Mediunidade

Mediunidade (51)

Quantos há que procuram atendimentos espirituais em busca de “respostas exatas”, de “certezas” e de “garantias” sobre o futuro nos mais diversos campos da vida. No terreiro de Umbanda, não é diferente. Muitos consulentes buscam os atendimentos, esperando das entidades demonstrações fantásticas de adivinhação do que estão ali buscando ou predições do futuro.

Irmãos de caminhada, é compreensível que, em meio às dores e aflições da vida, muitas vezes tão longas para vocês (porque o transcorrer do tempo para nós é diferente), se busque desesperadamente por alguém que diga, ao menos, que está acabando, que já vai passar. Qualquer resposta que venha do outro lado, de espíritos que, na qualidade de desencarnados, possuem uma visão menos limitada da vida do que a dos encarnados poderia ressonar como um alívio imediato para uma dor, para a ansiedade sobre o destino de uma relação amorosa, para a aflição de alguém que busca pela cura do corpo físico, para a agonia de alguém há tanto tempo desempregado...

Diante dos irmãos aflitos, quantos médiuns e entidades gostariam de poder não apenas “dar certezas” de que tudo sairá conforme se deseja, como também prever a cura da doença, o sucesso do projeto, o alívio da dor... No entanto, há leis que regem a vida e o intercâmbio entre os mundos material e espiritual. Como nos ensina o Livro dos Médiuns:

“A Providência pôs limite às revelações que podem ser feitas ao homem. Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso revelarem. Aquele que insista por uma resposta se expõe aos embustes dos Espíritos inferiores, sempre prontos a se aproveitarem das ocasiões que tenham de armar laços à vossa credulidade.”

Algumas vezes, nós, espíritos, sabemos o que pode vir a ocorrer, mas não podemos revelar; outras vezes, não há uma resposta exata, pois tudo depende apenas do consulente que, a partir das escolhas que fizer, estará escrevendo o próprio destino, (mas como é difícil assumir essa responsabilidade sobre a própria vida, as consequências dos próprios atos! E como prever com exatidão algo que pode mudar de curso a depender do caminho que se escolha?!); e, na maior parte das vezes, a certeza que se busca na mensagem de um espírito seria um atalho para evitar o caminho árduo, porém necessário e gratificante, do autoconhecimento e amadurecimento do ser. 

Diante desse panorama, recomendamos que auscultem mais o coração de vocês, meditem sobre as situações que a vida lhes apresenta, sobre as escolhas que fazem ou já fizeram. Nos momentos de recolhimento e prece, aproveitamos para intuí-los sobre ideias que podem ajudá-los a resolver as questões que os afligem. O que buscam fora, na maior parte das vezes, está dentro de vocês, e as respostas pontuais que, por algum motivo, não podem receber no momento, economizam aflições desnecessárias e evitam que se esquivem de vivenciar experiências muito necessárias ao crescimento. 

Como o citado Livro dos Médiuns ensina, não busquem respostas prontas, quando uma comunicação mediúnica séria te diga não ser isso possível, pois a insistência ou a resistência em encarar o que precisa ser encarado podem torná-los alvos de espíritos zombeteiros.

É importante ficar registrado que, conforme mentores espirituais instruíram Allan Kardec, poucas vezes, quando útil à evolução dos envolvidos em determinadas situações e quando a própria situação possibilitar uma resposta exata, o futuro pode ser revelado, no entanto, frise-se: essa não é a regra e depende de diversos quesitos, dentre os quais encontramos também o merecimento e o preparo, tanto do médium que, instrumento de uma predição verdadeira, precisa da sobriedade e retidão necessárias para não se envaidecer quanto do consulente que recebe a revelação buscada, ao qual é necessária e fundamental a consciência de que a informação recebida precisa ser usada de forma útil ao crescimento espiritual de todos os envolvidos na situação. 

Seja no conselho de um preto-velho, na leitura de cartas de uma entidade cigana, nos ensinamentos dos caboclos ou na comunicação de qualquer outro espírito que se manifeste na forma que for, busquem sempre a força para continuar, a inspiração para encontrar as respostas que precisam, o auxílio para fortalecerem a fé, a orientação para agir com sabedoria, o amparo e carinho para acalmar e aquecer os corações aflitos, sempre no sentido de utilizar os elementos do atendimento para a realização da reforma íntima e para o avanço no processo de autoconhecimento.

