Umbanda (45)
As palavras poéticas e transparentes do Mestre Jesus, ditas há tanto tempo e intensamente reproduzidas ao longo da história, são divinos medicamentos para todas as aflições humanas. No texto de São Lucas (9:62), o Celeste Amigo determina: Ninguém que lança mão ao arado e olha para trás é apto para o reino de Deus. Nessa reflexão generosa do Mestre, encontramos clara menção a tudo aquilo que nos provoca o entrave no adiantamento espiritual e no caminho rumo à libertação de nossas aflições. Entre as causas que nos fazem, comumente, olhar para trás, dificultando o progresso, está um infértil e paralisante sentimento: a culpa.
Para o espírito Hammed (1), “culpa quer dizer paralisação das nossas oportunidades de crescimento no presente em consequência da nossa fixação doentia em comportamentos do passado”. As fixações em comportamentos do passado que insistimos em querer mudar ou rejeitamos aceitar, atribuindo uma grande carga de responsabilidade inerte a nós mesmos, chamamos de culpa. Digo “responsabilidade inerte”, pois o sentimento de culpa congela o espírito em triste estado de dor e insatisfação – no qual o indivíduo revisita o momento em que se deparou com sua falha, sua frustração ou imperfeição –, sem, porém, produzir nenhuma ação de reparação ou transformação de conduta, apenas consumindo, aos poucos, sua vitalidade, sua energia e sua elevação.
Na busca pela religiosidade e pela elevação espiritual, comumente esbarramos em conceitos e ideias constituídas de que a culpa nos redimiria de nossos erros e abriria as portas da reconciliação de nosso espírito com o Criador. Entretanto, voltemos ao exemplo do Cristo Jesus para repensarmos essa questão. Em algum momento de sua história, Jesus incentivou seus discípulos e aqueles que com Ele estiveram a sentirem-se culpados pelos erros cometidos? Sabemos que não. O que o Mestre ensinava conduzia os indivíduos à conscientização de seus erros, à reparação de quanto fosse possível e à continuação de suas caminhadas de forma mais leve, sem o peso do pecado.
A consciência de nossa responsabilidade sobre nossos atos, sentimentos, nossas escolhas e atitudes pode, sim, produzir sentimentos de vergonha e culpa tão intensos quanto for grande nossa dificuldade de reconhecermos que somos seres imperfeitos, que erramos, que estamos suscetíveis a críticas e que temos muito ainda que aperfeiçoar em nós mesmos. Ou seja: nossa culpa é sempre do tamanho do nosso ego. Se nos pensamos infalíveis, perfeitos e moralmente ilibados, a culpa que carregamos face ao erro é enorme, dolorosa como uma ferida aberta. Por outro lado, se reconhecemos que somos uma infinitésima parte da criação, que somos falíveis e imperfeitos, rapidamente transformamos a culpa em responsabilidade e buscamos, sem pestanejar, a reparação dos nossos erros, sem nos submetermos a formalidades humilhantes nem ignorarmos as consequências de nossas faltas.
Podemos acreditar que, no passado, poderíamos ter agido de forma melhor e tomado decisões melhores, mas que controle temos sobre o passado? Como é possível sofrer de culpa por não termos sido perfeitos como gostaríamos de ser, uma vez que não somos, de forma alguma, perfeitos? Desvencilhemo-nos desse passado que condena e aprisiona e que só existe porque nós assim permitidos e desejamos, troquemos a culpa pelo arrependimento. Arrepender-se é ter a consciência de que tínhamos condições e capacidade de fazer melhor do que fizemos; o arrependimento nos conduz à reparação e ao aprendizado, uma vez que é parte também da jornada humana revisar e aprimorar a forma de lidar com as diversas situações e questões da vida.
Nossa família, nossa sociedade e nossa cultura como um todo nos impõem momentos em que somos obrigados a sentir culpa, sob o preço de sermos julgados maus ou insuficientemente bons. Da mesma forma, se não choramos na despedida, se não nos lastimamos infinitamente pela perda, se superamos rapidamente a mudança, se nos desapegamos com facilidade de ideias e pessoas, podem julgar que não amamos, pois a ideia adoecida de amor que vigora na coletividade é a de amor-dependência e amor-sofrimento, manifestada em tantos dogmas implícitos em nossas relações: “quem ama tem ciúme”, “quem ama precisa estar perto”, “quem ama se submete”, “quem ama aceita tudo” e tantos outros enganos.
Imaginemos que estamos diante de Jesus e temos a oportunidade de perguntar-lhe “Mestre, o que é o amor?”. O que você acha que Ele diria? Talvez Ele dissesse que amor é liberdade e verdade; é aquilo que traz paz e leveza, que deixa ir e que abre os braços para o retorno; é o que tudo compreende, mas nem tudo aceita, por muito acreditar que podemos ser melhores; é o que sabe morrer e renascer sempre que preciso. Diante disso, onde reside a luz do amor não há espaço para a culpa, pois o amor movimenta e transforma, enquanto a culpa paralisa e condena.
Um caminho cheio de paz, bem e harmonia para todos nós!
Médium Luiza Vieira
(1) Na obra As dores da Alma, psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto (2012).
Para entendermos o que são doenças cármicas, primeiramente precisamos saber o que é carma. Segundo o dicionário Aurélio, carma é um termo extraído das doutrinas bramânicas, com o qual se procura interpretar a lei de ação e reação; está ligado ao nosso princípio de evolução: tudo o que você fizer, em algum momento, voltará para você.
Segundo Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, item 9: "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não o for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez". (1)
Doença cármica é o efeito de um possível passado desastroso, algum ato passado que está sendo cobrado no presente. É quando o períspirito é marcado e transfere essa marca para o corpo físico, assim, nesses casos, quando encarnamos já trazemos o períspirito marcado com alguma enfermidade, que pode se agravar ou não no decorrer da vida.
