, vem ensinar-nos a sermos pacientes e a não temermos os males e as vicissitudes que ocorrem em nosso processo evolutivo aqui na Terra. Pois, nesses momentos em que nos encontramos cheios de mágoas, podemos nos sentir paralisados e acabarmos deixando nossos objetivos escaparem, bem como podemos ter dificuldade para enfrentarmos nossos obstáculos.

Assim, Nanã, com sua sabedoria, permite vivenciarmos experiências que nos fazem refletir, compreender e perceber que, mesmo que nós não sejamos muito pacientes, tudo tem o tempo certo.

Essas experiências ocorrem no nosso cotidiano. Quando entendemos que nada acontece por acaso, podemos observar, em nossa volta, cada sinal de aprendizado que estamos recebendo, seja por um texto lido que se encaixa em algum momento de nossas vidas, ou por uma palavra amiga, entre outras diferentes percepções e situações que nos levam a refletir. São essas reflexões que podem levar-nos a uma mudança de atitude para melhor e a não nos desesperarmos por problemas e dores.

Nanã, mostrando-nos que sempre seremos amparados, equilibra nosso campo emocional, dando-nos alívio. Com um amor puro, cura nossas dores e nos dá sabedoria para entendermos que tudo que passamos nessa vida nos prepara para algo maior, que é a nossa evolução espiritual.

Que a senhora das águas calmas dos lagos, da lama, possa transmitir para nós amor, serenidade e humildade. Que possamos aprender com ela a termos calma e sabedoria para enfrentarmos as nossas dificuldades cotidianas. Pois, mesmo que as mudanças venham como uma ventania, somente saberemos enfrentá-las quando aguardarmos o tempo certo.

Salubá, Nanã!

Quinta, 20 Julho 2017 08:50

NANÃ BURUQUÊ

“O meu silêncio é uma singela oração à minha santa de fé”. Esse trecho da canção “Cordeiro de Nana”, do grupo musical Os Tincoãs, remete à forma mais simples e ao mesmo tempo tão difícil de buscar sintonia com a energia de Nanã.  O silêncio, ou melhor, a atitude de silenciar, permite que se abra a porta por meio da qual cada ser pode entrar em contato com a própria realidade íntima.

Com esse gesto, cada um tem a oportunidade de perceber, em seu interior, todas as belezas das virtudes conquistadas e todas as sombras que ainda pairam numerosas. Oportunidade sem igual de se conhecer, se perceber, de refletir, de vivenciar as emoções que tantas vezes passam despercebidas, de reconhecer em si e valorizar as qualidades e potencialidades já desenvolvidas. Possibilidade também de reconhecer-se algumas vezes mesquinho ou vaidoso, invejoso ou melindroso, enfim, humano, falível.

Em meio a essa dualidade que faz parte da realidade íntima de todo indivíduo em nosso plano, a atitude de silenciar requer tranquilidade e boa dose de paciência para aceitar a condição natural e passageira do nosso estado de imperfeição.

A atitude de silenciar, em oposição à atitude de reagir ou responder de imediato, também resguarda forte sintonia com a energia de Nanã. Não o silêncio que pretende provocar, tratar mal ou menosprezar, mas o silêncio que, com a tranquilidade de quem já se compreendeu e se aceitou com todas as qualidades e imperfeições que possui, tornou-se também capaz de respeitar o momento de cada um, de aceitar o outro com tudo que o constitui.

Nanã é a representação da paciência e da resignação construídas a partir da aceitação da condição de imperfeição e da conscientização do enorme potencial de aperfeiçoamento que cada ser carrega em si.

É, sobretudo, a sabedoria que a experiência e a maturidade fazem florescer no interior de cada um. A energia de Nanã traz a ponderação da maturidade, em oposição à impulsividade jovial. Remete à profunda compreensão de que “a natureza não dá saltos”, para tudo há ritmo e tempo próprios.

Por isso, esse Orixá está sempre relacionado à velhice e à ancestralidade. A velhice traz a representação dos aprendizados adquiridos com as experiências vivenciadas. A ancestralidade carrega a força de todos os que vieram antes, aprenderam, fizeram descobertas, edificaram e, entre erros e acertos, lutas e derrotas, dores e alegrias, prepararam o caminho para que a vida se apresentasse mais generosa aos que viessem depois.

Nanã Buruquê é energia divina que possui como pontos de força na natureza as águas paradas, os lagos, a lama que se forma à beira dos rios e em suas profundezas. Orixá das águas, com forte presença do elemento terra, constitui energia que proporciona a transmutação de sentimentos, valores, emoções e carmas.

Água e terra, então, constituem os elementos naturais que bem representam a energia desse Orixá. A água, com sua propriedade de absorver e conduzir energia, absorve o que há de negativo não apenas em nós, mas também na atmosfera do nosso planeta, que fica poluída por diversas formas-pensamento negativas que emitimos. Por que será que há tanta água na constituição do nosso Planeta? A terra, com sua capacidade de atração e transformação, recebe descargas energéticas, retém a impureza e liberta a pureza, funcionando como filtro magnético e proporcionando a transmutação energética.