Vovó Benedita do Congo,

 

 

Já vimos que Médium é todo aquele que sente num grau qualquer, a influência dos Espíritos (Cap. XIV – Dos médiuns, em Livro dos Médiuns, de Allan Kardec). E que Mediunidade é uma ferramenta que pode ser utilizada para o crescimento do ser humano. Quanto mais moralizado e evangelizado for o médium, mais terá condições de servir de veículo de espíritos superiores. 

No tópico anterior aprendemos que Médiuns de Efeitos Físicos são particularmente aptos a produzirem fenômenos materiais como os movimentos dos corpos inertes, ou ruídos, etc.

No livro dos médiuns (Cap. XIV) Kardec menciona as “Pessoas Elétricas” para exemplificar uma das diversas modalidades de efeitos físicos.

“São pessoas dotadas de certa dose de eletricidade natural, verdadeiros torpedos humanos, a produzirem, por simples contacto, todos os efeitos de atração e repulsão. Errado, porém, fora considerá-las médiuns, porquanto a vera mediunidade supõe a intervenção direta de um Espírito.”

As pessoas elétricas tiram de si mesmas o fluido necessário à produção dos fenômenos e podem agir sem auxílio dos Espíritos, não são propriamente médiuns, no sentido exato da palavra, mas pode ser também que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais.

Esse tipo de “eletricidade” não é uma forma de mediunidade, mas sim uma potencialidade anímica, que em alguns casos pode ser notada como mediúnica (ver historia do espírito batedor de Bergzabern, livro dos médiuns Cap. XIV). 

Ou seja, a mediunidade tem a mediação dos Espíritos já a Faculdade Anímica é da própria pessoa, uma capacidade da alma (potencialidade anímica) sem a influência de Espíritos. É importante destacar que a separação entre o mediúnico e o anímico é muito sutil.

Nosso próximo tema será Médiuns Sensitivos ou Impressionáveis, não percam!

Texto extraído do Jornal Estrela Guia de Aruanda - ACVE - edição de abril de 2016

Ao iniciarmos os estudos sobre Umbanda, comumente encontramos conceitos e explicações sobre entidades, guias e orixás que remetem à polaridade. Por exemplo: aprendemos que todos os orixás possuem seus pares energéticos, como Egunitá e Xangô, Yansã e Ogum, Obá e Oxóssi, Oyá e Oxalá, Yemanjá e Omulu, etc; entendemos que o orixá Exu possui a forma masculina de manifestação, que é exu, e a forma feminina, pombagira; entre tantas outras questões que são explicadas a partir da ideia de polaridade ou de gênero. Por isso, antes de pensarmos sobre polaridade, é importante entendermos a diferença entre polaridade e gênero. 

Polaridade é dividida em dois fatores complementares: positivo e negativo. Já o gênero divide-se em duas formas de manifestação: feminino e masculino. Gênero trata-se de manifestação, ou seja, está no plano material e, por isso, é definido (masculino ou feminino, nunca ambos ao mesmo tempo, e manifesta-se nos humanos como o sexo biológico, os órgãos reprodutores) e temporário (varia de acordo com as múltiplas encarnações, hora vivenciamos a experiência de ser mulher, hora de ser homem). 

A polaridade, por outro lado, não é manifestação, e sim aquilo que precede a manifestação material, é energia que se movimenta e se aglomera, formando a matéria. Diferentemente do gênero, a polaridade não é definida e nem temporária: todas as coisas criadas (seres humanos e demais elementos da natureza) possuem as duas polaridades e possuirão sempre as potências negativas e positivas em constante movimentação e busca por equilíbrio. Para que essa ideia fique ainda mais clara, podemos substituir as palavras negativo e positivo por passivo e ativo. Isso porque, assim, evitamos associar negativo com algo ruim e positivo com algo bom. Passividade e atividade possuem funções distintas e momentos em que serão benéficas ou prejudiciais.