O espírito Joana de Angelis, no livro Plenitude, psicografado por Divaldo P. Franco, em 1991, nos explica que “Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas atuais, quando o homem o busca mediante a irresponsabilidade, a precipitação, a prevalência do egoísmo que o incita a escolha do melhor para si em detrimento do seu próximo. Essa atitude se revela em forma de emoções perturbadoras, que o aturdem na área das aspirações e se condensam em formas de aflição”. (2)
Nem sempre este carma está atrelado a outra vida, pode acontecer de ser adquirido um carma do presente por efeito de um hábito desregrado, como por exemplo, uma pessoa que fuma ou bebe e no final da vida adquire alguma doença hepática ou pulmonar, isso é um caso de doença cármica? Não. É uma causa desta vida, que foi adquirida por conta de uma invigilância do presente, surtindo efeito nesta vida.
Deus é soberanamente justo e bom, por isso nos dá o livre-arbítrio e nunca nos castiga, apenas nos dá oportunidades de reparar danos ou alguma impressão indesejada que tenhamos deixado em algum momento. Não devemos enxergar as doenças cármicas como castigo, e sim como oportunidade. Se estivermos doentes, é por alguma razão importante para nós, e é imprescindível que passemos por isso para aprender o que nos falta. Não devemos em nenhum momento desenvolver qualquer sentimento de revolta ou raiva, em vez disso, podemos procurar superar e entender qualquer manifestação negativa o nosso corpo como resultado de um desequilíbrio espiritual.
Já que a doença cármica é uma manifestação espiritual, podemos tratá-la com a medicina terrena? Não só podemos como devemos. Segundo o Dr. João Kosmiscas, durante entrevista no programa 174 (3), Deus nos colocou na vida para cuidarmos uns dos outros, e somente a dor, além de Deus, é capaz de modificar o indivíduo, ou seja, a doença é educativa.
As epidemias surgem quando as pessoas de uma determinada região necessitam de algum reparo, quando estão com costumes desregrados ou ociosos, daí surgem essas doenças coletivas para estabilizar a energia da região acometida, ou seja, é preciso uma mudança física para que ocorra uma mudança moral naquelas pessoas e/ou naquela sociedade. Essas pessoas acometidas por epidemias necessitam acertar seus compromissos, isso é um carma coletivo. Portanto, epidemias não são praga de Deus, e sim o acúmulo de carmas que o próprio homem espalha no ambiente.
Na umbanda, o Orixá Omulu é um dos que atuam na cura, na saúde e nas doenças, rege a reconstrução do períspírito, que determina os contornos do corpo físico de acordo com nossa necessidade de evolução. É sempre invocado em momentos de dor, de necessidade de cura e alívio, e atende aos pedidos sempre de acordo com o merecimento de cada um.
Podemos nos livrar das doenças cármicas mantendo atenção, precaução, vigilância e cuidado, estando atentos a todas as vicissitudes que a vida nos proporciona, despertando assim a vontade de viver, de querer reparar qualquer débito que ficou. Se a doença está relacionada ao passado ou ao presente, não quer dizer que tenha que estar no futuro, lembre-se disso.
Assim, como vimos, quando somos acometidos por alguma doença, acreditamos que seja carma, mas nem sempre ela o é! É importante termos discernimento para avaliar as consequências dos nossos atos, das nossas escolhas e do preço que teremos de pagar por elas. Lembre-se: para toda ação, haverá uma reação.
Médium Sabrina Siqueira.
Fontes:
(1) Disponível em: http://www.acasadoespiritismo.com.br/saude/cap%20VIII%20doencas%20carmicas.htm. Último acesso em 29 de julho de 2016.
(2) – Disponível em: http://www.bvespirita.com/Plenitude%20(psicografia%20Divaldo%20Pereira%20Franco%20-%20espirito%20Joanna%20de%20Angelis).pdf. Último acesso em 29 de julho de 2016.
(3) – Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SpWGum0ieHA. Último acesso em 29 de julho de 2016.
No terreiro Ação Cristã Vovô Elvírio, há um cantinho muito especial, com muito axé e força: a Sala de desobsessão Vovô Amaziles. O Sr. Amaziles José Martins (o “Vovô Amaziles”) foi contemporâneo de Elvírio de Almeida Ramos (o “Vovô Elvírio”), em Araxá – MG. Em tempos em que a intolerância religiosa era ainda muito mais marcante do que é hoje, ambos batalharam pela oportunidade de trabalho junto à espiritualidade e construíram, cada um a sua forma, sua jornada espiritual.
Enquanto o Sr. Elvírio fundava o Centro Espírita Estudantes do Evangelho, direcionado para estudo e divulgação da doutrina espírita codificada por Allan Kardec, o Sr Amaziles dedicava-se a trabalhos de Umbanda, principalmente na linha de esquerda (exus e pombagiras). Assim, Sr. Amaziles fundou um dos mais antigos terreiros da cidade de Araxá-MG. Por isso, então, a Sala de desobsessão do ACVE leva o nome desse nobre tarefeiro, pois lá se realizam tratamentos de descarrego e limpeza energética que auxiliam no processo de desobsessão. Por meio de puxadas e choques anímicos, os médiuns auxiliam os consulentes a se libertarem de amarras espirituais e de sentimentos deletérios, que tanto prejudicam e afastam as pessoas de sua realização plena.
As pessoas que buscam auxílio e alento em nossa Casa são, geralmente, acolhidos amorosamente pelos queridos Pretos-velhos, seres de imensa luz, sabedoria, paciência, humildade, compaixão e generosidade. Em alguns casos, essas entidades identificam a necessidade de que o consulente receba tratamento dos irmãos da Sala de desobsessão, esse tratamento pode ser realizado junto ao vovô – nesses casos, o médium que está auxiliando a entidade se dirige até a Sala de desobsessão e solicita irmãos para a tarefa – ou na própria sala de desobsessão – quando o consulente é levado até lá para benefício do tratamento que receberá. Em todos os casos, o que ocorre é a realização de puxadas e choques anímicos.
Puxada é o nome que se dá, na Umbanda, para um tratamento que ocorre em nível energético e espiritual, no qual um médium (incorporado ou não por uma entidade espiritual) puxa as energias pesadas, os fluidos densos, os irmãos obsessores, as cargas ou os “carregos” que o consulente traz consigo. Em seguida ou no mesmo instante em que ocorre a puxada, essas mesmas energias pesadas e esses obsessores são descarregados ou desligados do médium por ação de seu pensamento e com auxílio das entidades espirituais. A ação da puxada, também chamada de descarrego, pode ter como consequência o afastamento definitivo, temporário ou parcial de espíritos obsessores, a depender da vontade e do merecimento do consulente. Sabemos que existem obsessões incuráveis na presente encarnação e que determinados casos de subjugação ou de possessão não serão solucionados agora. São aqueles que exigem tratamento a longo prazo - o lento, mas belo processo de redenção da alma que se esforça por sua transformação. É uma batalha prolongada.
