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O álcool é uma das drogas lícitas que temos em nosso país. Pode ser utilizado de forma recreativa com equilíbrio e, inclusive, trazer efeitos benéficos, através dos polifenóis, por exemplo, substâncias presentes no vinho, que possuem potente efeito antioxidante e ação antibiótica. E, também, do resveratrol, que é uma das substâncias desse grupo maior anteriormente citado, e possui ação protetora em relação às doenças cardiovasculares. Por outro lado, se o álcool é consumido em excesso, pode levar a doenças graves como o próprio vício (alcoolismo) e a cirrose hepática.

Causa inicialmente uma euforia, já que, com seu consumo, há a liberação de serotonina e endorfinas, deixando a pessoa mais alegre, desinibida e até corajosa, pois esses são hormônios que regulam prazer, humor, ansiedade, felicidade e bem-estar. Em nosso corpo, a glândula pineal é a responsável pela serotonina e está relacionada com o nosso chakra coronário. Já as endorfinas são produzidas pela hipófise ou glândula pituitária, que se relaciona com o chakra frontal.

No entanto, é uma droga depressora, que diminui a atividade do Sistema Nervoso Central, porque, em seguida a esses efeitos, tem a ação de relaxamento e até sonolência, além de alívio temporário de tensões tanto psicológicas como físicas. E, claro, dependendo da quantidade ingerida, os efeitos serão maiores ou menores. Assim, é uma substância psicotrópica capaz de alterar nossos níveis de consciência. Isso porque leva a efeitos psíquicos no cérebro como redução da concentração, da atenção, da memória recente e da capacidade de julgamento.

Nós, seres encarnados em constante processo de comunicação, consciente ou não, com o plano espiritual, de onde vem nossa verdadeira essência, por meio do álcool, temos nossos canais mais abertos e suscetíveis às aproximações de mesmo padrão de vibração energética. Como somos “antenas”, aproximamos ou distanciamos de nós energias, formas-pensamento e irmãos desencarnados que se afinizam conosco ou com nosso momento vibracional.

Sendo assim, o álcool pode trazer para perto de nós espíritos sofredores que ainda sentem a necessidade do álcool e seus efeitos, para utilizar-nos como canal para sentir esse prazer ao qual ainda estão ligados. Não necessariamente serão nossos obsessores, mas poderão tornar-se, dependo do caso, de nossa abertura e simbiose com os mesmos.

Mas, como já dito anteriormente, o álcool pode ter benefícios e suas consequências vão depender da quantidade, finalidade e consciência de cada ser, podendo o velho e bom “orai e vigiai” ser um ótimo recurso de proteção.

Faz parte do universo da Umbanda as entidades utilizarem elementos como o tabaco e o álcool em seus trabalhos. Isto porque possuem uma energia que favorece o transe e os processos de limpeza espiritual e funcionam como ferramentas a serem usadas de acordo com o serviço a ser realizado ou a especialidade de atuação da entidade. Desse modo, ao mesmo tempo em que temos entidades que atuam com tratamentos espirituais e manipulam energias sutis com o uso das plantas, da água e do ar, outras entidades atuam no enfrentamento de energias densas, utilizando-se das propriedades energéticas do marafo ou do álcool para descarrego e limpezas profundas.

Precisamos ficar atentos, no entanto, à diferença entre o uso religioso e o uso recreativo do álcool pelos médiuns e cambones. Equilíbrio e moderação, quando não puder ser evitado, é a recomendação não só das entidades como da própria medicina a toda a população.

Não podemos deixar de considerar que o álcool tem uma energia superpoderosa e, quando utilizado em altas dosagens, perturba o sistema nervoso, gerando embriaguez e comprometimento a nível energético no corpo humano. O trabalhador espiritual precisa manter-se com uma energia o mais limpa possível, a fim de não ter suas forças físicas e espirituais enfraquecidas e uma incorporação mais difícil.

Além disso, o médium é um canal mais aberto à emissão e recepção de energias e, em uma situação de embriaguez, pode sofrer os impactos de energias nocivas produzidas por ele, pelo ambiente ou por espíritos perturbadores/obsessores ao seu redor, em maior grau em relação a uma pessoa “não-médium”. Somado a isso, ao ingerir álcool, o médium tem seus chakras completamente desalinhados, impossibilitando qualquer incorporação de seus guias. Observa-se que aqueles que bebem e incorporam, geralmente, estão apenas fingindo ou estão irradiados por espíritos obsessores.

É importante ressaltar que, em todo o mundo, mais de 3 milhões de mortes por ano são resultantes do uso nocivo do álcool, representando cerca de 5,3 % de todas as mortes. Também é fator causal para mais de 200 doenças e lesões e estabelece relação causal com uma série de transtornos mentais. Fora os impactos na saúde, o uso nocivo do álcool provoca perdas sociais e econômicas significativas para os indivíduos e para a sociedade em geral.

Por fim, que saibamos dar uma utilização religiosa ao álcool no ambiente e ritualística de nossa Casa. Ou seja, que nossos guias possam ter acesso a essa substância, exclusivamente, como ferramenta de trabalho, e consigam, através da nossa mediunidade, utilizá-la da melhor forma nos trabalhos espirituais, direcionando-a para a prática do bem e da caridade, lema da nossa amada Umbanda. Por outro lado, como médiuns que somos 24h por dia, onde quer que estejamos, lembremo-nos de que, ao utilizarmos o álcool de forma recreativa, é importante mantermos a consciência, ponderação e o equilíbrio.

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