Comumente, compreendemos passividade como um aspecto ruim, fraco e inferior. Entretanto, o poder da passividade é essencial para a realização de qualquer atividade ou trabalho. Se nos mantivéssemos apenas presos à ação, seríamos sempre impulsivos e irreflexivos, pois é a passividade que dá à mente tempo para refletir, planejar e aprender com ações e acontecimentos. O distanciamento da ação e do movimento externo é o melhor caminho para conseguirmos acessar nossa consciência, nossa intuição. A meditação, por exemplo, é um exercício de passividade que produz benefícios incontáveis à saúde física e espiritual.

Há outra relação que estabelecemos instintivamente: entre passivo e feminino, e ativo e masculino. De fato, biologicamente, a passividade do óvulo possibilita a aproximação do espermatozoide, que se movimenta rapidamente. Essa é uma relação perfeita de atração entre as energias passiva e ativa. Porém, nos enganamos quando julgamos que a atividade é atributo exclusivo dos homens e a passividade das mulheres, pois, como já citamos, as duas polaridades encontram-se sempre juntas em todas as manifestações da Criação; além disso, tratam-se da mesma coisa e não de coisas distintas: polaridade é como a temperatura, não importa se há 40º positivos ou 40º negativos, os graus sempre serão a medida do calor, variando apenas em mais ou menos quente, pontos distintos de um mesmo fator.

Assim, podemos compreender a polaridade como a energia que faz com que algo se movimente (ativa) ou permaneça inerte (passiva). Podemos associá-la a tudo que está ao nosso redor, aos movimentos do nosso corpo e também à esfera espiritual. 

Em nível orgânico, podemos perceber a atuação das energias passivas e ativas como, por exemplo, nos intestinos, nos quais os movimentos peristálticos saudáveis (pol. ativa) produzem a eliminação das fezes e, quando paralisados, ocorre a constipação (pol. passiva); no estômago, que precisa produzir suco gástrico para digerir alimentos (pol. ativa) e precisa parar a produção na ausência do alimento (pol. passiva), do contrário surgem gastrites e úlceras. 

No campo espiritual, a troca de fluidos energéticos, as relações de simbiose e afinidade, as influências espirituais, tudo isso ocorre por meio da sintonia entre os nossos centros de força, chakras, e as energias externas. Nossos chakras podem estar desvitalizados e girando lentamente (passivos), devido à drenagem de energia vital ocasionada por obsessões; superexcitados e girando rápido demais (ativos), devido a influenciações também obsessivas que estimulam vícios, raiva, violência, etc; ou ainda em equilíbrio, pulsando e fluindo em movimentos harmônicos resultantes de hábitos moderados, prece, bons sentimentos etc. Essa noção de equilíbrio e movimento constante é bastante valiosa, em especial para a Umbanda.

A Umbanda sagrada cultua Oxumaré, “Senhor do Movimento”, orixá que tem como atributo principal a instabilidade, a mudança contínua; seu arquétipo é representado por um ser que é mulher em um período do ano e homem no outro (note que cada gênero tem seu momento, nunca estão simultaneamente na mesma criatura). Isso se explica pela continuidade na mudança de polaridade: à medida que vai se acumulando a energia da polaridade passiva, vai se perdendo a da polaridade ativa, até que o ser torna-se do gênero feminino, momento em que, ininterruptamente, passa a atrair a polaridade ativa e perder naturalmente a polaridade passiva, tornando-se homem. Esse movimento de transformação, fundido em Oxumaré, ocorre incessantemente em todas as coisas da criação. É devido a ele que nos transformamos no produto de nossas escolhas, nossos sentimentos e nossas vontades. 

Compreender polaridade significa compreender que tudo tem dois lados, tudo é inteiro e é também incompleto, buscando o aprimoramento em ciclos contínuos de evolução.

 

Antes de iniciarmos nosso tópico desse mês, vamos relembrar alguns pontos importantes do texto do mês anterior: 

• Médium é todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos (Cap. XIV – Dos médiuns, em Livro dos Médiuns, de Allan Kardec).

•Mediunidade é uma ferramenta que pode ser utilizada para o crescimento do ser humano.

•Quanto mais moralizado e evangelizado for o médium, mais terá condições de servir de veículo de espíritos superiores. 