A Sala de desobsessão Vovô Amaziles oferece preciosa oportunidade de trabalho para os médiuns em desenvolvimento, e luminoso medicamento para as dores e aflições de alma daqueles que desejam verdadeiramente libertar-se e renovar suas vidas, atitudes, pensamentos, emoções e, em especial, a fé e a esperança de dias melhores.
Médium Luiza Vieira.
“Dubito, ergo cogito, ergo sum.” – Eu duvido, logo penso, logo existo. Assim, René Descartes, ao duvidar de sua existência, concluiu que, apenas no fato de questioná-la estaria a sua comprovação. O pensar sobre a existência comprova uma diferença entre os homens e os demais seres do nosso planeta: apenas nós, seres humanos, temos esta habilidade.
É essa capacidade de avaliar, criar, modelar, analisar tudo o que estamos inseridos que nos diferencia. Alguns animais apresentam alguma inteligência, chegando a níveis que podem até ser comparados a seres humanos de alguma certa idade infantil. Mas isso não se trata de pensar, pois outros animais não são capazes de avaliar a situação e tomar uma decisão. Assim como uma criança começa aprendendo baseada em resoluções de situações mais simples que vão ocorrendo, os animais também o fazem. Porém, a criança, com o tempo, desenvolve a capacidade de não apenas reagir, mas de questionar, de duvidar, por fim, de pensar!
A capacidade analítica diante do que o cerca fez com que o ser humano melhorasse sua “estadia” na Terra, por meio de instrumentos tecnológicos que podem ser usados para o bem e para o mal. Esta capacidade também aparece quando o homem passa a refletir sobre si, buscando a origem desta característica, então diversas teorias foram desenvolvidas por filósofos e estudiosos da mente humana para tentar explicar sua fonte.
Entre as teorias que reforçam o apego à matéria e a visão limitada de que o mundo material seria tudo que existe, há a teoria do Monismo, que afirma que o corpo e a mente são uma coisa só, e a teoria do Epifenomenalismo, que diz que a mente é algo que sobrevém do corpo. Em contrário a essas teorias, Descartes, novamente, traz a teoria do Dualismo, na qual o conceito de mente se aproxima ao de espírito, alma e pensamento. Segundo essa teoria, o espírito seria o pensamento, a atividade, e o corpo seria a passividade.
Considerando a visão materialista (e por vezes determinista) do homem durante esse processo de reflexão, seria difícil aceitar que mente e corpo seriam coisas distintas sem a devida prova. Assim, alguns questionamentos, à época, ficaram abertos, desacreditando a teoria do Dualismo, que seriam: como o espírito, algo originado do divino e ilimitado, seria limitado pelo corpo? E como duas substâncias diferentes se ligariam (Espirito [Mente] e corpo)?
Sabemos que teorias humanas dificilmente refletirão a realidade fora do mundo material, mas ao trazer a distinção entre corpo e mente, a teoria do Dualismo, criada no século XVII, torna-se a mais próxima das crenças espiritualistas, sendo confirmada e respondendo ao primeiro questionamento na questão 25 do Livro dos Espíritos, que traz: “O espírito é independente da matéria, ou não é mais do que uma propriedade desta, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar? São distintos, mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta.”
E como seria feita essa união de espírito e corpo? Cada ser humano possui sua “centelha divina”, sua origem divina, a parte que faz dele um pedaço de Deus: o Espírito. Ele tem uma faixa vibratória tão elevada que necessita de adaptações, corpos intermediários, para que possa atuar em um corpo físico. O Espiritismo unifica esse corpo intermediário e o chama de Perispírito. Mas, na Umbanda, trabalha-se com os sete corpos sutis, temos: o corpo físico, o duplo-etérico, o corpo Astral, o Mental Inferior, o Mental Superior, o corpo Búdico e o Corpo Átimico. Sendo o corpo Físico este que nos liga à terra: o corpo material. O Corpo Átimico, por sua vez, corresponde ao Espírito. Os outros cinco funcionam como elos para atuação do espírito na matéria quando encarnado.
Mas todo esse (pouco) entendimento sobre a mente ou espírito humano não nos permite deixar de observar seu aspecto mais importante: sua capacidade de criar. Se o Universo foi criado por Deus e o Livro dos Espíritos, em sua questão 23, define o espírito como “o princípio inteligente do universo”, dizendo que todos temos (e somos) este pedaço divino, os frutos de nossas mentes têm uma capacidade inimaginável, podendo tomar formas e possibilitar diversos resultados em nosso ambiente. Esse poder mental que possuímos é potencializado devido ao nosso corpo físico produzir mais energia do que produz um espírito desencarnado.
Assim, devemos ter os melhores pensamentos sempre. A busca pela reforma íntima é de extrema importância para reduzir a emissão de pensamentos ruins, combatendo o orgulho, vaidade, rancor, ódio e fazendo com que cesse a alimentação das fontes de energia negativas que as falanges do mal utilizam para realizar os seus trabalhos de vingança. Devemos ter a noção de que nossos pensamentos e vontades, aliados à caridade e ao amor ao próximo, têm grande poder, descrito nos ensinamentos de Jesus: “se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível”. Existe, portanto, pensamento mais forte que a fé?
A mente e os seus frutos serão melhores sempre que a bondade, a caridade e a fé estiverem presentes em nós, independente de religião ou crença: estaremos produzindo boas energias para nós e para aqueles nos cercam. Semeie bons sentimentos e cultive bons pensamentos, então colha paz, serenidade e amor.
Médium Thiago Lobo.
“Viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença.”
Benjamin Franklin
Todo suicídio é precedido de uma morte interna. Antes do ato fatal, o definhamento interno putrefaz a consciência, a autoestima e a mente, consumindo o espírito e passando a falsa sensação de inutilidade existencial. Até esse ponto, passa-se por obstáculos que fragilizam a alma. Um a um, vão rasgando a devoção e torturando a confiança. Tantas traições, dívidas, decepções e desamores! Como devemos encarar essas situações?