A partir do conhecimento das propriedades magísticas desses elementos, podemos buscar a compreensão de como a vibração desse Orixá terra/água pode atuar em nossas vidas, no nosso dia a dia. Rubem Saraceni identifica e explana dois papéis fundamentais do Orixá Nanã: decantação e maleabilidade.

Decantação é um processo químico, por meio do qual os elementos de uma mistura são separados de forma que o menos denso fique na superfície e o mais denso se instale no fundo do recipiente. A atuação da energia de Nanã, de forma parecida com o que ocorre no processo químico descrito, limpa nosso espírito de negativismos, da energia densa que ainda nos envolve, resultado de nossa imperfeição, fixando-os no barro (elemento água/terra, de caráter absorvente) e transmutando-os, de forma a nos dar condições de recomeçar.

A maleabilidade, como o próprio nome diz, remete à ideia da flexibilidade necessária para que as mudanças ocorram. Quando estacionamos em faixas vibratórias negativas e insistimos em condutas igualmente negativas, nos tornamos inflexíveis, impermeáveis às novas ideias que poderiam auxiliar na modificação de nossa conduta. Neste caso, a energia de Nanã atua de forma a nos conduzir a situações que proporcionem os aprendizados e reflexões necessários, para que reavaliemos e modifiquemos nosso posicionamento diante da vida e das possibilidades que ela nos apresenta.

A atuação de Nanã, compreendida a partir dessa perspectiva, está diretamente relacionada à preparação de nossos espíritos para a reencarnação e às situações que ocorrem em nossas vidas, nas quais percebemos algum aspecto paralisado, seja no campo amoroso, profissional, financeiro ou, até mesmo, em casos mais drásticos, nos quais o nosso corpo nos paralisa por meio de enfermidades que nos impedem de realizar todas as atividades às quais estamos acostumados.

Nesses momentos de “paralisação”, há muito mais movimento do que podemos conceber. Constituem convite para que operemos verdadeiras transmutações em nosso íntimo. Reflitamos sobre quais aspectos de nossas vidas percebemos paralisados, mergulhemos em nosso interior pedindo amparo à sabedoria e à paciência de Nanã para identificarmos e transmutarmos o que é necessário para que o estado de equilíbrio se manifeste em nós.

Como atua no campo emocional, a energia de Nanã também está diretamente relacionada aos processos de cura de doenças físicas. A doença, que geralmente se instala nos nossos corpos sutis, é ocasionada por acúmulos energéticos negativos produzidos em decorrência de atitudes ou sentimentos cultivados no passado ou no presente, para depois se manifestar no corpo físico. Quando o desequilíbrio chega a atingir nosso corpo, é porque já estava profundamente instalado em nosso espírito. O corpo material, nessa perspectiva, serve para expurgar as negatividades acumuladas nos corpos sutis.

A vibração de Nanã, no processo de cura das enfermidades, proporciona a limpeza dos acúmulos energéticos negativos (decantação), essa limpeza auxilia na retomada gradativa do equilíbrio da saúde física e impele à reformulação de pontos de vista e de condutas perante a vida (maleabilidade). Essa forma de atuação da energia de Nanã corrobora a ideia de que determinadas situações em nossas vidas apenas cessam quando aprendemos as lições que vêm nos ensinar.

Envolvidos nessa energia de amor e tranquilidade, podemos vivenciar as experiências que a vida oferece, de maneira a refletir sobre como temos nos comportado diante dos desafios do caminho e qual a melhor forma para promover as mudanças necessárias.

Que a sabedoria emanada de Nanã possa nos guiar na direção dos aprendizados que necessitamos e da maturidade almejada.

 

 

Sentir Nanã é ter a certeza de que nunca estaremos desamparados e que existe um amor puro, incondicional, verdadeiro, sem julgamentos e extremamente forte que está ao nosso redor e, principalmente, dentro de nós. É um cuidado atemporal, que nos acompanha desde antes do nosso nascimento até muito depois do nosso desencarne. É Nanã Buruquê, a nossa avó ancestral que está sempre disposta a nos oferecer colo e carinho. É ela que, enquanto nos embala com sua doce e sutil energia, transmuta as nossas dores e nos deixa mais leves, seguros e confiantes em nossa capacidade de vencer as dificuldades.

Nanã é a força ancestral que inspira calma, ponderação e sabedoria para todos os indivíduos trilharem seus caminhos. Por isso, costuma-se dizer que Nanã, no polo feminino, rege a linha da Evolução e, nesse sentido, atua diluindo os desequilíbrios emocionais que nos impedem de evoluir de forma natural. Essa é a cura proporcionada por este orixá: um processo lento, às vezes doloroso, mas certeiro, cujo desfecho é de maturidade, paz e harmonia.