Diante disso e de acordo com os conceitos espíritas, sabemos que médiuns de Efeitos Físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, ou ruídos, etc. Nos terreiros de umbanda, é possível vermos, por exemplo, médiuns acendendo charutos utilizando apenas uma pemba, materializando de objetos, como dentes de alho, e até mesmo acendendo velas por imposição de mãos.

São médiuns que, dotados de uma condição especial, doam fluido magnético ao ambiente. O médium não é gerador de fenômenos e sim um elemento que proporciona parte dos fluidos necessários às manifestações físicas, podendo permanecer em transe ou desperto. 

Edgard Armond, no livro Mediunidade, descreve alguns efeitos físicos:

Levitação: levantamento de objetos e pessoas contrariando a lei da gravidade.

Transporte: entrada ou saída de objetos de recintos fechados.

Tiptologia: sinais transmitidos por meio da repercussão de pancadas, formando palavras ou frases inteligentes, diretamente nos móveis, paredes, no ar, ou por meio de mesas “girantes” ou “falantes”.

Materialização: aparição de objetos.

Voz direta: surgimento de vozes no ambiente sem interferência direta do médium.

 

Os médiuns de efeitos físicos podem ser dividir em médiuns facultativos e médiuns involuntários. Facultativos são os que possuem consciência e controle da sua capacidade e que produzem fenômenos espíritas por ato da própria vontade. Médiuns involuntários ou naturais são aqueles que exercem influência sobre o ambiente independente de sua vontade, muitas vezes o que de anormal se passa em torno deles não se lhes parece de modo algum extraordinário. O médium de efeito físico não tem controle sobre sua doação de fluidos para o mundo espiritual, sua transmissão fluídica acontece instantaneamente, muitas vezes o médium não percebe que está fazendo a doação. É por meio desse fluido que o Espírito consegue manifestar-se diretamente na matéria.  

Não percam a próxima edição: falaremos sobre “pessoas elétricas”.

Terça, 01 Março 2016 11:53

Umbral

Alguns filmes nacionais tentaram retratar o que seria o purgatório. Em um dos trechos do filme O Auto da Compadecida (Guel Arraes), o personagem João Grilo sugere a Jesus que quatro de seus conhecidos fossem encaminhados a essa zona para que escapassem do inferno.  Em Nosso Lar (Wagner de Assis), obra cinematográfica inspirada no livro de mesmo nome, de autoria de Chico Xavier, o Umbral é descrito na fala de Lísias como uma zona de diversas perturbações e sofrimento, onde se esgota todo tipo de resíduo emocional ou material que não possui utilidade após o desencarne. Diante disso, o que é o Umbral ou o dito purgatório, afinal?

Discutiremos aqui uma concepção de Umbral voltada para a fé umbandista que, de fato, guarda grande consonância com o conceito espírita apresentado no livro de Chico Xavier. Trata-se de uma região bem próxima ao nosso mundo natural, dos encarnados, em que se situam todos os tipos de cargas negativas que o espírito carrega em razão das atitudes que teve como encarnado. 

Diferentemente do que ocorre no mundo natural, onde precisamos exteriorizar nossos pensamentos; no plano espiritual, o nosso “pensar” acontece de modo diferente. Após o desenlace do corpo físico, a consciência do desencarnado carrega energias que se aglomeram com outras semelhantes, construindo uma faixa vibratória que atrai o espírito para um local de afinidade do seu pensamento. Uma área, portanto, em que se acumulam várias cargas negativas encontradas nos “monstros” particulares (vícios) que os espíritos alimentaram durante a passagem no mundo físico. 

Como o tipo de consciência varia de espírito para espírito – de acordo com o tipo de vida que levou no mundo físico, bem como as crenças teve – podemos dizer que o Umbral não se limita a um determinado tipo de ambiente. Ele varia em diversas regiões talvez incontáveis, uma vez que são construídas conforme o tipo de faixa energética em que cada espírito vibra. Em determinado ponto, entram em sintonia aqueles que carregam experiências ligadas às guerras e ao ódio, em outro se juntam aqueles que estiveram ligados ao egoísmo, outros ao suicídio. Desse modo, essas edificações encontram-se em constante mutação, nelas a noção de tempo e espaço não é propriamente perceptível.