A cada pancada da vida, escolhemos, por nos mesmos, como reagir, mas a nossa derrota está na desistência. Por isso, mata-se a si mesmo várias vezes antes do suicídio. Não morre aquele que enfrenta as dificuldades com bravura e honradez, mesmo que a vida do corpo chegue a termo. Só morre aquele que se mata, mesmo que a causa seja natural. Não há culpados externos, tão pouco inimigos a nos perseguir. Há, apenas, as escolhas que fazemos. Portanto, o modo com o qual lidamos com as dificuldades resume nosso estado de espírito, e, por isso, podemos estar vivendo ou morrendo.
Não se mate ao revidar uma provocação. Não se mate ao provocar uma intriga. Matamo-nos quando acendemos a chama da vingança em uma vela, ou quando matamos a verdade de alguém com palavras infames. Um tiro no próprio coração ou no de um semelhante, seja a arma uma pistola ou uma palavra, é sempre parte de um suicídio que já havia começado. A vida é para os que escolhem viver. O mundo não começou agora e não terminará com a nossa morte da carne. Mas a vida, e o além vida, são penosos para o suicida de qualquer grau. A nossa chance? Viver!
Médium Lucius Lettieri.
“A dor é um bem que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, pois, quando sofrerdes, mas bendizei, ao contrário, ao Deus Todo Poderoso, que vos marcou pela dor neste mundo para a glória no céu.” O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 6.
É muito comum, em meios religiosos principalmente, o estabelecimento de estreita ligação entre sofrer e evoluir espiritualmente e, de fato, é bem tênue a linha que separa sofrimento de evolução no plano terrestre.
Se, por um lado, temos o exemplo do Cristo, Salvador da Humanidade, que sofreu desde preconceito e ofensas em suas peregrinações a serviço da divulgação da Boa Nova ao martírio do Calvário, tendo sido erigido a Governador Espiritual de nosso Planeta e se tornado modelo para seguirmos, a fim de buscarmos a perfeição moral; por outro lado, apesar de “a felicidade não ser deste mundo”, como nos ensinam os espíritos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no próprio Evangelho encontramos passagens que nos enchem o coração de esperança ao ensinar que podemos caminhar na direção de substituirmos o aprendizado da dor pelo aprendizado no amor.
Acontece que, no estágio evolutivo em que nossas consciências se encontram no atual plano, ainda carregamos gravado em nossos espíritos o pesado fardo dos erros cometidos ao longo da jornada. No estado de encarnados, em razão do véu do esquecimento*, esse fardo se manifesta em forma de culpas, medos e traumas para os quais não encontramos explicações na vida atual e que, na maior parte das vezes, são inconscientes.
Temos ainda a considerar que o indivíduo que já chegou nesse nível de reconhecimento dos erros cometidos e passou a aspirar por mudança de seu mundo interior constitui quase o auge do que podemos alcançar perto de perfeição nesse plano atualmente.
É bem verdade que, como várias comunicações mediúnicas têm anunciado, estamos passando por um momento de transição planetária que elevará nossa atmosfera espiritual. No entanto, essa transição é um processo. A natureza não dá saltos e há que existir oportunidade para todos, pois fomos criados simples e ignorantes para nos tornarmos perfectíveis, já que a perfeição plena pertence ao Pai. Assim, praticamente todos nós ainda estamos na condição de espíritos reencarnantes que vêm à carne para expiar erros gravíssimos cometidos no passado, alguns que precisam mesmo reencarnar compulsoriamente, tal o estado de desequilíbrio a que chegaram.
Diante de tal cenário, Deus, em Sua infinita bondade e misericórdia, permite que sintamos as dores do corpo e da alma, para que com elas aprendamos as preciosas lições que nos levarão à ampliação da consciência na direção da essência Divina que há em cada um de nós.
Não aprendemos pelo amor, porque ainda não sabemos, não descobrimos o caminho. Assim como a borboleta precisa passar pelo lento e difícil processo que de larva a transforma em borboleta, precisamos ainda enfrentar, na caminhada da vida, os desafios que nos transformarão os espíritos e nos permitirão alçar voos mais leves, como a borboleta após o enclausuramento na pupa.
Espíritos ainda endurecidos, precisamos da dor para acessar o amor que existe em nós.
O sofrimento, no sentido de vivenciar alguns momentos da trajetória que se fazem mais difíceis e pesados, faz parte do processo. Mas é preciso salientar que podemos escolher a postura do bem sofrer, buscando a lição que cada situação vem trazer e percebendo que, quando o aprendizado chega, a dor desaparece; bem como precisamos ter cautela com o “mal sofrer”, postura de quem se martiriza, enaltece a dor, torna mais pesado o próprio fardo e se distancia do aprendizado que levará à libertação.
Sob essa perspectiva, Jesus veio à carne e nos ensinou o antídoto da paciência, da fé, da firmeza de caráter, passando Ele mesmo, com glória e louvor, pela dor neste mundo para nos ensinar que o amor é o caminho. Agora, cabe a nós a firmeza na caminhada para crescermos com as lições que a vida nos endereça e descobrirmos, cada um do seu jeito e no seu tempo, que podemos almejar e alcançar a posição de quem já sabe reparar e aprender pelas vias amorosas do coração.
Enquanto esse momento não chega, sigamos com esperança, fé e caridade, alimentando o sentimento de gratidão à vida.
“(...) O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto, do que quando se curva a fronte para o chão.
Coragem, amigos, o Cristo é o vosso modelo. Sofre mais do que qualquer um de vós e não tinha a se censurar, enquanto que vós tendes vosso passado a expiar e vos fortalecer para o futuro.(...)” O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 6.
Médium Fernanda Rocha.
*Véu do esquecimento (ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 11).
Nossa sociedade atual baseia suas relações na lógica do revide. Por exemplo, no trabalho você deixa de falar com certa pessoa porque ela está sempre de cara fechada e nunca fala com você antes de você falar com ela, então você se acha coberto de razão e não fala mais com ela. Você não dá bom dia para as pessoas com quem você cruza na rua porque elas também não lhe dão bom dia. Você é grosseiro com alguém porque esse alguém foi grosseiro com você primeiramente. E as pessoas fazem tudo isso com o peito estufado, bradando: “Ele(a) merece!”. Fazendo com que um círculo vicioso de energia negativa seja formado. Mas será que ele(a) merece mesmo? Será que você está mesmo coberto de razão? Venho por meio dessa conversa lhe propor quebrar esse círculo vicioso do revide.
