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22 de Outubro de 2026 · por Médium Mariana Eleuterio

A Ternura que Alimenta e Prospera

Entre as comidas oferecidas aos Orixás, as de Oxum se destacam pela doçura, pelo amarelo e pelos elementos ligados às águas doces.

Entre as comidas oferecidas aos Orixás, as de Oxum se destacam pela presença da doçura, do amarelo e dos elementos ligados às águas doces. Senhora dos rios, das cachoeiras, da fertilidade e da prosperidade, Oxum reúne acolhimento, beleza e abundância. Seus alimentos expressam essas qualidades, embora seus preparos e fundamentos possam variar conforme a tradição de cada casa.

Um dos alimentos mais conhecidos é o Omolucum, preparado principalmente com feijão-fradinho e, conforme a tradição, ovos e outros ingredientes. Os muitos grãos reunidos podem representar fertilidade, multiplicação e abundância, enquanto os ovos remetem à gestação e ao potencial de gerar e renovar a vida. Por isso, o Omolucum aparece em diferentes contextos relacionados a Oxum, especialmente em pedidos e agradecimentos ligados à fertilidade, prosperidade e continuidade.

O mel também possui uma relação marcante com Oxum. Sua doçura remete àquilo que se deseja atrair e cultivar: amor, prosperidade, harmonia e abundância. Mais do que um ingrediente, expressa a qualidade de adoçar os caminhos e tornar a vida mais fértil. Seu uso, entretanto, segue fundamentos específicos de cada tradição.

As frutas também ocupam um lugar importante entre os elementos associados a Oxum. Entre as mais relacionadas à Orixá estão o melão amarelo, o pêssego e a uva, embora essas associações possam variar conforme a tradição de cada casa. O melão amarelo, por sua cor e abundância, aproxima-se do simbolismo do ouro, da prosperidade e do brilho de Oxum. O pêssego, delicado, perfumado e de sabor doce, relaciona-se à beleza, à suavidade e à fertilidade. Já a uva, formada por muitos frutos reunidos em um único cacho, pode representar multiplicação, fartura e abundância.

Outro preparo de grande importância é o Ipeté, feito à base de inhame e tradicionalmente associado a Oxum. Em muitas casas de Candomblé, sua preparação marca o encerramento do ciclo litúrgico anual, carregando os sentidos de conclusão, agradecimento e renovação. O inhame, alimento que cresce sob a terra, relaciona-se à fertilidade, à força e à prosperidade. Já os camarões, ligados às águas, reforçam a relação de Oxum com os rios e a fertilidade. A união desses elementos expressa a complementaridade entre terra e água, forças essenciais à vida e à abundância. A própria forma de preparar e apresentar as comidas de Oxum também pode fazer parte de seu fundamento. O cuidado, a beleza e a abundância presentes na composição dos pratos expressam respeito e devoção.

Conhecer suas comidas é também conhecer seus símbolos. Em cada grão, fruto e ingrediente encontramos referências à fertilidade, à prosperidade, à beleza e à capacidade de gerar e multiplicar. A comida nos lembra que todo ciclo precisa de um momento de encerramento para que outro possa começar: alimentar também é agradecer pelo que foi vivido, cuidar do presente e preparar o caminho para aquilo que ainda irá florescer.

<strong>Referências</strong><br>
1. O PRESENTE de Oxum e a construção da multiplicidade no candomblé. Religião & Sociedade. Dossiê Materialidades do Sagrado.