Além disso, essa região do plano espiritual pode ser descrita como uma terra em que a liberdade individual do espírito é que reina e, dessa forma, a vontade daquele que se encontra no Umbral, que carrega uma consciência baseada nos vícios terrenos, é que prevalece. Ou seja, a decisão de permanecer ou sair de lá cabe somente ao espírito desencarnado, dependendo da sua força de vontade e fé. Utilizando do exemplo de Nosso Lar, André Luiz – o protagonista – somente conseguiu deixar o Umbral após manifestar a fé no Criador, enquanto os demais espíritos que lá se situavam recusaram a ajuda dos espíritos de luz.

Ir para o Umbral é fácil, pois somos espíritos cotidianamente tentados a carregar os vícios do mundo físico. Todavia, a saída dessa região é difícil, posto que o espírito encontra-se inserido em uma faixa vibratória que tende cada vez mais a prendê-lo, restando-lhe somente a persistência da fé. O Umbral, de certa maneira, acaba sendo então uma zona de provação, onde o próprio espírito necessita despertar, deixando os vícios que lhe pertenciam (se eximir dos pecados, como foi dito por João Grilo), para que possam caminhar no mundo superior. Claramente o caminho mais fácil é evitar a própria entrada nessa região, persistindo em uma trilha voltada à prática de caridade, bem ao distanciamento dos vícios que nos aprisionam.  

Segunda, 01 Fevereiro 2016 12:26

MEDIUNIDADE

Com certeza você já ouviu uma história que envolvesse a palavra ''Mediunidade'', ou até mesmo ouviu algo mais direto, como, por exemplo: "você é médium"; "você precisa trabalhar sua mediunidade"; "você é médium de efeito físico, audiente, ou escrevente”. Alguns se preocupam e questionam: estou doente?; isso é bom?; tenho um dom?; tenho poderes?

Infelizmente são poucos os que saem em busca de conhecimento e se aprofundam nesse tema tão falado e pouco estudado.

Médium é todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos (Cap. XIV – Dos médiuns, em Livro dos Médiuns, de Allan Kardec), não é um privilégio, podemos dizer que todos são médiuns. Ou seja, se já disseram que você é médium ou tem mediunidade, não se assuste, pois é algo natural.

Não existe uma receita para formação de médiuns, Kardec ensina que mediunidade é uma disposição orgânica, ou seja, nascemos com qualidades necessárias para nos tornarmos médiuns e tais qualidades existem em diferentes graus, nenhum médium é igual ao outro.

De maneira simples, podemos exemplificar dizendo que mediunidade é uma ferramenta que pode ser utilizada para o crescimento do ser humano, um instrumento que auxilia na construção do novo. É a interação entre o mundo espiritual e o material. 

Quanto mais moralizado e evangelizado for o médium, mais terá condições de servir ao próximo e de ser veículo de espíritos superiores. 

Vamos ajudar a despertar em você a vontade de conhecer mais sobre o tema mediunidade. Fique atento às próximas edições do Jornal Estrela Guia de Aruanda! Não perca nenhum tópico:          

1: Médium de efeito físico

2: Pessoas elétricas

3: Médiuns sensitivos ou impressionáveis

4: Médiuns audiente

5: Médiuns falantes

6: Médiuns videntes

7:Médiuns sonambúlicos

8: Médiuns curadores

9: Médiuns pneumatógrafos         

Vamos iniciar, no próximo mês, com: Médium de efeito físico.

 

 

Quem nunca ouviu a frase “No Brasil, o ano só começa depois do Carnaval!”? Ou ainda, quem nunca viu um estrangeiro associar Brasil ao Carnaval, assim como ao samba? Essas situações exemplificam como nosso país é vinculado a essa festa, não somente dentro da cultura brasileira, mas também mundialmente. Esse vínculo e sua importância nos apresentam uma grande oportunidade para refletirmos sobre a festividade, seja por uma perspectiva espiritual ou simplesmente (re)pensar o modo como aproveitaremos um grande e bom feriadão. 

Avessos, ansiosos, enfadados, felizes, esperançosos para descansar ou para se divertir, o Carnaval é um momento em que se misturam muitas emoções e expectativas, sobretudo aquelas que socialmente não costumamos exteriorizar. Nada de inferior ou negativo encontra-se em celebrar a vida com alegria, o problema é que, para grande parte das pessoas, o Carnaval está associado à exacerbação regada a entorpecentes de branda a alta potencialidade, em especial as bebidas alcoólicas, e a relações sexuais sem respeito e até mesmo sem consentimento. São elementos como esses que tornam a festa um momento perigoso para a nossa jornada evolutiva. 