Quando engolimos nosso orgulho e tratamos bem quem nos trata mal, podemos proporcionar a essa pessoa uma reflexão muito mais benéfica do que o revide na mesma moeda, podendo plantar a semente do amor e da tolerância.
Sabemos que bloquear as energias da raiva, do rancor e do ódio é muito difícil, mas se começarmos esse exercício nos pequenos atos, vamos plantando a semente para, daqui a um tempo, levarmos essa postura para todos os campos de nossa vida. Vamos refletir?
De tempos em tempos, vivenciamos crimes que chocam a sociedade. Há não muito tempo vimos um adolescente menor de idade que matou um pai de família que buscava o filho na escola. Pouco depois, circulou na internet um áudio do adolescente ironizando o que tinha acontecido. E qual eram os comentários em relação ao áudio? Apenas ódio e raiva. Mas será que é essa energia emanada ao menino que vai fazer com que ele reflita sobre o que fez e veja o tamanho do erro que cometeu? Será que não é exatamente dessa energia rancorosa que as entidades maldosas que estão acompanhando o menino se alimentam? “Mas ele tem que pagar pelo que fez”. É por isso que temos um código de leis e pessoas habilitadas a julgar casos como esse. Não somos nós que temos o poder de julgar. Se formos mais além, a lei do retorno é decisão divina e não nossa. Ao invés de compartilhar o áudio e fomentar o ódio, por que não orar muito e pedir a Deus para que ilumine os pensamentos desse menino e afaste dele as energias negativas?
E aí, vamos quebrar o círculo vicioso do revide?
Médium Luís Eduardo (Dudu).
“Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem nas horas de aflição”. Frase essa pronunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por intermédio do médium Zélio Fernandino de Morais, carrega a essência acolhedora da Umbanda, que busca seguir os preceitos de Cristo no caminho do amor e da caridade.
A essência dinâmica da Umbanda exige o entendimento de que cada casa terá seus próprios rituais que, apesar de diferentes, buscam invocar as forças espirituais. Então, mente e coração devem estar preparados para receber o que a casa está disposta a oferecer, sem julgamentos ou “pré-conceitos” estabelecidos.
Os rituais do ACVE estão intrinsecamente relacionados aos trabalhos que precisarão ser realizados em cada gira, de acordo com as diretrizes passadas pelos dirigentes espirituais. O que torna complicada a tentativa de listá-los.
No entanto, alguns rituais são vistos com mais frequência e conhecê-los auxilia na compreensão do que está sendo realizado. Dessa maneira, buscaremos indicar alguns passos necessários para o bom desenrolar da gira no ACVE:
1º Preparação antes de ir para o terreiro, sintonizando energias e pensamento com a espiritualidade;
2º Respeito aos os rituais, pois tudo tem uma razão de ser;
3º A gira terá início com a saudação da tronqueira (espaço destinado às firmezas e aos assentamentos da linha da esquerda do Templo, que protegerá os trabalhos) e das almas (que são os espíritos desencarnados);
4º Depois, ocorrerá a saudação das linhas auxiliares (baianos, ciganos, marinheiros e boiadeiros) que irão auxiliar no trabalho executado;
5º Em seguida, fazemos a saudação a Pai Oxalá, aos demais orixás, à curimba, ao dirigente espiritual da gira e ao dirigente espiritual da casa, Pai Leopold;
6º Defumação dos médiuns, consulentes e do terreiro, seguida do passe dado pelos caboclos;
7º Por fim, atendimento com os pretos-velhos ou outras linhas de trabalho, a depender da orientação do dirigente e da vibração da gira.
Esses, de maneira simplificada, são os primeiros passos que precisamos conhecer na casa Ação Cristã Vovô Elvírio. Muitos outros existem e, com paciência, disciplina e confiança, vamos nos preparando para aprendê-los e aplicá-los ao nosso dia-a-dia, pois não se é umbandista da porta do terreiro para dentro, mas em todo lugar, 24 horas por dia.
Médium Rafaella Spach.
Alguns dizeres são contundentes. Pela escrita ou pela fala, muitas vezes é necessário que algo seja disseminado com profundidade e convicção, de modo a chacoalhar as nossas estruturas e provocar reflexões em nossa alma. O brusco, o ácido e o controverso muitas vezes são capazes de acessar áreas isoladas do nosso cérebro e reprogramar o que está lá dentro. Não estranhe quando inesperadamente a vida assim o fizer, seja por intermédio de uma situação cotidiana, seja pelas palavras duras de um preto-velho ou de um exu. As críticas, os desencontros e as perdas também fazem parte desse processo. Porém, tudo está na forma como encaramos as situações que parecem afrontar as nossas enganosas certezas. Afinal, se essas certezas fossem realmente infalíveis, não haveria abalos, que talvez sejam apenas fragmentos de orgulho contrariado.
De forma súbita e invasiva (e até desagradável), cedo ou tarde a vida apresentará situações que incomodarão o nosso ser. São como um grande momento, voluntário, de serena meditação e reflexão, mas às avessas. E assim o é porque existem amarras que só podem ser quebradas com um forte tranco. Vejamos nosso mundo: a humanidade está em constante evolução, mas, mesmo ela, precisa de grandes acontecimentos perturbadores, para que a engrenagem do progresso seja lubrificada e as ferrugens do passado sejam removidas. Tudo isso não implica em cultuar as desgraças e as tragédias, ou mesmo em abaixar a cabeça para todas as histerias em nossa volta, mas, sim, em procurar evitar encolerizar-se ou deprimir-se, ao mesmo tempo em que se busca avaliar o próprio comportamento e investigar a pureza da própria alma.
De qualquer maneira, muito cuidado quando estiver do outro lado da situação. Aprender a ser forte e perspicaz quando alvo de verdades inconvenientes não nos torna juízes da vida alheia. Tampouco nos permite dizer aos outros tudo aquilo que pensamos. E há uma grande diferença entre censurar ou ressaltar as imperfeições de algo ou de alguém e buscar um consenso harmônico a respeito de um conceito ou ideal. Na verdade, algumas vezes somos vítimas de indelicadezas e grosserias, mas se essa falha veio do outro, deixe-a por lá, não se contamine e extraia o melhor das diversas situações da vida.