Não é por coincidência que o nosso terreiro é dirigido por um Preto-velho (Pai Leopold) e que tem como patrono espiritual deste educandário de almas, o Vovô Elvírio. Os vovôs, de maneira geral, têm muito a nos ensinar, pois já percorreram as estradas pelas quais passamos hoje. Eles são muito receptivos e estão sempre prontos para acolher os indivíduos indistintamente. Percebemos isso no ACVE, cujo número de filhos na corrente, atualmente, já é superior a 300.

Sua cor é a violeta, que está relacionada à capacidade de transmutação de tudo, em nós e à nossa volta, que não seja paz, amor e harmonia. Ela pode ser utilizada como exercício de visualização diário para nos reequilibrarmos, pois atua como fogo purificador, ou seja, dilui as energias deletérias. (1)

Os pontos de força correspondentes a Nanã na natureza são os lamaçais, os pântanos e as águas profundas. Sempre formados pela mistura de água e terra, elementos ricos em vida, essenciais à nossa sobrevivência.

Seu dia é o 26 de julho, por conta do sincretismo com Nossa Senhora Sant’Ana, a grande matriarca da sagrada família, avó do Cristo Jesus. Esta santa era estéril (não podia engravidar), mas, por milagre divino, um anjo anunciou que suas preces haviam sido atendidas e, assim, Ana e Joaquim tiveram Maria, “a virgem pura, concebida sem pecado” (2).

Que Deus abençoe o amor que Nanã nos transmite e que nós, filhos de fé, tenhamos sabedoria e humildade para receber essa linda e suave energia. Saluba, Nanã!

Médium Luiza Leite.

1) Disponível em: http://www.eusouluz.iet.pro.br/chamavioleta.htm. Último acesso em 20 de julho de 2016.

2) Disponível em: http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-ana/61/102/#c. Último aceso em 18 de julho de 2016.

 

 

Sabe aquele carinho de vó que conforta e acalma de um jeito, que nos dá até ânimo para seguir em frente, mesmo quando parece que o mundo vai desabar? A energia que o orixá Nanã transmite é assim: de alívio, de calma, de refazimento e de cura.

O forte magnetismo emanado por esse orixá atua de forma a tornar os seres mais flexíveis e a decantá-los, ou seja, limpá-los de acúmulos energéticos negativos. Sua atuação é essencial para que todos sigam caminhando em direção à evolução espiritual. Mas como isso acontece?

Ao longo da caminhada da vida, cheia de alegrias e conquistas, mas também repleta de oportunidades de aprendizado por vezes dolorosas – porém necessárias e resultantes da Lei de Ação e Reação – há momentos em que estacionamos na jornada evolutiva por diversos motivos, de acordo com a nossa situação individual. 

Alguns desanimam e chegam a ficar descrentes da vida, sem esperanças; outros acumulam tantas mágoas, que se fecham para vivenciar relacionamentos saudáveis, de troca sincera; há também quem se perde no caminho, por fixação em desejo de vingança, alimentando a raiva dentro de si... São inúmeras as situações que podem levar as pessoas ao desequilíbrio e à paralisação da evolução.

Nesses momentos, esses seres, com suas evoluções paralisadas, são naturalmente atraídos ao campo de atuação de Nanã, pelo forte magnetismo que esse orixá emana. A Lei de Atração, então, permite a essas pessoas vivenciarem experiências que provocarão profunda reflexão, de forma a conduzi-las à busca do autoconhecimento e da reformulação de atitudes. 

Durante esse processo de transformação, Nanã atua limpando as nossas almas das energias negativas acumuladas. Como isso ocorre? À medida que o ser vai se conscientizando do aprendizado necessário, ele próprio se liberta, magnetizado pela energia de Nanã – que ampara o ser e dissipa as negatividades acumuladas –, permitindo-se cultivar padrões de pensamentos mais elevados e, consequentemente, restabelecendo o equilíbrio do aspecto emocional antes desajustado e, até mesmo, promovendo a cura de doenças físicas. 

Um aspecto interessante sobre a atuação de Nanã é sua ação no processo de cura física dos seres. Uma das funções do corpo físico é expurgar os acúmulos energéticos negativos impregnados no espírito, ao longo das sucessivas encarnações ou, até mesmo, adquiridos na encarnação atual.

A partir dessa perspectiva, algumas doenças resultam na manifestação, no corpo físico, da energia negativa acumulada nos corpos sutis, decorrente do desequilíbrio emocional ou moral. Os males físicos representam, portanto, uma das formas de depuração do espírito, pois o corpo sofre, para que o espírito se liberte de suas imperfeições.

Entendendo a doença física sob esse ponto de vista, a flexibilização, que torna o ser mais aberto a ideias de renovação, e a limpeza proporcionadas por Nanã, que promovem o reequilíbrio emocional, também podem levar à cura de algumas doenças do corpo físico, tendo em vista que somos seres integrais em que aspectos físicos, emocionais e espirituais são inseparáveis e interdependentes. 

Saluba, Nanã!

Vovó Benedita do Congo,