Em “Nas fronteiras da loucura”, livro psicografado por Divaldo Franco e ditado pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda, a festividade é relatada misturando o cenário do excesso desenfreado com o trabalho espiritual prestado em intensidade. 

“Milhares de pessoas imprevidentes, estimuladas pela música frenética, pretendendo extravasar as ansiedades represadas, cediam ao império dos desejos, nas torrentes da lubricidade que as enlouquecia. [...] As mentes, em torpe comércio de interesses subalternos, haviam produzido uma psicosfera pestilenta, na qual se nutriam vibriões psíquicos, formas-pensamento de mistura com Entidades perversas, viciadas e dependentes, em espetáculo pandemônico, deprimente. As duas populações - a física e a espiritual, em perfeita sintonia - misturavam-se, sustentando-se, disputando mais largas concessões em simbiose psíquica... Não obstante, como sempre ocorre em situações dessa natureza, equipes operosas de trabalhadores espirituais em serviços de emergência, revezavam- se, infatigáveis, procurando diminuir o índice de desvarios, de suicídios a breve e a largo prazo pelas conexões que então se estabeleciam, para defender os incautos menos maliciosos, enfim, socorrer a grande mole em desequilíbrio ou pronta para sofrer-lhe o impacto”.

Colocar-se em situações em que agir sem refletir faz parte da ordem do dia não é exclusividade do Carnaval, mas a larga escala da celebração amplia consideravelmente nossa vulnerabilidade em relação às consequências que esses atos podem gerar. Por isso, o próprio Carnaval também se torna uma oportunidade para desenvolvermos nossa maturidade moral, pois a vulnerabilidade não se encontra no fato de estarmos à mercê das vicissitudes que o mundo nos propõe, e sim na nossa necessidade de expor os sentimentos, as intenções que trazemos dentro de nós mesmos. Isso faz parte de nosso projeto evolutivo, que conduzimos cotidianamente.

Como ainda trabalhamos muitas vezes de maneira bastante tímida e mínima esses elementos, o carnaval gera uma atmosfera que aciona a necessidade de gerenciarmos melhor nosso padrão vibratório com muita vigilância. Para tanto, façamos uma reflexão sobre nós: o que sentimos e o que verdadeiramente queremos para uma felicidade que dure o ano inteiro, e não apenas no carnaval. A lei de amor proposta por Jesus Cristo e a consciência espiritualista nos auxiliam a compreender que todos os dias teremos a chance de nos tornarmos melhores. Assim, o carnaval coloca-se como uma das oportunidades que teremos, não para externalizarmos excessivamente a conduta pela qual nos envergonharíamos, mas, para celebrarmos com muita alegria o que conquistamos de bom a cada dia em nossa vida, em nossa história.

O carnaval é uma festividade popular que faz parte da nossa cultura! Atinge todos os gêneros, classes sociais, credos... É um momento de celebrar a vida com muita alegria, deixar as tensões de lado e relaxar! O ACVE deseja um excelente carnaval a todos e lembramos que não haverá trabalho mediúnico no sábado, dia 06/02/2016.

 

Referências

http://brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm

http://historia-do-carnaval.info/

http://www.suapesquisa.com/carnaval/

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-a-origem-do-carnaval

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/carnaval/as-origens-carnaval.htm

http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/entenda-origem-carnaval-brasil-mundo-620574.shtml

http://anjosdacaridade.com.br/index.php/blog-pagina-inicial/article/1-blog/57-espiritualidade-e-o-carnaval

http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=892

 

Domingo, 01 Novembro 2015 12:31

RECEITA DE DESOBSESSÃO

“O espírito que está obsediando alguém ou causando transtorno em um lar precisa ser afastado”

Como é triste constatar que esta é, muitas vezes, a crença de muitos trabalhadores de centros e terreiros, não porque seja de todo errada – mas ela é, com certeza, incompleta.

