VIVENCIANDO A MEDIUNIDADE
Médium Naiara BarbosaNão existe caminho correto ou a fórmula perfeita de como vivenciar e educar a mediunidade. Existe, sim, caminho individual e vivências pessoais que acontecerão de forma própria, em momentos exclusivos e com particularidades, construindo a mediunidade de cada ser. Porém, o ideal é que ele ocorra de acordo com um “esqueleto” comum, que se baseia nos conhecimentos e conceitos sobre esse tema.
Muito já foi explorado, documentado, bem como retratado sobre a mediunidade e os médiuns, e isto segue crescente ao longo dos séculos, juntamente com a evolução humana. Fenômenos mediúnicos, mesmo ainda não possuindo essa nomenclatura na época em que ocorreram, foram documentados desde a antiguidade. Médiuns como Chico Xavier são idolatrados e tidos como modelo até a atualidade. Novelas nacionais abordam o tema em seus roteiros. Diversos livros, filmes e documentários foram realizados. E, além de tudo isso, vê-se claramente, em diversos episódios da passagem de nosso amado Mestre Jesus pela Terra, processos mediúnicos, como os fenômenos de cura que produziu.
Assim, ao longo dos tempos e acontecimentos, foi-se criando uma base de conhecimentos e conceitos que se firmou, principalmente, através do espiritismo. Ainda que não detenha a exclusividade de produção e de conhecimento sobre o tema, pelo seu aspecto científico, comprovou os fenômenos e muito “desvendou” sobre o assunto, como no Livro dos Médiuns.
Mesmo com tanto já documentado, falado e esclarecido, o preconceito ainda existe, principalmente em relação à Umbanda. Porém, o mais importante neste processo é a fé, e a persistência no caminho do bem e da caridade que se escolhe fazer através do canal mediúnico.
Então, concluindo após essas contextualizações, o que seria essa tal mediunidade? Esta representa aptidão inerente ao ser e está presente em todas as religiões, em todos os tempos, desde a criação do homem no processo de encarnação e reencarnação. Por conceituação, traduz faculdade que permite a comunicação entre os planos material e espiritual. Existem vários tipos de mediunidade, mas ela começa desde nossos pensamentos e sentimentos. Há a psicografia, psicometria, psicofonia, pictografia, clariaudiência, clarividência, clarigustação e clariolfação, vidência, materialização, inspiração ou irradiação, xenoglossia, desdobramento ou projeção astral, telecinesia, incorporação, intuição e cura.
Mas a mediunidade seria algo natural, um dom ou um compromisso? Ela é um pouco de tudo isso: natural, pois somos todos espíritos e essa é a verdadeira vida; um dom, quando já a temos em maior grau, de acordo com o entendimento e progresso evolutivo, para usufruto do bem; e compromisso, quando a assumimos para nossa evolução e do próximo através da caridade, principalmente quando já tenhamos feito isso mesmo antes de encarnar.
Considerando que todos são médiuns, como realmente aparece a mediunidade? Ela está em nós desde o nascimento, às vezes mais sutil, apenas através de intuições que, por ora, ignoramos, ou mais presente, com vidências, por exemplo. No entanto, existem momentos em que há o afloramento mediúnico. Ele pode ocorrer em qualquer idade, chegando muitas vezes com sensações estranhas e situações inexplicáveis, ou até mesmo, desconcertantes e embaraçosas. Nosso corpo emana uma irradiação fluido-nervosa, nossa luz espiritual, e é através dela que os espíritos são atraídos. Assim, dependendo da energia e moral do médium, haverá a afinidade e aproximação de espíritos de vibrações melhores ou inferiores.
A partir do afloramento mediúnico, é importante o cuidado, estudo e educação dessa mediunidade para preservar o bem-estar do médium e buscar proximidade, manifestação e comunicação apenas com as entidades que desejar e permitir. É aí que entra o vivenciar da mediunidade, que assusta, dá medo, gera inseguranças, ansiedades, angústias e preocupações. No entanto, ao mesmo tempo, gera tantos ganhos, descobertas, aperfeiçoamento, além de crescimento moral, pessoal e espiritual.
Percebo que essa fase de dúvidas, medos e ansiedade ocorre com todos, mas a grama do vizinho é sempre mais verde: tendemos a ver médiuns antigos e a nos compararmos, achando-nos inferiores, ou nos comparamos até mesmo com médiuns que iniciaram conosco a educação mediúnica. Porém, o caminho é tão, mas tão individual! O nosso não é melhor do que o de ninguém, e o de ninguém é melhor do que o nosso. É apenas o NOSSO e o do OUTRO. Pois, já que ninguém é igual, por que a jornada mediúnica deveria funcionar da mesma maneira para todos?
Alguns se desenvolverão mais rápido, outros mais consistentes, outros com a vidência, outros com a psicografia, outros ainda com a incorporação, e aí por diante. E, em se tratando de nossa religião especificamente, a Umbanda, a incorporação se faz muito presente, mas não em todos os casos e de forma obrigatória.
Sabe-se, segundo o livro Médium - Incorporação não é Possessão, de Alexandre Cumino, que 99,9% dos médiuns são semiconscientes. Por ora, entram em crise por acreditar que estão “mistificando", e por não saber se são eles ou os guias se manifestando. Ser e estar consciente de sua mediunidade, assim como dos momentos de trabalho mediúnico é positivo. Em nossa Casa, é assim que buscamos agir, porque as comunicações espirituais são para ocorrer através dos médiuns e não sem eles. Todavia, pode ocorrer casos de possessão, em que o médium fica totalmente ausente, não se recorda de nada e, às vezes, tem dificuldade para retornar. Nessa oportunidade, além de várias outras, é que se faz de extrema importância estar em uma Casa séria e cuidadosa com seus médiuns, que se fará presente e dará todo o apoio, assim como as orientações necessárias ao caso.
Lembro muito de minhas ansiedades e preocupações antes de minha primeira incorporação, bem como de quando questionei vários outros médiuns sobre como seria, como foi pra eles, como acontecia esse tal fenômeno. Medo e ao mesmo tempo ansiedade permeavam meu ser. A todos que me dirigi, as colocações foram muito similares: “não sei, é tão particular... tão individual... comigo foi assim, mas não precisa ser igual com você... tome seu tempo, aos poucos as coisas acontecem”. Assim tem sido desde que resolvi vivenciar essa faculdade, que tanto tem me feito ter novos olhares, novas perspectivas, inundar-me de gratidão e bem-estar, e faz-me aprender e crescer.
Que tenhamos o amor para seguir nessa linda e desafiadora jornada. Amor, amor e amor, assim como as primeiras leis de Oxalá. Que tenhamos resignação para encararmos o vivenciar mediúnico, bem como as provas e expiações que vêm junto a ele. E que tenhamos fé e disciplina para nos mantermos no caminho correto do bem e da caridade, através dos cuidados contínuos e inesgotáveis de reforma íntima, pensamentos e sentimentos, juntamente com a busca pela fonte precisa de conhecimentos. Viva a mediunidade e os médiuns! Viva esse dom e oportunidade! Axé!