Médium Lucius Lettieri.
PEQUENAS SUGESTÕES PARA MELHORAR NOSSOS ATENDIMENTOS MEDIÚNICOS
Escrito por Super User1) Organize seus pensamentos – Antes mesmo de chegar ao terreiro, vá pensando nas suas prioridades.
2) Carregue somente sua cruz – Estamos sempre pensando nos outros, nos nossos familiares, amigos ou mesmo inimigos. Concentre-se em você. Isso não é egoísmo, é um caminho para solução dos problemas, primeiramente porque você não interfere no livre arbítrio de terceiros e depois porque é você quem está lá e não os outros.
3) Vista-se adequadamente – Grande parte da população normal usa trajes de acordo com a situação ou ocasião. Terreiro não é passarela ou lugar de “azaração”.
4) Não seja curioso – Durante o atendimento, procure manter o foco na sintonia com a entidade. Quanto mais atenção você prestar no guia que está falando com você, mais rápida e eficiente será sua consulta, você gerará menos dúvidas e, de quebra, você não leva pra casa carga dos consulentes devido ao merecimento por ser xereta.
5) Se você não puder fazer os banhos, defumações, oferendas e tudo mais, diga logo ao guia. Ele não vai ficar ofendido. Agora, se você se comprometeu a fazer o que lhe foi proposto então FAÇA e FAÇA DIREITO. Tudo que lhe é passado para fazer tem um propósito, um objetivo e muito provavelmente tem prazo de validade.
6) Vibre sempre energias positivas – Você está cansado, terminou seu trabalho de atendimento e tem que aguardar o término da gira? Parabéns! Isso significa que você terá mais tempo para refletir e pensar em como melhorar sua vida rezando num templo religioso!
7) A gira terminou? Vá embora – Encontros sociais, conversas com parentes, discussões sobre política, religião e futebol, bem como matar saudade de conhecidos, são coisas para serem feitas em lugares mais apropriados como uma lanchonete, um churrasco de domingo ou mesmo lá na padaria ou no café do supermercado 24 horas. O baixo astral é persistente e age sempre na sutileza, portanto, quanto menos brechas você der, melhor será pra você e para os guias que se esforçaram bastante para buscar soluções nos seus atendimentos.
9) Contribua materialmente com seu terreiro – Todo terreiro usa velas, pembas, ervas e artigos de charutaria. Todo estabelecimento consome água e utiliza energia elétrica. Todo local com muita gente precisa ser limpo também na matéria e para isso são utilizados vassouras, panos e produtos de limpeza. O trabalho espiritual acontece num local físico que precisa ser mantido em ordem para a boa continuidade dos trabalhos. Converse com os responsáveis pelo seu terreiro e veja como você pode contribuir mesmo que esporadicamente. Ao ver uma caixa de doações não finja que não viu. Não importa o valor e sim sua boa vontade e compreensão de que o trabalho espiritual é grandioso e deve alcançar seu irmão, o seu próximo.
10) Não visite – Se você está procurando um terreiro por curiosidade, pra ver como é ou pra ver “se é bom”, por favor, não perca seu tempo. O trabalho espiritual é voltado para quem realmente precisa, tem fé, acredita, trabalha, tem paciência e a compreensão de que tudo que acontece na vida é por puro merecimento.
11) Confie em você mesmo e tenha fé – Ninguém é obrigado a ficar em um terreiro onde não se sinta bem, mas ficar indo em vários terreiros ao mesmo tempo é igual a iniciar o tratamento de uma doença em diversos médicos simultaneamente: além de gastar tempo e dinheiro, seu corpo sofre com medicamentos diferentes. Terreiro não é hotel cuja classificação se faz por estrelas. Ir em 7 terreiros diferentes na mesma semana significa que você, no mínimo, ocupou o lugar de outros 6 irmãos que precisam de consulta.
Precisamos sair da passividade e assumir uma postura mais centrada e inteligente para fazer da nossa Umbanda uma religião de respeito. Clareza e verdade são importantes pra todo mundo, e disciplina, ao contrário do que muita gente pensa, não é escravidão, é liberdade!
Saravá a Umbanda!
Fonte: http://paisacome.com.br/portal/orientacoes/sugestoes-assistencia/. Último acesso em 27 de junho de 2016. (com adaptações)
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A humildade é um princípio que nos aproxima de Deus. De acordo com o dicionário, humildade é o "atributo característico de quem possui o conhecimento sobre os seus próprios limites; modéstia"1. Podemos acrescentar, ainda, que humildade é o ato de reconhecer os próprios erros, rever as fraquezas e transformá-las em força, mas não força de ataque, e sim força espiritual. Tudo adquirido pela matéria, ou como matéria, é passageiro. Dividimos o nosso tempo de encarnação (vida terrena) em várias atividades, a maioria delas com fins materiais, mesmo sabendo que o que “investimos” no imaterial é o que realmente nos trará o retorno espiritual, porque serão as coisas que carregaremos pela existência eterna. Isso torna a humildade ainda mais importante, pois abaixar a cabeça diante das forças divinas, reconhecer que somos pequenos, é importante para crescer.
Nessa caminhada, uma das maiores dificuldades que encontramos é a vaidade. A vaidade é algo muito estimulado pelos padrões sociais nos quais estamos inseridos. Fora dos âmbitos espiritualistas, chega a ser uma obsessão para alguns irmãos. A vaidade é o inverso da humildade, é um sentimento com natureza competitiva, que faz um irmão querer “ser melhor” que o outro, sendo catalizador de vários outros sentimentos ruins, como inveja, raiva, ciúme e etc. O excesso de vaidade pode comprometer não só o lado espiritual, mas também o psicológico e até o físico de uma pessoa. Ter o controle sobre este instinto é importante para aprender a ser humilde.