Todo processo de obsessão é uma VIA DE MÃO DUPLA. A ninguém cabe julgar quem é culpado e quem é vítima; nossa função não é avaliar os casos de obsessão ou atuar como juízes. A verdade é que espíritos bons e maus ligam-se a nós por afinidade – quando compartilhamos os mesmos sentimentos, os mesmos interesses, as mesmas ambições. A isso se dá o nome de sintonia espiritual. Há, ainda, casos de obsessão que têm causa em relações de vidas passadas, quando erramos e magoamos parentes, amigos ou desafetos de tal forma que o vínculo de dor e sofrimento, de falta de perdão e necessidade de reparação, se mantém nas encarnações seguintes. 

O trabalho que almeja o “afastamento” do espírito perturbador deve levar em conta essas questões. Na Umbanda, chamamos esse tratamento de puxada. Compreendemos que a puxada seja um afastamento rápido e, por vezes, temporário dos espíritos que estão ligados a nós por meio de nossas imperfeições e tendências. Perguntamos-nos, então: qual a eficácia de afastar os obsessores espirituais se o próprio encarnado não mantiver uma condição mínima de equilíbrio para que este afastamento seja permanente? Em alguns casos, logo após receber intenso tratamento desobsessivo, o indivíduo começa a atrair de volta para si os espíritos ou as energias das quais acabou de ser liberto. 

Desse modo, a puxada em si não é uma desobsessão, é apenas parte do tratamento. Afinal, o espírito que hoje obseda ontem pode ter sido vítima, bem como aquele que sofre a obsessão pode ter sigo um algoz cruel. Não há injustiça na conduta divina, portanto, não há sofredor que não tenha a quem pagar. Essa realidade nos coloca bem no centro dos nossos problemas, com a inteira responsabilidade pela nossa condição espiritual. A única verdadeira desobsessão ocorre de dentro para fora, ou seja, quando nos abrimos para reconhecer nossas imperfeições, quando perdoamos e pedimos perdão, quando abandonamos a postura de vítima e nos dispomos a mudar. Desse modo, seria estranho pensar que em alguns minutos durante uma puxada isso vá se realizar por completo. 

É verdade que, algumas vezes, o consulente já alcançou o merecimento pessoal diante das leis divinas para se ver livre das amarras obsessivas. Nestes casos, realmente uma puxada pode ser o suficiente para que o encarnado siga seu caminho com liberdade, autonomia e mais saúde. Entretanto, vale lembrar que conquistar merecimento é justamente abrir-se para o autoconhecimento, reformar os padrões de pensamento e comportamento, enfim, ter realizado suficientemente a tão conhecida reforma íntima.

Não há como “afastar os maus espíritos” se continuarmos a alimentar os sentimentos inferiores que os atraíram, em primeiro lugar. Não há mágica nessas relações. Se, de um lado, os Espíritos precisam ser tratados, doutrinados e encaminhados na espiritualidade, do outro, os encarnados precisam também se evangelizar, para compreender sua parcela de responsabilidade por todo o mal que atraem para si mesmos. Ninguém se engane: o obsedado só se libertará quando ele mesmo se dispuser a promover a sua autodesobsessão. As entidades não poderão fazer por ele o que ele não fizer por si mesmo. Muito menos os médiuns, ou alguém que lhe queria operar a cura.

Sabemos que existem obsessões incuráveis na presente encarnação. Que determinados casos de subjugação e de possessão não serão solucionados agora. São aqueles que exigem tratamento a longo prazo - o lento, mas belo processo de redenção da alma que se esforça por sua transformação; que luta consigo mesma para superar o passado tiranizante. É uma batalha prolongada. O Culto do Evangelho no Lar, a leitura diária do Evangelho e o hábito da oração são bons antídotos contra as obsessões, mas só terão validade quando conseguirmos transformar ideias em realizações, quando passamos a agir de modo a merecermos a libertação.

“Não valem médiuns que apenas produzam fenômenos.

Não valem fenômenos que apenas estabeleçam convicções.

Não valem convicções que criem apenas palavras.

Não valem palavras que apenas articulem pensamentos vazios.

A vida e o tempo exigem trabalho e melhoria, progresso e aprimoramento.

[...]

