Um novo ano começou! E, culturalmente enxergamos esse momento como uma oportunidade de recomeço, de traçarmos novas metas, retomarmos projetos, estabelecermos novos ou antigos objetivos. Enfim, temos uma conversa interior e também com o Altíssimo, para que o Universo conspire `a nosso favor.
Os dias passam, e muitas vezes nos vemos deixando de lado esse acordo particular que firmamos na virada do ano. A rotina nos toma e por força do hábito não renovamos nossas atitudes para que situações diferentes aconteçam, possibilitando que tudo o que imaginamos se realize.
Mas, então, o que fazer para que a gente não esmoreça no meio do caminho? Como transformar a energia plasmada no mundo mental em algo concreto? Como continuar otimista e perseverante correndo atrás do que se quer?
Como umbandista, denominamos a força que nos motiva a isso de: OXÓSSI. é representada como um caçador, ou seja, aquele que se embrenha na mata e por conhecê-la e respeita-la, sabe ouvir os sinais que ela lhe manda para que ele ataque na hora certa e tenha sucesso na caça.
O caçador de uma flecha só! E’ a energia que nos move para o conhecimento, e quando temos conhecimento de causa, podemos julgar a situação de uma forma mais consciente e decidir se aquilo é bom ou não para nos, e quais os caminhos que podemos tomar para acertar o alvo. Por isso, se diz que Oxóssi é irmão de Ogum, porque Oxóssi é o conhecimento e Ogum é a transformação desse aprendizado com técnica, em ação.
A energia irradiada por ele nos estimula a astúcia, a desenvoltura, a sabedoria, a paciência, e quando tudo isso se alia temos a fartura. Pois saberemos o que e onde caçar. Teremos a sede em saber e aprender, em estudar e também trabalhar, por isso esse orixá é muito requisitado quando se quer passar numa prova, trocar de emprego ou conseguir um novo.
Sendo filho de Iemanjá, a dona do mar (que nos fornece água e alimentos), Oxóssi é o senhor das matas, e também vai nos promover alimento. Da mata podemos retirar várias matérias primas para o nosso sustento. Das plantas retiramos o oxigênio, elemento primordial para a nossa sobrevivência. Quando se respira melhor, o corpo carnal e o astral também vivem melhor.
Do elemento terra tiramos a energia que nos abre para a liberdade de expressão, a firmeza de personalidade, a confiança em quem somos e acreditarmos na nossa força interior.
As florestas são domínios naturais também de outro orixá conhecido como Ossain, que representa o sumo das folhas. O axé contido nas plantas. Ou seja, a parte mais pura da energia terrena. A energia mais próxima a divina que temos aqui na Terra. Por isso as ervas são tão importantes nos trabalhos de cura, de limpeza, de tratamento dos nossos corpos espirituais e também físico. E como se fosse um elo entre o mais denso (nosso físico) e o espiritual (mais etéreo). Como não respeitar esse sítio sagrado?
Nas folhas se escondem muitos segredos, um prana que ainda não temos total conhecimento. As plantas respondem ao comando do Universo e não ao do homem, por isso se diz que deve-se ter medo ao entrar numa floresta. É importante pedir licença para quem a protege, pois não sabemos o que nos aguarda nesse sítio natural. Mas, para quem a respeita sabe que a Natureza é mãe e que ela proverá tudo o que necessitamos. Então, sabendo pedir elas atuarão a nosso favor.
À medida que aprendemos, expandimos limites e novos horizontes se abrem a nossa frente. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Assim, o vemos ligado `a nossa Curimba, onde são produzidos cantos e toques que nada mais são do que energia.
Oxóssi rege os caboclos. Entidades que são caçadoras de axé, que buscam coisas boas, que nos ensinam a caçar energias positivas, expandindo e auxiliando os seres na construção de um destino abundante. São entidades que também trabalham na doutrinação mediúnica. E como filho também de Oxalá, Oxóssi ajuda no desenvolvimento do saber religioso e da fé.
A fé que nos dá o chão para pisarmos firme rumo aos nossos sonhos. Que guia a nossa flecha para agirmos corretamente, buscando sermos os melhores naquilo que desenvolvemos, e que nos alimenta de conhecimento para sentirmos o sabor da vida. Não importando o quanto se viva, desde que se viva intensamente!