Na Umbanda, podemos aprender com a lição das entidades de luz que trabalham ao nosso lado. Mesmo vibrando em outras frequências e em caminhadas espirituais avançadas, Pretos Velhos, Caboclos, Exus e Erês incorporam para ajudar quem precisa e trazer luz a quem anda nas trevas, demonstrando enorme humildade e servidão à força maior de luz. De acordo com a nossa apostila de estudo do Centro Espírita Ação Cristã Vovô Elvírio (ACVE), ter humildade é saber que uma pessoa que trabalha mediunicamente não é melhor do que outra que não desenvolveu sua mediunidade, é também tratar a todos com amor, carinho e dedicação.
A luta com o ego é constante e necessária para todos os que buscam a evolução espiritual. Nesta luta contra as energias que nos impedem de praticar o amor, uma grande arma é a humildade, tão falada e ensinada pelos grandes mestres que pisaram na terra (Jesus Cristo, Gandhi, Chico Xavier...).
Agrupar é melhor que segregar, pois não pode haver felicidade em nós sem que ela exista no irmão. Quanto mais longe do particular, mais próximo ao bem comum. Quanto mais longe do ego, mais próximo de Deus. Humildade é importante para entender que todos somos um, um átomo de água nesse oceano chamado universo. Se todos somos um, não pode haver melhor nem pior.
Fonte: http://www.dicio.com.br/humildade/ . Acessado em 21 de setembro de 2015.
Há muito tempo, a física vem estudando o início e a formação do universo. A teoria do BigBang defende que uma explosão de um ponto extremamente denso criou um cosmos em expansão. Essa explosão liberou uma enorme quantidade de energia, originando os primórdios de tudo que conhecemos sobre o nosso planeta e o pouco que conhecemos ao redor dele.
Einstein afirmou que todos os corpos que possuem uma massa possuem uma quantidade de energia acumulada, ao afirmar que esta energia é igual à massa do corpo multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz: E = m.c². Nesta teoria, confirmada por outros cientistas, Einstein provou algo extremamente importante: tudo é energia.
Esta energia que cada corpo possui justifica outra lei: tudo tem vibração e movimento. Inclusive este jornal que está a sua frente. Apesar de estar aparentemente parado, ele é formado de partículas que estão sempre em movimento, imperceptíveis a olho nu, como o som de uma nota bem aguda (fina) de um instrumento musical.
Cada forma no universo vibra em uma frequência e nós, encarnados, ainda temos uma percepção mais rústica, não captando as vibrações em níveis mais elevados, ou, às vezes, captando-as, mas não reconhecendo ou não dando importância a elas, pois são muito sutis para a vibração material com a qual convivemos normalmente. São essas diferenças vibracionais que permitem até que tenhamos cidades espirituais sob a terra com estruturas semelhantes às nossas cidades (prédios, casas, etc.) sem que tenhamos nenhuma (ou muito pouca) percepção sobre isso.
Na doutrina espírita, é mencionado o fluído cósmico universal (FCU), resumido, conforme a questão nº 27 de o Livro dos Espíritos, como intermediário entre o espírito e a matéria, fluido e suscetível à ação do espirito. É o FCU que torna possível que o principio inteligente do universo, ou seja, que os espíritos (encarnados ou não) possam manipular a energia que está dispersa em todos os lugares. Os encarnados o fazem por meio da sua mente e de seus pensamentos.
Na Umbanda o tratamento e a manipulação de energia são essenciais para o trabalho. Se todo corpo possui uma energia e uma vibração, cada elemento em nosso terreiro contribui de alguma forma para o trabalho. Das flores às bebidas. Das imagens aos fumos. A energia de cada elemento é manipulada e utilizada pelas entidades no trabalho realizado conforme a necessidade do momento. Então, uma entrega pra uma entidade não é feita para que ela se alimente ou satisfaça vontades carnais. A oferta é a energia daqueles elementos para que sejam utilizadas no trabalho do bem.
Mas não só para o bem as energias podem ser manipuladas. Diversos espíritos utilizam pensamentos negativos de irmãos encarnados para satisfazerem seus objetivos, manipulando também a energia que emana do encarnado e a que o cerca. Em contraponto a estas possibilidades, a Umbanda vem como uma oportunidade de manipulação energética para o bem, resgatando e auxiliando todos os irmãos que necessitam de auxilio para encontrar o caminho das boas vibrações. Qualquer religião ou grupo de pessoas engajado no bem pode auxiliar nesse socorro.
Diversas são as linhas de trabalho na umbanda. Cada linha tem um tipo de energia ou especialidade, e isso se estende as entidades. Cada uma destas sofre influência de seus orixás, de sua história, da sua missão. Nenhuma energia é exclusiva. Exus, Caboclos, Pretos-velhos, Crianças, todos têm suas peculiaridades no manejo e trabalho das energias, e atuam em conjunto com o mesmo propósito: a caridade. Por muitas vezes, agem como filtros energéticos por onde as pessoas passam e, compartilhando energias, saem revigoradas, melhores.
Além das energias de todos os elementos, a umbanda é composta por pessoas. Cada uma com sua energia, recebendo, doando, transformando. Umbanda é energia. É movimento. É magia. É manipulação de energia para o bem, combatendo o mal e respeitando as leis de Zambi. É a força do pensamento para fazer o bem ao próximo. A orientação dos espíritos do bem, somada ao trabalho na caridade resulta em energia de amor e luz para todos.
A Umbanda, por ser uma religião genuinamente brasileira, possui fortes influências africanas, por isso, é um culto Afro-brasileiro. Em virtude de suas raízes, termos ligados a dialetos africanos são usados no dia a dia umbandista.
Advindo de àse, termo da língua yorubá (africana) que significa energia, poder, força e realização, a palavra axé pode ser um grande exemplo de expressão que foi “abrasileirada” dentro dos terreiros e foi transferida à população brasileira como um todo.
Tradicionalmente, axé pode ser utilizada para se referir às forças de entidades e dos orixás, significando “força das pedras, das árvores, do fogo, da terra e das águas”. Dentro dos terreiros, o axé dos orixás pode ser percebido em seus assentamentos e no congá, ou até mesmo na força energética da casa vibrando em sua linha.
Como saudação, axé é uma expressão utilizada para exprimir votos de felicidades e boas energias.
As entidades de uma casa possuem o seu axé de acordo com sua linha de trabalho.
O axé emanado por cada casa e entidade pode trazer trocas energéticas maravilhosas, possibilitando o despertar dos chakras de cada um e, consequentemente, uma melhor forma de realizar as tarefas da vida com mais disposição.