Por isso mesmo, os amigos desencarnados, sempre que responsáveis e conscientes dos próprios deveres diante das Leis Divinas, estarão entre os homens exortando-os à bondade e ao serviço, ao estudo e ao discernimento, porquanto a força mediúnica, em verdade, não ajuda e nem edifica quando esteja distante da caridade e ausente da educação." Chico Xavier, livro Seara dos Médiuns.

 

Médium é o indivíduo que possui sensibilidade para o contato com o mundo espiritual. Allan Kardec afirma que todos somos médiuns, em maior ou menor grau1, já que todos somos mais ou menos sensíveis às energias espirituais.

Então, o que define a força de um médium é a sua missão ao reencarnar? A sua capacidade de empregar energia para viabilizar suas obras, sejam elas positivas ou não? É uma característica inata do indivíduo? Pode ser aprimorada? Se você está iniciando sua jornada mediúnica, é provável que dúvidas como essas estejam ocupando suas reflexões.

Quando alguém tem uma presença marcante, que não passa despercebida, posicionamentos bem definidos diante do mundo, a capacidade de transformar para melhor ou pior o ambiente e o estado de espírito das pessoas ao seu redor, dizemos que essa pessoa tem axé. O axé é, portanto, um conjunto de fatores e posturas que envolve fé, entrega e confiança, energia, missão, conhecimento, comprometimento, firmeza. Em resumo, podemos dizer que o axé seja a capacidade que temos de contagiar os outros com a nossa energia, ela pode aumentar ou diminuir ao longo da vida e dos aprendizados que temos. Sem dúvidas, o axé que o médium possui influencia na intensidade da sua mediunidade: quanto mais axé, mais força mediúnica.

A força mediúnica também pode ser vista como uma característica individual, mas pode ser intensificada por meio do contato com as entidades espirituais. Por exemplo: ao fazermos uma oração, recebemos o amparo da espiritualidade amiga e entramos em contato com as forças superiores. Logicamente o mesmo se dá ao nos ligarmos com espíritos zombeteiros por meio da nossa raiva, da vontade de vingança, da perseverança no mal: seremos fortalecidos, embora a finalidade não seja positiva.

Então podemos dizer que basta ter axé para ser um médium forte, já que sua força mediúnica estará bastante vigorosa? Não! Na realidade, o médium forte de verdade nem sempre produzirá fenômenos mediúnicos aparentes, pode nunca chamar a atenção dos companheiros e pode até mesmo ser aquele irmão mais simples e discreto. Médium forte é o médium equilibrado e bem sintonizado com a espiritualidade de luz, é aquele que carrega a palavra e a presença do Cristo, distribuindo harmonia e esperança por onde passa. Temos muitos exemplos anônimos de médiuns fortes! Esses são os queridos e amados da espiritualidade, pois, mesmo que inconscientemente, devido à sintonia harmoniosa e alegre com o Bem, estão sempre preparados para serem instrumento da Luz e do Amor. 

Em contrapartida, o “médium fraco” é aquele indivíduo que não utiliza suas faculdades mediúnicas para o bem coletivo, é aquele que se dedica mais aos fenômenos do que à moral, mais à forma do que ao conteúdo. O médium fraco pode ser o mais culto e reconhecido, o que mais fala sobre as verdades espirituais, os conhecimentos sagrados de Umbanda e da espiritualidade, mas que, no entanto, não consegue permitir que as verdades mais simples do Mestre Jesus penetrem seu coração e se manifestem em seu cotidiano. Por isso, o médium fraco é aquele que pode possuir um grande axé e uma contagiosa presença, mas não possui a humildade, a fé e o desprendimento necessários para a verdadeira elevação espiritual.

Isso acentua a necessidade e a importância de um bom desenvolvimento mediúnico, embasado nos estudos evangelizantes, firmeza moral e espiritual, além de responsabilidade, porque mediunidade é compromisso sério. A prática mediúnica exige disciplina, renúncia e, o mais importante, doação!

Assim, entende-se que o que conta como fator preponderante para a evolução do médium é o quanto ele será capaz de manifestar em sua vida as verdades do Cristo e como empregará sua energia vital. Ao empregá-la para o serviço no bem, nós cresceremos como irmãos em humanidade e influenciaremos a transformação para melhor do mundo que nos rodeia.

1 Item 159, capítulo XIV de “O Livro dos Médiuns”.

 

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