Em uma casa de Umbanda ou Candomblé, além do respeito, todos devem estar abertos a receber o axé que o terreiro irá oferecer para sua vida.
A Umbanda tem, entre outras formas de movimentação energética, as palmas, as vozes e as danças, enfim, a musicalidade. A participação de cada um pode mudar todo o axé de uma gira.
Para que alguém possa receber o axé da casa, deve estar liberto de energias externas ao ritual e aberto a doar. Gastar energia dentro de uma casa de Umbanda trará sempre uma troca. E, como todos dizem, uma gira é boa quando se sai cansado e, no dia seguinte, o despertar é revigorado.
Ao chegar no terreiro, liberte-se de tudo que não possa lhe ajudar, receba todo o axé da casa, bata palmas, cante o que souber cantar e dance quando quiser dançar.
AXÉ para todos nós!
O estado de sintonia espiritual e vibração energética de cada ser atrai – sem esforço ou intenção consciente – energias similares tanto no plano material quanto no espiritual. Ou seja: o nosso estado mental emite vibrações constantemente e, como um imã, atrai ou repele vibrações externas (confiança abre portas e traz “sorte”, bem como pessimismo atrai problemas e “má sorte”). Diante disso, fica fácil compreendermos como é possível que espíritos desencarnados influenciem nossos pensamentos e, consequentemente, nossas ações.
Quando vibramos a impulsividade, a insegurança, a vontade de fugir dos nossos problemas, ideias egoístas e puramente materialistas, abrimos-nos energeticamente para a sintonia com espíritos com vontades parecidas. A influência desses espíritos pode se manifestar em nossas vidas de diversas formas, de acordo com nossas tendências particulares: vício em drogas lícitas como, por exemplo, o álcool, como forma de alcançar prazer e relaxamento compulsoriamente; vício em entorpecentes ilícitos, por exemplo, crack, maconha e outros, como forma de fuga da realidade; o abuso da sexualidade, situação em que há uma necessidade extrema de sedução e como forma de obter atenção e de sentir-se desejado; ou ainda em formas menos drásticas, mas muito danosas, como a ganância, a intolerância, o preconceito e a violência. Em todos esses casos, o plano de fundo é sempre uma alma insatisfeita e infeliz que se conduz à morte física e/ou à degradação espiritual.
Note que é importante lembrarmo-nos de que nós atraímos os espíritos que sintonizam com nosso estado mental e eles nos influenciam na medida e na natureza das nossas tendências e vontades. Assim, chegamos a uma conclusão óbvia e simples: o antídoto e a prevenção em relação às más influências que podem nos acometer são o equilíbrio e o controle sobre nossos pensamentos e nossas atitudes.
Costumamos compreender a mente como o fluxo de pensamentos ininterruptos que decodificamos em palavras e imagens, como se a mente residisse em uma instância superior, imaterial, inatingível e localizada em alguma região do cérebro. Entretanto, o esclarecimento espiritual ilumina nossas reflexões para que possamos perceber que a mente não é cérebro e não é também apenas pensamentos. A mente é espírito, a centelha divina que origina tanto os pensamentos quanto o corpo. O espírito não tem forma, por isso não tem manifestação que possamos descrever ou compreender. O espírito é a origem do corpo, pois o corpo é o veículo pelo qual a mente-espírito se manifesta. A partir da natureza do espírito, os corpos de matéria sutil são criados e moldados; a partir dos corpos espirituais, é gerado o corpo físico que expressa com perfeição a realidade daquele ser em suas aptidões e em seus defeitos. E não podemos ignorar também a existência determinante de uma carga genética densa de nossos ancestrais, advinda da evolução da espécie humana neste planeta.
O corpo dá à mente oportunidade de manifestação e de regeneração, de cura, de reequilíbrio. Por meio das limitações do corpo – que são reflexos das limitações do espírito/mente – conseguimos nos deparar com o “destino” que construímos para nós mesmos em nossa trajetória reencarnatória. O corpo não permite que fujamos dos problemas. Você seria capaz de, em um momento de susto, deliberadamente decidir não sentir o famoso “frio na barriga”? Ou seria capaz de retirar, por vontade própria, a sensação de dor e frio que sentimos no peito quando estamos extremamente tristes? E o que dizer sobre as doenças autoimunes e degenerativas que não têm razão biológica, mas que acometem pessoas, por vezes, repentinamente?
O veículo do espírito – o corpo – é o meio pelo qual acertamos e erramos. É por meio dele que agimos, agredindo ou restaurando; falamos, ofendendo ou consolando; tocamos outras pessoas, para ferir ou para abraçar. Preste atenção ao seu corpo, escute o que ele diz e pede. Onde ele dói, onde pesa, onde falta força, onde falta vitalidade. Perceba também onde há prazer e satisfação, pois quem ri, sorri, celebra, se emociona, chora de alegria, o faz com o corpo. O seu corpo é o cartaz e o porta-voz do seu espírito. Ele expressa com muita verdade o que há em sua alma.
Assim, um caminho possível e revelador para equilibrar a mente e as ações, tornando–nos mais donos das próprias atitudes e atraindo influências espirituais desejáveis, é dar atenção à forma como seu corpo desponta para o mundo. Perguntar-se e observar-se: como é o meu jeito de me colocar diante dos outros, minha postura? Como é meu jeito de falar quando gosto ou desgosto de alguém? Como é o meu jeito de andar, demonstrando insegurança ou confiança? Como é o meu jeito de me alimentar, é esta a minha principal forma de obter prazer na vida? Como é o meu jeito de me colocar como sou sem usar palavras? Estar no controle é, sobretudo, conhecer aquilo que nos influencia e nos leva a ser como somos. Além disso, estando no controle de nossas ações, nos conscientizamos de que, com ações e pensamentos, nós também influenciamos as pessoas e os ambientes nos quais transitamos positiva ou negativamente.
Por uma vida mais livre de controles externos e mais cheia de verdade, espontaneidade e satisfação, para que possamos acreditar sem desvios, nos dedicar sem segundas intenções, amar sem cobranças: busquemos o nosso eu integral, eliminando as fronteiras definidas entre espírito e corpo, uma vez que o espírito sem o corpo não evolui, nem se manifesta, e o corpo sem o espírito não possui razão de ser.